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Arquiteto negro aprovado em primeiro lugar no BNDES reforça importância das cotas raciais

Profissional destaca papel das políticas afirmativas na igualdade de oportunidades e celebra conquista histórica no concurso do banco

03/04/2025
© Arthur Augusto/BNDES

© Arthur Augusto/BNDES

O arquiteto Tiago Coutinho da Silva viveu uma surpresa emocionante no último dia 21 de março, durante a cerimônia de lançamento do edital do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) para a seleção de profissionais negros encarregados da criação de um museu a céu aberto na Pequena África, no Rio de Janeiro.

Sentado na plateia ao lado da família, ele ouviu a diretora de Pessoas, Gestão e Operação do BNDES, Helena Tenório, chamá-lo ao palco para anunciar um feito histórico: “O primeiro colocado das cotas foi também o primeiro colocado geral do concurso”.

O arquiteto, que disputou uma das duas vagas para a carreira de arquitetura e urbanismo, não apenas conquistou a aprovação por cotas raciais, mas também obteve a maior nota geral entre todos os candidatos. A surpresa se tornou ainda mais significativa ao dividir o palco com as ministras Anielle Franco (Igualdade Racial), Macaé Evaristo (Direitos Humanos e Cidadania) e Margareth Menezes (Cultura).

“Não estava preparado para isso. É muito mais fácil fazer uma prova”, brincou Tiago, destacando que sua conquista simboliza representação e inspiração para outras pessoas negras.

Reparação histórica e políticas afirmativas

Morador de Niterói, na região metropolitana do Rio de Janeiro, Tiago tem 29 anos e dedica sua aprovação a anos de estudo. “Estou nessa jornada desde 2020”, contou à Agência Brasil.

Mesmo ciente de que teria sido aprovado sem as cotas raciais, ele defende a política de ação afirmativa como um mecanismo fundamental para corrigir injustiças históricas. “Quando os brancos chegaram aqui, eles sempre tiveram essa oportunidade, receberam cotas de terra, vantagens que os beneficiam até hoje. A política de cotas é uma reparação, um passo para tentar igualar as condições em uma sociedade ainda desigual”.

O arquiteto também destaca a importância do acesso à educação pública de qualidade em sua trajetória. Ele estudou no Instituto de Aplicação da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (CAp-UERJ) e na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), formação que, segundo ele, foi essencial para o sucesso no concurso.

Concurso concorrido e resultado histórico

Após 12 anos sem seleção, o concurso do BNDES foi um dos mais disputados da história do banco, com 42.767 candidatos concorrendo a 150 vagas. A carreira de arquitetura e urbanismo, escolhida por Tiago, teve a maior relação candidato/vaga: 1.181 por vaga.

O jovem alcançou nota 110,6, em uma escala que ia até 120. A diretora Helena Tenório comparou sua performance com a de inteligências artificiais: “O ChatGPT fez 82 na nossa prova. Isso demonstra que as cotas dão certo, e que nossos aprovados estão extremamente qualificados”.

Ampliação das cotas e diversidade

O concurso do BNDES foi o primeiro do banco a adotar cotas raciais de 30%, acima do mínimo de 20% exigido pela Lei 12.990/2014. “A decisão de aumentar o percentual se baseia na crença de que equipes diversas são mais eficientes e representativas”, afirmou Tenório.

Atualmente, tramita no Congresso Nacional o Projeto de Lei 1958/2021, que propõe ampliar a reserva de vagas para 30%. Além disso, em 2023, foi sancionado o PL 5.384/2020, que atualiza a Lei de Cotas no ensino superior federal, garantindo a destinação de 50% das vagas para estudantes de escolas públicas, com ajustes anuais para populações negras e pessoas com deficiência.

A história de Tiago Coutinho reforça que, mais do que um mecanismo de inclusão, as cotas raciais são uma ferramenta para revelar talentos que, de outra forma, poderiam não ter acesso a oportunidades.

Fonte: Agência Brasil

Tags: ArquiteturaBNDESconcurso públicocota racialigualdade racialmercado de trabalhoPequena Áfricapolíticas afirmativas
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