A ministra do Meio Ambiente e Mudança do Clima, Marina Silva, destacou neste sábado (16) que o momento de debates e negociações internacionais já ficou para trás. Agora, segundo ela, a prioridade é a implementação dos compromissos climáticos assumidos nos últimos anos, com foco na COP30, que será realizada em novembro de 2025, em Belém, no Pará.
A declaração foi feita durante a participação no The Climate Reality Project, evento de mobilização política em ações climáticas liderado pelo ex-presidente dos Estados Unidos e ativista ambiental Al Gore, no Rio de Janeiro. Para Marina, não há mais espaço para retrocessos ou indefinições diante da gravidade da crise climática. “Agora, só tem um caminho: implementar”, disse, em resposta a jornalistas após o encontro.
Do consenso à ação prática
Marina Silva lembrou que os países já assumiram compromissos importantes em conferências anteriores, como a COP28, em Dubai, e a COP29, em Baku, no Azerbaijão. Entre eles estão:
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Mobilização de US$ 1,3 trilhão para financiamento climático.
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Triplicar a geração de energia renovável.
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Dobrar a eficiência energética.
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Avançar no abandono gradual dos combustíveis fósseis.
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Reduzir o desmatamento.
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Viabilizar recursos para o fundo de perdas e danos.
“Tudo isso já foi decidido. O desafio agora é transformar essas decisões em realidade concreta. O Acordo de Paris nos levou ao caminho das regras e da negociação. Agora precisamos de um mapa claro de implementação”, reforçou a ministra.
Emergência civilizatória
Ao falar sobre os impactos já visíveis do aquecimento global, Marina destacou que a humanidade vive uma crise civilizatória. Ela chamou atenção para o fato de que, a cada ano, 500 mil pessoas morrem em decorrência das ondas de calor. “Em dois anos, as ondas de calor matam mais pessoas do que a covid-19 matou em todo o período de pandemia”, comparou.
Para a ministra, esse dado mostra que a crise climática deixou de ser uma projeção de futuro e se tornou uma realidade presente, que ameaça a saúde pública, a economia e a sobrevivência de milhões de pessoas.
Planejamento de longo prazo
Marina Silva também apontou que o sucesso da COP30 depende de um planejamento efetivo para os próximos dez anos. O objetivo, segundo ela, é manter o aquecimento do planeta limitado a 1,5ºC acima dos níveis pré-industriais, como prevê o Acordo de Paris. “Se não formos capazes de implementar medidas rápidas e consistentes, perderemos a janela de oportunidade para frear os piores impactos”, alertou.
Povos tradicionais e recursos naturais
Outro ponto abordado pela ministra foi o debate em torno da exploração de terras raras, recursos minerais estratégicos para a transição energética, mas localizados em áreas ocupadas por povos indígenas, quilombolas e comunidades tradicionais.
Marina reafirmou seu apoio à decisão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva de vetar dispositivos da Lei nº 15.190 (resultante da mudança nas regras do licenciamento ambiental) que retiravam dessas comunidades o direito de manifestação sobre empreendimentos que afetassem seus territórios.
“A decisão do presidente Lula, de manter a palavra e respeitar o direito de consulta dessas populações, é parte fundamental da resposta que o Brasil precisa dar. Nenhuma solução técnica pode ignorar o cuidado ético com quem vive nesses territórios e ajuda a proteger os recursos naturais”, afirmou.
Para ela, o país deve apresentar na COP30 uma postura firme, que una responsabilidade ambiental com respeito social. “Não se trata apenas de atender à demanda global por minerais estratégicos, mas de ter um crivo ético pelo lado da oferta. O Brasil precisa mostrar que pode ser um exemplo de transição justa e sustentável”, acrescentou.
COP30: palco estratégico
A realização da COP30 em Belém representa, segundo especialistas, uma oportunidade única para colocar a Amazônia no centro das discussões globais sobre o clima. Para Marina, o encontro será decisivo para que o país apresente avanços concretos e mostre compromisso com a implementação de suas metas.
Com a presença de milhares de representantes de governos, sociedade civil e setor privado, a conferência será um palco estratégico para alinhar políticas públicas nacionais com os esforços internacionais, reforçando o protagonismo do Brasil no cenário climático.
“Estamos falando do futuro da humanidade. A Amazônia, o Cerrado e todos os nossos biomas são fundamentais para o equilíbrio climático do planeta. O legado que queremos deixar na COP30 é o de um Brasil que não apenas negocia, mas implementa, protege e inspira”, concluiu Marina Silva.
Fonte: Agência Brasil

