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Restauração genética acelera recuperação da Mata Atlântica e fortalece florestas contra mudanças climáticas

Mapeamento de espécies nativas reduz em até 50% o tempo de crescimento e aponta novo modelo de desenvolvimento sustentável no bioma

26/02/2026
© Symbiosis/Divugação

© Symbiosis/Divugação

Uma iniciativa inovadora de restauração ambiental na Mata Atlântica, conduzida pela empresa brasileira Symbiosis, vem apresentando resultados expressivos na recuperação do bioma. Com base em mapeamento genético de espécies nativas, o projeto conseguiu reduzir em até 50% o tempo de crescimento das árvores plantadas, além de estruturar florestas produtivas mais resilientes às mudanças climáticas.

O trabalho integra uma estratégia iniciada em 2014, quando a empresa passou a coletar material genético e identificar indivíduos com maior potencial de conservação dentro de cada espécie analisada. A proposta foi selecionar matrizes que sobreviveram a séculos de exploração florestal e que, por isso, carregam características adaptativas valiosas para enfrentar cenários ambientais adversos.

Segundo a supervisora de melhoramento genético, pesquisa e desenvolvimento da Symbiosis, Laura Guimarães, a escolha criteriosa das matrizes foi determinante para os resultados alcançados. “Ao identificar indivíduos mais adaptados e resilientes, favorecemos a recomposição de populações mais estáveis e preparadas para enfrentar desafios como déficit hídrico e oscilações climáticas”, explica.

A iniciativa já permitiu a recuperação de aproximadamente mil hectares do bioma, a partir da seleção genética de 45 espécies nativas. Entre elas estão exemplares emblemáticos como jacarandá, jequitibá, ipês e angicos, escolhidos não apenas pelo valor ecológico, mas também pela capacidade de adaptação a diferentes condições de solo e clima.

De acordo com o gerente do viveiro de mudas da Symbiosis, Mickael Mello, muitas das matrizes selecionadas são centenárias. “Essas árvores sobreviveram ao processo histórico de exploração da Mata Atlântica e carregam uma genética extremamente adaptada. Isso faz toda a diferença no sucesso do reflorestamento”, afirma.

Além da seleção dos indivíduos mais robustos, o projeto estruturou as novas florestas com foco na variabilidade genética. A diversidade é vista como elemento-chave para reduzir riscos associados à homogeneização, que pode comprometer a capacidade de adaptação a longo prazo.

Impactos ambientais e sociais

Originalmente, a Mata Atlântica cobria cerca de 130 milhões de hectares do território brasileiro — área equivalente ao tamanho de países como o Peru. Atualmente, restam aproximadamente 24% dessa cobertura, mas apenas 12,4% correspondem a florestas maduras e bem preservadas, distribuídas de forma fragmentada em 17 estados.

Para o gerente de Restauração Florestal da Fundação SOS Mata Atlântica, Rafael Bitante Fernandes, a fragmentação compromete a variabilidade genética das espécies e enfraquece sua capacidade adaptativa. “Populações menores tornam-se mais vulneráveis a eventos extremos, como secas prolongadas e chuvas intensas, o que pode levar ao declínio progressivo dessas áreas”, analisa.

A perda de diversidade impacta diretamente a vida da população. Ecossistemas equilibrados garantem serviços ambientais essenciais, como abastecimento de água, regulação do clima, qualidade do ar, controle de doenças e produtividade agrícola. A redução desses serviços está associada ao aumento de eventos climáticos extremos, incluindo enchentes, enxurradas e períodos de escassez hídrica.

Novo posicionamento do setor privado

Diante desse cenário, empresas privadas passaram a enxergar a restauração florestal não apenas como ação filantrópica, mas como investimento estratégico. Modelos de manejo sustentável permitem exploração permanente de produtos madeireiros sem a prática de corte raso, mantendo a floresta em pé e garantindo o sequestro de carbono.

Além da madeira, há potencial para aproveitamento de subprodutos como óleos, essências e frutos nativos. Em alguns casos, projetos de restauração estão associados à proteção de mananciais que abastecem hidrelétricas, contribuindo para maior segurança hídrica e longevidade dos empreendimentos.

Esse movimento se conecta ao Pacto pela Restauração da Mata Atlântica, criado em 2009 com a meta de recuperar 15 milhões de hectares do bioma até 2050. A restauração florestal, nesse contexto, é entendida como ação intencional, baseada em planejamento técnico e científico.

Estudos indicam que, entre 1993 e 2022, 4,9 milhões de hectares entraram em processo de regeneração natural. No mesmo período, 1,1 milhão de hectares foram novamente desmatados, enquanto 3,8 milhões permaneceram preservados.

Desafios e perspectivas

Apesar dos avanços, especialistas alertam que ainda é necessário ampliar políticas públicas de incentivo, incluindo pagamento por serviços ambientais, mecanismos de comando e controle e estímulos financeiros para proprietários rurais — especialmente porque cerca de 90% do território da Mata Atlântica está em áreas privadas.

A expectativa, no entanto, é de que os benefícios superem os desafios. A restauração pode gerar emprego e renda em larga escala. Estimativas apontam que, a cada dois campos de futebol restaurados, é possível criar um posto de trabalho. Considerando a meta de 15 milhões de hectares, o impacto social pode ser significativo.

O avanço alcançado com o mapeamento genético demonstra que ciência, inovação e gestão estratégica podem transformar a recuperação ambiental em vetor de desenvolvimento sustentável. Ao acelerar o crescimento das espécies e fortalecer a resiliência das florestas, o modelo adotado pela Symbiosis reforça o protagonismo brasileiro na agenda global de restauração ecológica.

Fonte : Agência Brasil

Tags: #BiodiversidadeFundação SOS Mata AtlânticaMata AtlânticaMeio Ambientemudanças climáticasreflorestamentorestauração florestalSustentabilidadeSymbiosis
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