A educação foi o tema central do discurso do presidente Luiz Inácio Lula da Silva neste sábado (18), em São Bernardo do Campo (SP). Diante de uma plateia formada por jovens estudantes, o presidente anunciou R$ 108 milhões em investimentos para 500 cursinhos populares da Rede Nacional de Cursinhos Populares, reforçando o compromisso do governo com políticas públicas voltadas à inclusão e à igualdade de oportunidades.
“Pelo amor de Deus, agarrem essas chances com suas mãos. Nós daremos sustentação a vocês”, declarou Lula, emocionado, ao destacar que a iniciativa tem como objetivo ampliar o acesso de estudantes de baixa renda ao ensino superior por meio do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem).
Segundo o governo federal, o novo edital da Rede Nacional de Cursinhos Populares deve ser publicado nos próximos dias e servirá como suporte técnico e financeiro para instituições comunitárias e sociais que oferecem preparação pré-vestibular gratuita a alunos da rede pública em situação de vulnerabilidade.
Lula destacou que a educação é a base para romper o ciclo da pobreza e permitir que os jovens construam um futuro de independência e dignidade. “O maior sonho dos pais e das mães não é deixar riqueza material, mas ver os filhos formados, com uma profissão e autonomia na vida. Profissão é coisa sagrada. É por isso que eu aposto na educação”, afirmou.
Educação como transformação social
Durante seu discurso, Lula ressaltou que investir em educação significa investir no crescimento humano e social do país. Ele explicou que, por meio da formação profissional e acadêmica, o indivíduo adquire consciência crítica, capacitação técnica e condições para contribuir com o desenvolvimento coletivo.
O presidente também relacionou a educação à autonomia das mulheres, especialmente em situações de vulnerabilidade e violência doméstica. “A profissionalização é uma ferramenta de liberdade. Uma mulher que tem formação, que tem trabalho, tem poder de decisão sobre sua vida e sobre o seu destino”, destacou.
Reforçando sua “obsessão pela educação”, Lula afirmou que nenhum país do mundo se desenvolveu sem antes investir fortemente na formação de seu povo. “Não queremos ser apenas exportadores de soja, milho ou minério de ferro. Queremos exportar conhecimento, inteligência e valor agregado produzido pela nossa própria capacidade”, disse.
Ele também mencionou que o Brasil tem buscado parcerias com países africanos, latino-americanos e lusófonos, com o objetivo de construir uma doutrina educacional integrada, que fortaleça a soberania e a independência intelectual das nações do sul global. “Nosso sonho é que a América Latina seja independente, que nenhum presidente estrangeiro ouse falar grosso com a gente novamente”, declarou.
A importância da participação política
Outro ponto forte do discurso de Lula foi a defesa da participação política como instrumento de mudança. O presidente afirmou que, assim como a educação, a política é essencial para transformar a realidade social e garantir direitos.
“A desgraça de quem não gosta de política é que é governado por quem gosta. E se quem gosta for uma tranqueira, vocês serão governados por uma tranqueira”, ironizou, arrancando risadas e aplausos da plateia.
Lula reforçou o papel da juventude na renovação da política nacional. “Quando vocês virem que querem aprovar uma lei que dá impunidade para ladrão, não desistam. Entrem na política, porque o político bom está dentro de vocês, não está dentro deles”, afirmou, incentivando o engajamento social e o voto consciente.
Cursinhos populares como porta de entrada
O programa Rede Nacional de Cursinhos Populares já havia selecionado 384 cursinhos comunitários em seu primeiro edital, beneficiando mais de 12 mil estudantes em todas as regiões do país, com R$ 74 milhões investidos.
De acordo com o Palácio do Planalto, cada cursinho contemplado recebe até R$ 163,2 mil para custear salários de professores, coordenadores e equipes técnicas, além de oferecer um auxílio permanência de R$ 200 mensais para até 40 alunos por unidade.
Esses cursinhos, em sua maioria, realizam aulões aos sábados em universidades públicas, atendendo estudantes que trabalham durante a semana e precisam de horários flexíveis. “São espaços de esperança, onde cada jovem enxerga a chance de mudar o próprio destino”, disse Lula.
O futuro pela educação
Ao encerrar sua fala, o presidente reforçou que educação e política caminham juntas na construção de um Brasil mais justo e desenvolvido. “A educação dá consciência, e a consciência traz poder. Um povo educado não se deixa enganar, não se cala e não aceita retrocessos”, concluiu.
Com a nova rodada de investimentos, o governo pretende ampliar o alcance dos cursinhos populares e reforçar o compromisso com a democratização do ensino. O objetivo, segundo o Planalto, é garantir que mais jovens de baixa renda tenham acesso à universidade e possam construir um futuro de oportunidades e igualdade.

