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Panmela Castro inaugura em Paris exposição que homenageia mulheres negras na luta por direitos

Mostra “Retratos Relatos: Revisitando a História” integra a Temporada Brasil-França 2025 e apresenta 15 obras inéditas que celebram a resistência feminina no Brasil, França e Senegal

27/09/2025
© Giovanna Lanna/Divulgação

© Giovanna Lanna/Divulgação

Panmela Castro leva a Paris, neste sábado (20), a exposição Retratos Relatos: Revisitando a História, uma mostra que celebra a trajetória de mulheres negras que se destacaram na defesa dos direitos femininos no Brasil, na França e no Senegal. A exibição faz parte da programação oficial da Temporada Brasil-França 2025, iniciativa que busca estreitar laços culturais entre os dois países e valorizar produções artísticas que refletem sobre identidade, resistência e memória coletiva.

A proposta da artista nasceu a partir de histórias compartilhadas por mulheres ao longo de sua trajetória. “Retratos Relatos surgiu das histórias que as mulheres contavam para mim. Comecei a transformar esses relatos em retratos, e este foi um projeto que circulou por muitos lugares do Brasil. Para a Temporada Brasil-França, escolhemos mulheres que já não estão mais vivas para contar suas histórias, mas que ainda assim são importantes de serem contadas”, destacou Panmela Castro.

Homenagem às trajetórias de resistência

A exposição reúne 15 pinturas inéditas, sob curadoria de Maybel Sulamita, que enfrentou o desafio de selecionar apenas algumas entre tantas mulheres de relevância histórica. Entre as retratadas estão a intelectual brasileira Lélia González, pioneira no pensamento sobre racismo e feminismo no país; a escritora Carolina Maria de Jesus, cuja obra revelou as dificuldades e a força da vida nas favelas brasileiras; e a cineasta senegalesa Safi Faye, referência no cinema africano e na valorização da cultura local.

“Selecionar apenas 15 mulheres para abordar questões tão profundas foi um desafio — poderiam ser muitas outras. Mas as escolhidas são especiais, porque cada uma delas construiu novas formas de resistir, e suas histórias nos levam a pensar em quantas outras mulheres negras deveriam ser reconhecidas”, explicou a curadora Maybel Sulamita.

Cada pintura busca não apenas representar visualmente as homenageadas, mas também reconstituir suas narrativas e destacar como suas vidas foram marcadas pela luta contra a opressão de gênero e raça. O projeto, portanto, é tanto uma celebração artística quanto um convite à reflexão sobre justiça social e memória histórica.

Arte como ferramenta de transformação

Reconhecida internacionalmente, Panmela Castro construiu sua carreira na fronteira entre arte e ativismo social. É fundadora da Rede NAMI, organização voltada ao empoderamento feminino por meio da arte urbana. Seus trabalhos já passaram por instituições como o Masp e a Pinacoteca de São Paulo, consolidando-a como uma das artistas brasileiras mais influentes da atualidade.

O grafite e outras expressões da arte de rua são suas principais ferramentas de diálogo com o público. Através deles, a artista promove o feminismo, defende os direitos das mulheres e denuncia a violência doméstica. Essa abordagem engajada lhe rendeu prêmios importantes, como o DVF Awards, o reconhecimento como Young Global Leader pelo Fórum Econômico Mundial e a Medalha da Ordem ao Mérito Cultural Carioca.

Para Panmela, a arte vai além da estética: é um espaço de disputa simbólica e de reconstrução de narrativas. Ao retratar mulheres que abriram caminhos, a artista reafirma a potência da criação visual como instrumento de valorização da memória coletiva e de resistência política.

Serviço

A exposição Retratos Relatos: Revisitando a História fica aberta ao público até o dia 31 de outubro, no espaço Les Jardiniers, em Montrouge, em Paris. A programação conta com atividades culturais paralelas, reforçando o objetivo da Temporada Brasil-França 2025 de promover intercâmbio artístico e diálogo intercultural.

Com essa mostra, Panmela Castro reafirma o papel da arte como meio de transformação social e dá visibilidade a vozes históricas que, apesar de silenciadas em vida, permanecem vivas na memória e na luta por igualdade.

Fonte: Agência Brasil

Tags: arte contemporâneaarte urbanaCarolina Maria de Jesusempoderamento femininofeminismoLélia Gonzalezmulheres negrasPanmela CastroRetratos RelatosSafi FayeTemporada Brasil-França 2025
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