Uma recente pesquisa realizada pelo Instituto Semesp, intitulada “Perfil e Desafios dos Professores da Educação Básica no Brasil”, traz à tona uma preocupante realidade: 79,4% dos professores já consideraram abandonar a carreira docente. O estudo, realizado entre 18 e 31 de março de 2024 com 444 professores das redes pública e privada, de todas as regiões do país, destaca os múltiplos desafios enfrentados por esses profissionais, que vão desde a falta de reconhecimento até as condições de trabalho adversas.
Os professores apontam uma série de razões para o desânimo profissional, incluindo baixa remuneração, carga horária excessiva, falta de interesse dos alunos e uma alarmante incidência de violência nas escolas. De acordo com a pesquisa, mais da metade dos educadores (52,3%) já sofreram algum tipo de violência no exercício da profissão, sendo a agressão verbal e o assédio moral as formas mais comuns.
Além dos desafios internos, os docentes enfrentam a falta de apoio da sociedade, com 61,3% deles relatando uma ausência de reconhecimento social significativo. Isso é agravado pela falta de envolvimento das famílias, mencionada por 59% dos entrevistados como um problema recorrente que impacta negativamente o ambiente educacional.
Apesar desse cenário desolador, ainda há um vislumbre de esperança: 53,6% dos professores se dizem satisfeitos ou muito satisfeitos com a carreira, principalmente motivados pelo amor ao ensino e pelo impacto positivo que percebem em seus alunos. O interesse em compartilhar conhecimento e ver o progresso dos estudantes são citados como fatores decisivos para sua permanência na profissão.
Lúcia Teixeira, presidente do Semesp, ressalta a importância de entender as motivações dos professores para enfrentar esses desafios. “Esses dados são cruciais para nós porque mostram tanto os obstáculos quanto as paixões que moldam a carreira docente. Eles destacam a resiliência desses profissionais e a necessidade urgente de apoiá-los melhor”, afirma Teixeira.
A pesquisa também faz parte da 14ª edição do Mapa do Ensino Superior no Brasil, que analisa o cenário das licenciaturas e as perspectivas para esses cursos. Atualmente, apenas 17% dos estudantes de ensino superior estão matriculados em cursos de licenciatura, e a pesquisa revela uma alta taxa de desistência, especialmente em instituições privadas, onde cerca de 60% dos estudantes abandonam o curso.
Este cenário desafiador levou o Instituto Semesp a defender uma reformulação dos cursos de licenciatura, argumentando que os currículos precisam ser mais práticos e melhor adaptados às novas tecnologias. “É vital reformar o modelo de ensino das licenciaturas para torná-las mais atrativas e eficazes na preparação de futuros educadores”, argumenta Rodrigo Capelato, diretor executivo do Semesp.
Enquanto o país enfrenta esses desafios na educação, a pesquisa sublinha a necessidade crítica de políticas públicas que fortaleçam o ensino e ofereçam melhores condições para os professores. Com o aumento das matrículas a distância, o Ministério da Educação está também revendo o marco regulatório para garantir a qualidade da formação dos futuros professores, um passo essencial para melhorar a situação educacional no país.

