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Salgueiro: afinal, algum dia seremos o Brasil Cocar?

20/02/2024
Salgueiro: afinal, algum dia seremos o Brasil Cocar?

“Não queremos sua “ordem”, nem o seu “progresso” […]. A chance que nos resta é um Brasil cocar. (Samba-enredo da Salgueiro. 2024)

São cerca de 40.000 Yanomami, dos quais 31.007 vivem em 384 aldeias no Brasil, segundo o Distrito Sanitário Especial Indígena (DSEI). Os demais, na Venezuela. Falam seis línguas da mesma família. Uma delas ecoou no desfile das campeãs na madrugada de domingo (18) no refrão da Acadêmicos do Salgueiro:

– Ya temi xoa, aê, êa.

Esta mesma frase havia sido dita meses antes por Davi Yanomami ao se despedir do seu amigo, o pesquisador Estevão Senra. Com a tradução, o povo nas arquibancadas cantou e entendeu o que cantava:

– Eu ainda estou vivo.

Esta afirmação da vida enfurece Yoasi, criador e cúmplice do Napë – o não-indígena, responsável por mortes, doenças, florestas incendiadas e rios envenenados pelo garimpo. Ele finge não ouvir “o grito da Amazônia antes que desabe” e ainda é aplaudido pelos napëpë com a saudação: – Mito, Mito.

Mas Yoasi, que “se julga família de bem”, foi obrigado a “ouvir a verdade que não lhe convém”, em um recado muito claro:

– Napë, não vamos nos render. Napë, nossa luta é sobreviver.

Yoasi, o Criador da Escuridão, é um inimigo invejoso, que compete com seu irmão Omama, o Criador da Luz, da Vida e do Mundo: gente, céu, sol, noite, lua, estrelas, floresta, plantas, animais, montanhas e rios. A única chance desse mundo não ser destruído é a construção de um Brasil Cocar, abençoado por Omama e anunciado pela flecha do povo da floresta que cruzou a Sapucaí.

Na escuta do cocar

Afinal, o que é mesmo o Brasil Cocar?  A resposta pode ser resumida em uma palavra: escuta. O Brasil Cocar é o país que escuta os povos ameríndios, os afrodescendentes, as mulheres, os moradores de rua, os favelados, o movimento LGBTQIA+, os gays, lésbicas e simpatizantes e até aquelas pessoas com algum tipo de deficiência.  O Brasil Cocar respeita a alteridade, convive com a diferença, assume sua diversidade, combate o racismo, a homofobia e o machismo.

Quem assistiu ao desfile pôde ver o sábio Omama, em todo o seu esplendor, numa estátua de 20 metros de altura, que ainda não estava pronta quando Davi Kopenawa veio ao Rio, em outubro do ano passado. Ele viu no barracão na Zona Portuária os seis carros alegóricos em processo de montagem e – conta a jornalista Cláudia Antunes – torceu o nariz para o desenho do Criador dos Yanomami:

– Omama tem que ser o Yanomami mais perfeito, com o cabelo bem curto e as pinturas corporais. Dito e feito. Redesenharam Omama.

Essa foi uma das escutas da Salgueiro. Outras escolas escutaram os afrodescendentes. O Brasil Cocar aflora com essa escuta, que pode ecoar em diversas instituições: sistema escolar, família, igreja, museu, mídia, sindicato, partido político, rede social e outros aparelhos ideológicos.  Mas para isso não basta mudar a legislação ou celebrar os indígenas em 19 de abril e a consciência negra em 20 de novembro, ou ainda ouvir os seus cantos só “para postar no seu perfil”.

A construção do Brasil Cocar requer a escuta de línguas, cosmologias, músicas, narrativas míticas e saberes milenares em diferentes campos do conhecimento, o que dá visibilidade aos 274 idiomas indígenas autodeclarados e aos falares africanos, alguns deles presentes nos enredos de várias escolas, mostrando que o Brasil é um país plurilíngue, o que é ignorado por grande parte da população.

