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COP30 inaugura modelo global para acelerar ações climáticas com 120 planos e adesão recorde de países

Documento paralelo às decisões oficiais organiza iniciativas voluntárias em seis eixos estratégicos e envolve 190 nações em esforços inéditos para impulsionar a agenda climática mundial.

02/12/2025
© Rafa Neddermeyer/COP30 Brasil Amazônia/PR

© Rafa Neddermeyer/COP30 Brasil Amazônia/PR

A Agenda de Ação da COP30 foi um dos principais marcos da 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima, realizada em Belém (PA). Embora o documento oficial com 29 consensos climáticos tenha sido amplamente celebrado pelas 195 partes envolvidas, um segundo resultado — não obrigatório, mas igualmente decisivo — ganhou destaque ao final do encontro: a consolidação de um conjunto global de iniciativas destinadas a acelerar a implementação das decisões negociadas.

Segundo a coordenadora-geral da Agenda de Ação, Bruna Cerqueira, o documento final reuniu 120 planos de aceleração, articulando a participação de 190 países, cada um comprometido com pelo menos uma iniciativa. A dirigente classifica o feito como “um marco sem precedentes na governança climática internacional”, já que, pela primeira vez, ações de governos subnacionais, empresas e sociedade civil foram organizadas em uma espécie de banco global de boas práticas.

Seis eixos estratégicos para transformar decisões em realidade

Bruna explica que a estrutura da Agenda foi pensada para tornar mais claros e acessíveis os esforços climáticos. Para isso, as iniciativas foram distribuídas em seis grandes eixos:

  1. Energia, indústria e transporte

  2. Florestas, biodiversidade e oceanos

  3. Sistemas alimentares e agricultura

  4. Cidades, infraestrutura e água

  5. Desenvolvimento humano e social

  6. Financiamento, tecnologia e capacitação

A proposta é que qualquer agente — governamental, privado ou social — possa compreender rapidamente em qual dimensão sua ação se encaixa. “Não é simples para a sociedade entender um parágrafo técnico do Balanço Global. Mas energia, cidades, agricultura… isso todo mundo entende”, afirma Bruna.

Primeiros resultados já aparecem: proteção de terras ganha força

Entre os exemplos práticos que emergiram durante a COP30 está a ampliação do compromisso global de proteção de terras. A iniciativa, vinculada ao Pledge para Florestas e Posse da Terra, já existente, recebeu impulso renovado após a conferência.

O movimento não apenas atraiu a adesão de mais países, como também gerou aportes financeiros relevantes:

  • US$ 1,7 bilhão já haviam sido antecipados anteriormente;

  • Durante a COP30, foi assumida uma nova meta de US$ 1,5 bilhão a US$ 2 bilhões em recursos adicionais.

Além disso, alguns países anunciaram medidas concretas — como o Brasil, que confirmou novas terras demarcadas como parte de seu compromisso de preservação.

Doze alavancas para destravar a implementação

Depois de classificadas nos seis eixos, as iniciativas passaram por diagnósticos baseados em 12 alavancas que influenciam sua efetivação. Entre elas estão fatores como regulação territorial, demanda, aceitação pública, capacidade institucional e disponibilidade de financiamento.

O objetivo é identificar o que funciona, o que está parado e o que precisa ser destravado para acelerar a implementação. “É um olhar técnico e estratégico ao mesmo tempo, pensado para que o mundo saia do discurso e caminhe mais rápido para a prática”, explica Bruna.

A conexão com o Balanço Global

A construção dos planos utilizou como referência o Balanço Global (GST) — o mecanismo de transparência do Acordo de Paris que avalia periodicamente os avanços na redução de emissões. O primeiro GST, apresentado na COP28 em Dubai, serviu de base para orientar lacunas e oportunidades.

Para Bruna, essa conexão transformou as negociações em algo mais “palpável” para as populações. “As pessoas não vivem parágrafos de acordos, elas vivem energia, água, trabalho, alimento. A Agenda de Ação traduz o GST para o cotidiano.”

O desafio agora é o legado

Com os 120 planos estruturados e muitos deles já encaminhados, o próximo passo é garantir continuidade. A coordenação brasileira relata que a próxima presidência da conferência — compartilhada por Turquia e Austrália — já sinalizou interesse em manter e fortalecer a estrutura criada em Belém.

“O desafio agora é estabilizar esse legado, trabalhar junto aos próximos países anfitriões e manter todos os atores sentados à mesa para acelerar a implementação global”, conclui Bruna Cerqueira.

Fonte: Agência Brasil

Tags: Agenda de Açãoaquecimento globalBelémBruna CerqueiraclimaCOP30emissõesMeio AmbienteONUSustentabilidade
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