O número de ambulantes que decidiram sair da informalidade e se registrar como microempreendedores individuais (MEI) apresentou crescimento significativo nos últimos anos, consolidando uma tendência de formalização que ganha ainda mais força em períodos de grande movimentação econômica, como o Carnaval. Em 2025, o total de ambulantes formalizados como MEI cresceu 45% em relação a 2023, segundo dados do DataSebrae, sistema de informações do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae).
De acordo com o levantamento, mais de 56 mil trabalhadores que comercializam produtos nas ruas se formalizaram como MEI em 2024. O número representa um salto expressivo quando comparado aos 38 mil registros realizados em 2023 e aos 42 mil contabilizados em 2024, evidenciando uma curva ascendente na adesão ao modelo simplificado de formalização. Para o Sebrae, os dados confirmam que os ambulantes estão cada vez mais atentos às vantagens de possuir um Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ), especialmente em momentos de alta demanda, como o Carnaval.
A entidade avalia que o crescimento da formalização é estratégico tanto para os trabalhadores quanto para a economia como um todo. “Esses profissionais são essenciais para a festa, que deve movimentar cerca de R$ 18,6 bilhões neste ano. A maior festa popular do mundo é feita pelos pequenos negócios”, destacou o Sebrae em nota, ao reforçar a importância dos ambulantes para a dinâmica econômica do evento.
Os números mostram que a tendência se espalha por diferentes regiões do país, com destaque para estados que concentram grandes festas carnavalescas. Na Bahia, por exemplo, 2,9 mil ambulantes se formalizaram como MEI no ano passado, um crescimento de 39% em comparação com 2023. Já no Rio de Janeiro, o avanço foi ainda mais expressivo: 6,5 mil ambulantes aderiram ao MEI em 2024, representando um aumento de 54% em relação a dois anos antes. Em São Paulo, maior economia do país, 16 mil trabalhadores de rua se formalizaram, alta de 43% no mesmo período.
Na capital baiana, Salvador, onde o Carnaval de rua é um dos maiores do mundo, o Sebrae intensificou ações específicas durante o período da folia. A instituição realiza uma mobilização no circuito Barra-Ondina para promover empresas de micro e pequeno porte que atuam em segmentos como moda, economia criativa, alimentos e bebidas. A proposta é evidenciar que o Carnaval não é apenas uma manifestação cultural, mas também um potente espaço de geração de renda e oportunidades de negócio.
Segundo o Sebrae, os pequenos negócios têm papel praticamente dominante em setores diretamente ligados à festa. Na Bahia, eles representam 98,6% dos estabelecimentos de bares, restaurantes e alimentação fora do lar, além de 97% das empresas de transporte e receptivo turístico. No setor hoteleiro e de meios de hospedagem, os pequenos empreendimentos correspondem a 84,1% do total. Esses números ajudam a explicar por que a formalização dos ambulantes é vista como um fator-chave para a organização e o fortalecimento da economia local durante grandes eventos.
A expectativa para o Carnaval deste ano é de que mais de 1,2 milhão de turistas desembarquem em Salvador, movimentando cerca de R$ 1,8 bilhão na economia da cidade. Nesse cenário, os ambulantes formalizados tendem a se beneficiar de maior segurança jurídica, acesso a crédito, possibilidade de firmar parcerias e participação em ações institucionais promovidas por órgãos públicos e entidades de apoio.
O modelo do Microempreendedor Individual é apontado como porta de entrada para a formalização profissional no Brasil. Criado para simplificar a regularização de pequenos negócios, o MEI permite que o trabalhador tenha um CNPJ, emita notas fiscais, contribua para a Previdência Social e tenha acesso a benefícios como aposentadoria, auxílio-doença e salário-maternidade. O limite de faturamento anual é de até R$ 81 mil, e o microempreendedor pode contratar até um funcionário para auxiliá-lo nas atividades.
Para o Sebrae, a formalização também contribui para melhorar a gestão dos negócios e ampliar a competitividade dos ambulantes. Com acesso a capacitações, orientações técnicas e programas de apoio, esses trabalhadores conseguem planejar melhor suas vendas, controlar receitas e despesas e se preparar para períodos de grande demanda, como o Carnaval, festas juninas e grandes eventos esportivos e culturais.
A entidade destaca ainda que o avanço do MEI entre os ambulantes reflete uma mudança de mentalidade. Cada vez mais, esses profissionais passam a se reconhecer como empreendedores, conscientes de seu papel na economia e da importância de atuar dentro da legalidade. Em um país marcado pela força da economia popular, a formalização dos ambulantes surge como um passo decisivo para transformar oportunidades sazonais em negócios sustentáveis ao longo de todo o ano.
Fonte : Agência Brasil

