Na 17ª edição da Campus Party Brasília, o futuro já acontece no presente. Entre robôs, máquinas que imprimem comida e painéis sobre tecnologia, o evento, que ocupa a Arena BRB Mané Garrincha, também virou palco para inovação e empreendedorismo. A inteligência artificial (IA) é a estrela do momento, impulsionando soluções que vão do turismo à saúde e movimentando negócios em áreas diversas.
A feira, considerada o maior festival de tecnologia e cultura digital da América Latina, reúne mais de 150 mil visitantes até domingo (22) e é uma vitrine para startups que buscam visibilidade, networking e oportunidades de investimento. É o caso da TourData, criada pelo publicitário mineiro Helton Fraga, que apresentou uma plataforma que une IA e turismo com foco no desenvolvimento econômico local.
O sistema da startup analisa o perfil de cada usuário e, a partir disso, indica passeios e atrações turísticas personalizadas. “Assim, ele vai ter uma visita mais personalizada e tende a voltar mais vezes ou indicar para outras pessoas. Isso fomenta os negócios locais, como estabelecimentos, pousadas e atrativos”, explica Helton.
Segundo ele, a IA não só proporciona experiências mais ricas aos visitantes, mas também coleta dados relevantes que podem ser usados por prefeituras para planejar políticas públicas de turismo. “A plataforma aprende com os hábitos dos turistas. Com isso, os gestores municipais conseguem melhorar a gestão dos recursos turísticos e atrair ainda mais visitantes.”
Tecnologia a serviço da saúde
Outra startup presente na Campus Party é a Clivia, do desenvolvedor goiano Humberto Felipe Dias, que também aposta na inteligência artificial para transformar o setor de saúde. A empresa criou uma assistente virtual para marcação de consultas médicas, automatizando o agendamento com base na disponibilidade dos consultórios e nas preferências dos pacientes.
“O cliente vai conseguir marcar a consulta na hora e no dia que quiser. E a secretária vai ter mais tempo para ser humana, para se relacionar com o cliente”, afirma Humberto. Segundo ele, a ferramenta — desenvolvida ao longo de dois anos e meio — já despertou interesse de profissionais da área durante o evento. “A gente teve contato com médicos que não esperávamos encontrar por aqui. Também trocamos experiências com outros desenvolvedores. É um conhecimento muito rico, traz muitas ideias e inspira melhorias para a nossa ferramenta.”
O impacto da IA no mercado
A inteligência artificial também é tema central das palestras promovidas na Campus Party, que abordam os impactos da tecnologia em setores como produção, logística, transporte, serviços e comércio. Para o fundador do evento, Francesco Farruggia, a IA será o principal vetor de transformação econômica nas próximas décadas.
“A inteligência artificial avança muito rapidamente e vai trazer eficiência para toda a economia. Todo mundo vai ter que ter um agente de inteligência artificial”, projeta. Farruggia acredita que as empresas e instituições precisam se adaptar para não ficarem para trás. No entanto, ele reconhece os desafios que vêm junto com os avanços.
Segundo ele, a IA tende a substituir funções repetitivas e operacionais, o que pode gerar desemprego em determinadas áreas. “A IA otimiza processos econômicos, mas elimina muitos empregos. Ao mesmo tempo, vai gerar novas vagas — mais bem remuneradas e com maior exigência de qualificação”, avalia.
Nesse contexto, a educação e o preparo técnico da força de trabalho tornam-se cruciais. Profissionais de todas as áreas precisarão entender e lidar com ferramentas digitais e recursos automatizados para se manterem competitivos no mercado.
A urgência da regulamentação
Com o avanço acelerado da IA, cresce também a preocupação com seu uso ético, transparente e seguro. A regulamentação da inteligência artificial é um dos temas mais discutidos na Campus Party. Um projeto de lei sobre o tema está em tramitação no Congresso Nacional e promete estabelecer diretrizes para o desenvolvimento e a aplicação da tecnologia no Brasil.
Além disso, a presidência brasileira do BRICS em 2025 elegeu a IA como uma de suas prioridades, ampliando o debate para o cenário internacional. Para Francesco Farruggia, a criação de um marco regulatório sólido é indispensável para atrair investimentos e posicionar o Brasil como um polo de inovação tecnológica.
“Não dá para esperar. Se quisermos que grandes empresas e desenvolvedores tragam suas tecnologias para cá, precisamos oferecer um ambiente regulatório confiável, com regras claras”, reforça o fundador da Campus Party.
Em um cenário onde as mudanças são cada vez mais rápidas, a Campus Party mostra que tecnologia, inovação e responsabilidade caminham juntas. Mais do que um festival geek, o evento se consolida como um espaço estratégico para pensar o futuro — e construí-lo desde já.
Fonte: Agência Brasil