A língua da mata

A língua portuguesa foi aprendida por muitas das 1.693.535 pessoas indígenas (Censo IBGE 2022). Embora, como consequência de uma política glotocida, uma  quantidade expressiva de falantes indígenas foi obrigada a substituir pelo português suas próprias línguas, silenciando-as, a reivindicação é de que elas convivam em situação de bilinguismo permanente com a língua oficial do país, que serve de ferramenta de denúncia e de resistência:

– Eu aprendi o português, a língua do opressor / Pra te provar que meu penar também é sua dor / Falar de amor, enquanto a mata chora / É luta sem flecha, da boca pra fora.

O português, hoje, é uma língua de comunicação entre os próprios índios que falam idiomas diferentes. As línguas indígenas em contato com o português do Brasil mudaram o nosso jeito de falar. O Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa, em uma de suas edições, registra 228 mil verbetes, dos quais cerca de 45 mil são palavras emprestadas de línguas indígenas. No caso da Salgueiro, a letra do seu samba enredo incorporou vários itens lexicais de língua da família Yanomami.

No entanto, a influência das línguas ameríndias nas variedades do português no Brasil não se resume a uma lista de palavras exóticas ou “folclóricas”. Além do léxico, outras influências entranhadas nas camadas profundas da língua, penetraram em seus alicerces e mexeram com seus sistema sintático, fonológico e morfológico.

Começa pelo título do samba-enredo. Hutukara é o primeiro céu que desabou em tempos ancestrais. Os xapiri , donos da chuva e do vento, são convocados pelos xamãs para combater as entidades maléficas, curar doenças, proteger a natureza, garantir seu equilíbrio. Foram representados na comissão de frente e em carro alegórico como “minúscula poeira de luz” com ornamentos brilhantes e coloridos.

De “estragados” a guardiões

O samba-enredo, construído por mãos de vários compositores, ganhou nota 10 de todos os jurados e foi elogiado pelo ator Leonardo DiCaprio.  Houve muita escuta. Enredo, carros alegóricos, fantasias e coreografia contaram com a participação dos Yanomami em parceria com os carnavalescos Edson Pereira e Igor Ricardo, que conversaram muitas horas com o líder e xamã Davi Kopenawa, coautor com o antropólogo Bruce Albert de “A Queda do Céu”, livro que também consultaram.

– Esse encontro com o Davi causou uma mudança de chave muito grande na nossa cabeça – confessou Edson em entrevista a Cláudia Antunes.

Davi subiu o morro do Salgueiro, visitou o Centro Cultural Guardião das Tradições Afro-brasileiras e trocou figurinha com Tia Glorinha, 77 anos, presidente da Ala das Baianas. Desfilou ao lado do filho Dário, de Ehuana, de Morzaniel Iramari e do artista visual Joseca. Desfilaram ainda diversas alas de crianças, minério escondido, garimpo do ouro, escavadeira comendo a terra e a resistência de outros povos: Guarani Kaiowá, Kayapó, Awá-Guajá, Xokleng, Matis com homenagem a Bruno e Dom assassinados.

A Escola do Salgueiro mostrou o cotidiano das aldeias: roça, caça, pesca, arte, pintura, costumes e cosmologia, atendendo a orientação de Davi Kopenawa para que os Yanomami fossem tratados como um povo resistente e não como “estragados”, denominação dada por napë de Roraima, que tanto incomodou, entre outros, a linguista Loretta Emiri, autora de cartilhas e dicionários Yãnomamé. Ela está criando “A Casa dos Esclarecidos” – Centro de Formação Yanomami.

Ordem e Progresso

A cobertura da TV Globo com Milton Cunha, Alex Escobar e Karine Alves passou batido pela Ala dos Militares, com as caveiras e urubus denunciando mortes e crimes ambientais iniciados depois do golpe de 1964, o que foi recentemente reforçado nos quatro anos do governo do Coiso. Nenhuma explicação sobre os conceitos do verso “Não queremos sua ordem, nem o seu progresso” que, com o devido respeito ao símbolo pátrio, propõe perceber a terra-floresta como uma entidade viva e não como mercadoria.

