A reabertura do Mercado São José, em Laranjeiras, zona sul do Rio de Janeiro, devolve à cidade um de seus espaços mais emblemáticos. Depois de sete anos fechado, o tradicional polo gastronômico e cultural, tombado como Patrimônio Cultural do Rio em 1994, foi reinaugurado com nova proposta, unindo história, modernidade e um leque diversificado de empreendimentos.
O empresário aposentado Luis Sérgio Santos, de 73 anos, foi um dos primeiros visitantes. Acompanhado do cachorro Zé, ele fez questão de conferir as novidades. “Antes do fechamento, o mercado tinha um estilo colonial, aconchegante, mas estava abandonado. Agora está moderno, bonito e bem estruturado. Pretendo voltar com frequência, especialmente se houver programação musical”, destacou.
Espaço revitalizado e mais seguro
A farmacêutica Luiza Gotin, de 39 anos, moradora de Laranjeiras desde 2020, também aprovou o novo espaço. “Antes, era triste ver o mercado abandonado, com moradores de rua no entorno. Agora, além de segurança, temos um local de convivência com restaurantes e atividades culturais. Foi um presente para a cidade”, disse.
O imóvel foi adquirido pela prefeitura em 2023, por R$ 3 milhões, após anos de disputas judiciais com o INSS. A gestão foi concedida à iniciativa privada por meio de chamada pública da Companhia Carioca de Parcerias e Investimentos (CCPar). O consórcio liderado pela Engeprat, com a curadoria da Junta Local, ficará responsável pelo espaço pelos próximos 25 anos. O investimento privado na revitalização chegou a R$ 10 milhões.
Novos negócios e oportunidades
Com 16 empreendimentos, o mercado reúne opções de hortifruti orgânico, queijaria, confeitaria autoral, cozinha árabe, massas artesanais, café especial, sorvetes veganos, bares e restaurantes. Para muitos, o espaço representa a chance de abrir a primeira loja física.
O restaurante Basta, especializado em massas artesanais, é um exemplo. Seu fundador, Mauricio Borges, de 28 anos, formado pela Le Cordon Bleu, abriu o negócio ao lado da sócia Ellen Gonzalez, ex-professora de gastronomia. “Estamos muito animados. A procura tem sido grande, e já contratamos mais funcionários”, contou Borges.
Outro estreante é o Rancho das Vertentes, especializado em queijos artesanais. A sócia Sandra Cardoso, de 59 anos, comemorou: “Sempre participamos de feiras, mas ter uma loja física era um sonho antigo. O movimento tem sido ótimo e estamos vendendo muito bem”.
Resgate histórico
Para o cofundador da Junta Local, Thiago Nasser, a proposta foi recuperar a essência original do espaço. “Queríamos resgatar o espírito de mercado de produtores, como em 1944, quando foi inaugurado. Hoje, já geramos cerca de 150 empregos diretos”, afirmou.
A trajetória do Mercado São José remonta ao século XIX, quando o imóvel funcionava como senzala e celeiro da antiga fazenda no Parque Guinle. Em 1944, por decisão de Getúlio Vargas, as antigas baias foram adaptadas para abastecer a população durante a Segunda Guerra Mundial.
Ao longo das décadas, o espaço passou por fases distintas: revitalizado em 1988, tornou-se reduto boêmio carioca, mas voltou a se deteriorar, sendo fechado em 2018 após retomada do imóvel pelo INSS. Agora, volta a ser símbolo de tradição e renovação.
Patrimônio e identidade carioca
Integrante de um ciclo de mercados comunitários batizados com nomes de santos — como São Sebastião, São Bento, São Rafael, São Lucas e São Paulo —, o Mercado São José é considerado patrimônio afetivo e cultural do Rio. Sua reabertura reforça a importância de preservar espaços históricos, garantindo ao mesmo tempo vitalidade econômica e cultural.
O espaço funciona de terça a domingo, das 10h às 22h, na Rua das Laranjeiras, nº 90. A expectativa é que o novo mercado se consolide como ponto de encontro entre moradores, turistas, produtores locais e amantes da boa gastronomia.
Fonte: Agência Brasil

