A mostra Faróis do Cinema, que começa nesta terça-feira (27) na Caixa Cultural Rio de Janeiro, Unidade Passeio, celebra a influência e a crescente participação das mulheres no cinema brasileiro. A 4ª edição do evento, que segue até 8 de setembro, foca exclusivamente em cineastas do sexo feminino, trazendo ao público uma seleção de 12 longas-metragens dirigidos por mulheres brasileiras de diferentes gerações, além de 11 longas e quatro curtas-metragens que essas diretoras indicaram como seus “faróis”, ou seja, filmes que influenciaram ou inspiraram suas carreiras.
A curadora da mostra, Mariana Bezerra Cavalcanti, destacou que o foco desta edição está nos filmes que serviram como faróis para essas cineastas. “A mostra fala mais dos filmes faróis do que das obras das diretoras, nesta edição”, explicou Mariana, celebrando a oportunidade de reunir um número significativo de diretoras em um evento como este, algo que há alguns anos seria inimaginável. “Felizmente, tem aumentado a participação de mulheres no cinema nacional”, comemorou.
Entre os filmes que servem de faróis para essas diretoras estão marcos históricos do cinema internacional, como “Hiroshima Meu Amor”, de Alain Resnais (1959), e “Viver a Vida”, de Jean-Luc Godard (1962), além de obras nacionais importantes como “Deus e o Diabo na Terra do Sol”, de Glauber Rocha (1964), e “A Hora da Estrela”, de Suzana Amaral (2011).
A mostra Faróis do Cinema foi inspirada no blog “Faróis”, escrito em 2008 pelo crítico de cinema Carlos Alberto Mattos, no qual ele entrevistava diretores sobre suas influências cinematográficas. Em 2010, o cineasta Marcelo Laffitte e a produtora Mariana Bezerra Cavalcanti propuseram a Mattos a realização de uma mostra inspirada no blog, que recebeu o título “Faróis do Cinema – Documentário Brasileiro – Quem Faz e Quem Inspira”. Desde então, foram realizadas outras edições em 2011 e 2014, e agora, a quarta edição em 2024.
A abertura desta edição será marcada pela exibição do filme “Fernanda Young, Foge-me ao Controle”, de Susanna Lira, seguido de seu farol “Cabra Marcado para Morrer”, de Eduardo Coutinho. Outros destaques incluem “Agudás – Os Brasileiros do Benin”, de Aída Marques, acompanhado de “Hiroshima Meu Amor”, e “Mangueira em Dois Tempos”, de Ana Maria Magalhães, seguido de “Viver a Vida”. Também estarão presentes na mostra filmes como “Xingu Cariri Caruaru Carioca”, de Beth Formaggini, que será exibido ao lado de “Deus e o Diabo na Terra do Sol”.
Além das exibições de filmes, a Mostra Faróis do Cinema proporcionará diálogos com as cineastas convidadas após as sessões, com a participação dos críticos de cinema Leonardo Luiz Ferreira e Carlos Alberto Mattos. Um dos eventos paralelos será a oficina de produção cinematográfica, que ocorrerá no dia 31 de agosto, às 13h15, ministrada pela cineasta mineira Clarissa Campolina. Clarissa, que trabalha com uma linguagem mais poética no cinema, fará uma oficina sobre a produção cinematográfica com foco no trabalho das mulheres no cinema. Com vagas limitadas a 25 participantes, a oficina será gratuita, e os ingressos devem ser retirados 30 minutos antes da atividade. A classificação etária é de 16 anos.
No dia 4 de setembro, às 19h, Carlos Alberto Mattos e a curadora Mariana Bezerra Cavalcanti conduzirão uma sessão especial onde contarão ao público a história da mostra, compartilhando casos, conversas e a seleção de filmes exibidos desde a primeira edição, em 2010.
A mostra Faróis do Cinema é uma oportunidade única para o público conhecer a trajetória e as inspirações de cineastas mulheres que vêm ganhando cada vez mais espaço no cenário cultural brasileiro. A programação completa está disponível no site da Caixa Cultural, e todas as atividades são gratuitas.

