A riqueza ambiental brasileira ganhou destaque no cenário internacional com a abertura da exposição Tesouros Verdes do Brasil – Diversidade Tropical sob a Proteção dos Parques Nacionais, realizada no Centro de Visitantes do Parque Nacional da Floresta Negra, na Alemanha. A mostra teve início em 19 de março e deve permanecer em cartaz por cerca de seis meses, apresentando ao público europeu a diversidade de dois importantes biomas brasileiros: a Amazônia e a Mata Atlântica.
A exposição reúne imagens, produções artísticas e materiais educativos que retratam o Parque Nacional do Itatiaia, localizado na região Sudeste, e o Parque Nacional do Pico da Neblina, situado no Norte do país. A iniciativa busca ampliar a visibilidade internacional dessas unidades de conservação e promover o intercâmbio de experiências entre Brasil e Alemanha na área de preservação ambiental.
Mais do que uma vitrine da biodiversidade, a mostra também representa uma oportunidade estratégica de fortalecimento das relações institucionais entre os dois países. A parceria foi firmada durante a COP30, realizada em Belém, no Pará, em 2025, e tem como objetivo fomentar ações conjuntas voltadas à gestão sustentável de áreas protegidas.
Para o chefe do Parque Nacional do Pico da Neblina, Cassiano Augusto Ferreira Rodrigues Gatto, a cooperação entre Brasil e Alemanha se baseia em uma tradição de diálogo diplomático consistente, o que favorece iniciativas como essa. Segundo ele, a exposição abre caminho para novas parcerias, especialmente nas áreas de pesquisa científica e turismo de base comunitária.
Um dos focos dessa colaboração envolve o trabalho com comunidades indígenas que vivem na região do parque amazônico, como os Yanomami. Essas populações ocupam uma parcela significativa do território e participam ativamente das decisões relacionadas à preservação ambiental. A gestão do parque, nesse contexto, depende de acordos e da atuação conjunta com instituições como a Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai) e órgãos de saúde indígena.
A cooperação internacional também pode trazer avanços importantes no monitoramento ambiental. O Parque Nacional da Floresta Negra, na Alemanha, é referência nesse tipo de atividade, contando com centenas de estações de monitoramento em uma área relativamente pequena. Em contraste, o Parque Nacional do Pico da Neblina, apesar de sua vasta extensão, ainda carece de infraestrutura semelhante.
A expectativa é que, por meio dessa parceria, o Brasil possa incorporar novas tecnologias e metodologias para acompanhar a fauna e a flora, especialmente espécies ameaçadas. Ao mesmo tempo, o intercâmbio de conhecimentos deve beneficiar os alemães, que podem aprender com a experiência brasileira na integração entre conservação ambiental e saberes tradicionais.
Outro destaque da exposição é a valorização da educação ambiental e da inclusão social. O Parque Nacional do Itatiaia levou à Alemanha desenhos produzidos por crianças da rede pública que participam de programas educativos desenvolvidos na região. As obras expressam, de forma sensível, a relação desses jovens com a natureza e reforçam a importância da conscientização desde a infância.
Além disso, a mostra também inclui trabalhos de pessoas com deficiência intelectual atendidas pela Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (APAE), evidenciando o compromisso com a acessibilidade e a democratização do acesso às experiências ambientais. A proposta é que iniciativas semelhantes sejam realizadas também na Alemanha, promovendo uma troca cultural entre os dois países.
A participação de comunidades indígenas também marca presença na exposição, com produções de crianças Yanomami que vivem no entorno do Pico da Neblina. Esses trabalhos trazem perspectivas únicas sobre a relação entre ser humano e natureza, destacando a importância do conhecimento tradicional na preservação dos ecossistemas.
A mostra também chama atenção para os desafios globais relacionados às mudanças climáticas. A redução dos dias de neve na Alemanha, o aumento de incêndios florestais e a proliferação de pragas são exemplos de impactos ambientais que afetam diferentes regiões do mundo. Nesse contexto, o intercâmbio de experiências entre países torna-se fundamental para o desenvolvimento de estratégias eficazes de mitigação.
O Brasil, por exemplo, possui expertise no manejo integrado do fogo, uma prática que pode contribuir para o controle de incêndios em outros países. Por outro lado, os alemães se destacam no monitoramento ambiental, oferecendo modelos que podem ser adaptados à realidade brasileira.
Criado em 1937, o Parque Nacional do Itatiaia é o mais antigo do Brasil e referência em pesquisa científica, recebendo milhares de estudantes e pesquisadores todos os anos. Já o Parque Nacional do Pico da Neblina abriga o ponto mais alto do país, com mais de 3 mil metros de altitude, e é um dos principais símbolos da biodiversidade amazônica.
A exposição na Alemanha reforça o papel estratégico dessas unidades de conservação no cenário global. Ao promover o diálogo entre culturas, ciência e sustentabilidade, a iniciativa contribui para fortalecer a consciência ambiental e ampliar o compromisso coletivo com a preservação dos recursos naturais.
Fonte : Agência Brasil