Várias escolas abordaram a temática indígena, como a Grande Rio – Meu destino é ser onça – entre outras. Sugestão para a Globo e a Liga Independente das Escolas de Samba (Liesa): convidar comentarista e jurado indígena preparados para o ofício. Nomes não faltam: Ailton Krenak da Academia Brasileira de Letras, a escritora Eliane Potiguara e Daniel Munduruku, a lista é longa. Nem sequer entrevistaram os indígenas que desfilaram, mas atrizes globais, algumas falando abobrinhas.

Aliás, se a passarela do samba se chamasse Roberto Marinho, ela seria sempre nomeada assim pelos comentaristas. Mas seu nome oficial desde 1985, nunca lembrado e sequer mencionado, é Passarela Darcy Ribeiro, o idealizador do sambódromo. Falam então “Sambódromo” “Sapucaí”, “Avenida” “só para postar no seu perfil”.

P.S – Os dois primeiros livros da lista abaixo, ganhei de presente na semana passada de um descendente dos índios Charrúa, que desfilou na Ala Amigos dos Yanomami e deu um show na Passarela Darci Ribeiro, provando que tem samba no pé.

Referências:  

1-Bruce Albert e David Kopenawa – O Espírito da Floresta. São Paulo. Cia. Das Letras. 2023.

2. José Ignacio Gomeza Gómez. A floresta cuida da nossa renda. In Alcida Ramos et alii (orgs) “Terra Indígena Yanomami 30 anos. O Futuro é Indígena. São Paulo. ISA/HUTUKARA. 2022.

3. Bruce Albert e David Kopenawa – A Queda do Céu. Palavras de um xamã Yanomami. São Paulo. Cia das Letras. 2015 (3ª edição)

4-Murilo Pajolla. Davi Kopenawa: ‘Yanomami na Salgueiro vai ficar na história do povo da floresta e da cidade’. Brasil de Fato. 17/02/2024. https://www.brasildefato.com.br/2024/02/17/davi-kopenawa-yanomami-na-salgueiro-vai-ficar-na-historia-do-povo-da-floresta-e-da-cidade

5- Greenpeace Brasil. Entrevista Davi Kopenawa sobre como a história do povo Yanomami virou tema do Salgueiro. 16/02/2-24. https://www.greenpeace.org/brasil/blog/enredo-indigena-salgueiro-e-a-nossa-campea-do-carnaval-2024/

6- Estevão Benfica Senra.´Ya temi xoa, aê, êa´. Eu ainda estou vivo. Sumaúma. 11/01/2024 – ‘Ya temi xoa, aê, êa!’. Eu ainda estou vivo – SUMAÚMA (sumauma.com)

7 – Ana Maria Machado e Cláudia Antunes. Para entender os Yanomami na Sapucaí. Sumaúma. 30/01/2024 – Para entender os Yanomami na Sapucaí – SUMAÚMA (sumauma.com)

8 – Cláudia Antunes. Carnaval 2024: os orixás vão encontrar os “xapiri” na Avenida. Sumaúma. Rio. 30/01/2024. Carnaval 2024: os orixás vão encontrar os xapiri na Avenida – SUMAÚMA (sumauma.com).

9 –  Loretta Emiri. De “estragados” e atropelados a guardiões de seu território e A Casa dos Esclarecidos Centro de Formação Yanomami. Dossiê. Janeiro 2024.

10. Rafael Cardoso. Livros que dão samba: as histórias que vão agitar a Sapucaí em 2024. Obras de temas indígenas, afro-brasileiros e regionais. 12/02/2024. Agência Brasil. https://agenciabrasil.ebc.com.br/geral/noticia/2024-02/livros-que-dao-samba-historias-que-vao-agitar-sapucai-em-2024

11 – Destrinchando o Samba. Salgueiro 2024. Destrinchando o Samba | Salgueiro 2024 | Hutukara (youtube.com)

 

FONTE: TAQUIPRATI

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