O Fundo Amazônia receberá um novo impulso financeiro internacional. A Suíça anunciou, neste domingo (9), a doação de 5 milhões de francos suíços, o equivalente a R$ 33 milhões, para fortalecer as ações de combate ao desmatamento e promover o desenvolvimento sustentável na Amazônia Legal brasileira. O anúncio foi realizado pela ministra do Meio Ambiente e Mudança do Clima, Marina Silva, e pelo presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Aloizio Mercadante, durante o evento “Presença Suíça na COP30”, realizado em Belém (PA).
Criado em 2008, o Fundo Amazônia é considerado uma das principais ferramentas de financiamento ambiental do mundo. Ele apoia projetos voltados à redução do desmatamento, preservação da floresta, promoção da bioeconomia e melhoria da qualidade de vida das populações amazônicas. A gestão do fundo é feita pelo BNDES, que administra recursos provenientes de doações não reembolsáveis de governos estrangeiros e de empresas brasileiras comprometidas com a agenda climática.
A iniciativa ficou paralisada entre 2019 e 2022, durante o governo de Jair Bolsonaro, quando a política ambiental brasileira sofreu forte retração e os principais doadores, como Noruega e Alemanha, suspenderam os repasses. No entanto, o fundo foi reativado em 2023 pelo atual governo federal, retomando o diálogo internacional e a confiança dos parceiros estrangeiros. Desde então, o Fundo Amazônia vem ampliando sua carteira de projetos e recebendo novos compromissos de apoio financeiro.
De acordo com dados do BNDES, o fundo já financiou 144 projetos, beneficiando mais de 600 organizações comunitárias e cerca de 260 mil pessoas na região amazônica. As ações financiadas incluem desde o fortalecimento de sistemas de monitoramento e controle do desmatamento até o incentivo ao manejo florestal sustentável, valorização dos saberes tradicionais, inclusão produtiva de comunidades locais e apoio a povos indígenas, quilombolas e ribeirinhos.
A nova contribuição da Suíça foi anunciada em um momento simbólico. O evento em Belém ocorreu na véspera da abertura da COP30, a próxima Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima, que reunirá representantes de 194 países e da União Europeia. Essa edição do encontro climático será sediada pela primeira vez na Amazônia, o que reforça a relevância da região no debate global sobre o futuro ambiental do planeta.
A COP30 começará oficialmente nesta segunda-feira (10) e terá como um dos principais focos as Contribuições Nacionalmente Determinadas (NDCs) — compromissos assumidos por cada país para reduzir suas emissões de gases de efeito estufa. O Brasil estabeleceu a meta de diminuir entre 59% e 67% das emissões até 2035, abrangendo todos os setores da economia, desde energia e transporte até agricultura e indústria.
Até o momento, 79 países já apresentaram suas NDCs atualizadas, representando 64% das emissões globais. Outros 118 países, que somam os 36% restantes, ainda devem formalizar seus compromissos. A expectativa da comunidade internacional é que a COP30 avance em mecanismos concretos de financiamento climático, especialmente para nações em desenvolvimento, como o Brasil, que enfrentam desafios para implementar políticas ambientais de grande escala.
Para Marina Silva, o aporte suíço reforça a confiança da comunidade internacional no papel estratégico do Brasil. “A Amazônia é essencial para a estabilidade climática do planeta. O Fundo Amazônia tem se mostrado um instrumento eficiente e transparente para garantir que os recursos cheguem onde são mais necessários: nas comunidades que protegem e vivem da floresta”, afirmou a ministra.
Já o presidente do BNDES, Aloizio Mercadante, destacou que o novo aporte contribui para ampliar a capacidade de investimento do fundo e estimular novos parceiros internacionais. “O Brasil está comprometido com o desenvolvimento sustentável e com a transição ecológica. Essa doação é um reconhecimento do nosso esforço coletivo para transformar a Amazônia em um exemplo global de equilíbrio entre economia verde e preservação ambiental”, disse.
O fortalecimento do Fundo Amazônia é visto como um passo decisivo na preparação do Brasil para sediar a COP30. A conferência deverá consolidar o protagonismo do país nas negociações climáticas e ampliar o papel da Amazônia como laboratório global de soluções sustentáveis. Com o apoio da Suíça e de outros países, a expectativa é de que novas parcerias internacionais sejam anunciadas ao longo do evento, impulsionando a transição para uma economia de baixo carbono e o combate efetivo às mudanças climáticas.
Fonte: Agência Brasil

