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Rio fecha acordo com Petrobras e Naturgy para reduzir preço do GNV e gás residencial

Medida deve beneficiar cerca de 1,5 milhão de motoristas e prevê queda no custo do gás natural para indústrias e consumidores residenciais

22/05/2026
© Rovena Rosa/Agência Brasil

© Rovena Rosa/Agência Brasil

O governo do estado do Rio de Janeiro anunciou um acordo com a Petrobras e a concessionária Naturgy para reduzir os preços do gás natural veicular (GNV), do gás residencial e também do combustível utilizado pelas indústrias fluminenses. A expectativa é de que a medida provoque uma redução média de aproximadamente 6,5% no valor do GNV, beneficiando diretamente cerca de 1,5 milhão de motoristas que utilizam veículos movidos a gás no estado.

A iniciativa surge em um momento de instabilidade internacional no mercado de energia e reforça a estratégia do estado de utilizar sua posição de destaque na produção nacional de gás natural para estimular políticas públicas voltadas à redução de custos energéticos.

Segundo o governo fluminense, o percentual exato da redução ainda será calculado pela Naturgy, considerando fatores técnicos e operacionais relacionados ao fornecimento do combustível. Após a conclusão das contas, os valores serão encaminhados para validação da Agência Reguladora de Energia e Saneamento Básico do Estado do Rio de Janeiro (Agenersa), responsável pela aprovação final da nova tarifa.

Somente depois dessa análise regulatória os novos preços poderão entrar oficialmente em vigor.

Além do impacto esperado no GNV, o acordo também prevê redução de aproximadamente 6% no gás fornecido às indústrias e uma queda média de 2,5% no valor do gás residencial utilizado pela população.

O governo informou ainda que o aditivo contratual firmado entre Petrobras e Naturgy já foi homologado pela Agenersa na última quinta-feira (14), e os detalhes completos deverão ser publicados no Diário Oficial do Estado nos próximos dias.

Política energética e impacto econômico

De acordo com a Secretaria de Estado de Energia e Economia do Mar, que participou da mediação do acordo entre Petrobras e Naturgy, a redução dos preços possui potencial estratégico para estimular a economia estadual.

A pasta destaca que o Rio de Janeiro ocupa posição privilegiada no setor energético nacional por concentrar as maiores bacias produtoras de gás natural do país e por possuir um mercado consolidado de veículos movidos a GNV.

Atualmente, o estado é considerado o principal polo consumidor de gás natural veicular do Brasil. Entre os fatores que ajudam a explicar esse cenário estão incentivos estaduais, como descontos no Imposto sobre a Propriedade de Veículos Automotores (IPVA) para carros convertidos para gás.

Dados da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) mostram que o Rio de Janeiro respondeu por 76,90% de toda a produção nacional de gás natural em 2025, consolidando sua liderança no setor.

Especialistas avaliam que a redução no custo do combustível pode gerar impactos positivos não apenas para motoristas particulares, mas também para categorias profissionais que dependem intensamente do GNV, como taxistas, motoristas de aplicativo e empresas de transporte.

Indústrias também devem ser beneficiadas

O acordo também traz expectativas positivas para o setor industrial fluminense. A estimativa é que a redução de aproximadamente 6% no custo do gás natural contribua para diminuir despesas operacionais em diversos segmentos produtivos.

A indústria utiliza o gás natural tanto como combustível quanto como matéria-prima em processos industriais, especialmente em setores químicos, metalúrgicos e de fertilizantes.

Para empresários e entidades industriais, a redução pode representar maior competitividade e estímulo à produção, principalmente em um cenário de alta internacional dos combustíveis fósseis.

Mercado internacional pressiona derivados do petróleo

A decisão do governo do Rio acontece em meio à escalada dos preços internacionais do petróleo provocada pela guerra envolvendo o Irã e países aliados aos Estados Unidos e Israel.

O conflito elevou a tensão no Estreito de Ormuz, rota marítima considerada estratégica para o transporte mundial de petróleo e gás natural. Antes do agravamento da crise, cerca de 20% da produção global passava pela região.

Como resposta aos ataques militares, o Irã promoveu bloqueios parciais na área, afetando a logística global do petróleo e provocando forte aumento no preço do barril no mercado internacional.

Nas últimas semanas, o petróleo acumulou alta superior a 40%, refletindo diretamente no valor de derivados como gasolina e óleo diesel em vários países, inclusive no Brasil.

Apesar disso, o GNV apresentou comportamento diferente.

Segundo dados do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), enquanto a gasolina subiu 1,86% em abril, o gás natural veicular registrou queda de 1,24% no mesmo período.

De acordo com o analista do IBGE Fernando Gonçalves, isso ocorre porque o GNV possui menor dependência das importações internacionais em comparação a outros combustíveis derivados do petróleo.

Aumento da produção ajuda a reduzir preços

A presidente da Petrobras, Magda Chambriard, vem defendendo desde 2024 a ampliação da produção nacional de gás natural como principal estratégia para baratear o combustível no país.

Durante apresentação recente do balanço trimestral da estatal, a executiva destacou que a oferta de gás colocada no mercado brasileiro praticamente dobrou nos últimos dois anos.

Segundo ela, a Petrobras fornecia cerca de 29 milhões de metros cúbicos de gás por dia quando assumiu a presidência da empresa. Atualmente, o volume já varia entre 50 e 52 milhões de metros cúbicos diários.

“O aumento da oferta naturalmente reduz os preços”, afirmou a presidente da estatal ao comentar a estratégia energética da companhia.

Gás natural e fertilizantes

A redução do preço do gás também tem impacto direto na produção nacional de fertilizantes, setor considerado estratégico para o agronegócio brasileiro.

Recentemente, a Petrobras confirmou a reativação da fábrica de fertilizantes em Camaçari, na Bahia, favorecida justamente pela redução no custo do gás natural, principal matéria-prima utilizada na produção de ureia.

Atualmente, a estatal opera fábricas de fertilizantes em Sergipe, Bahia e Paraná e projeta atender cerca de 20% da demanda nacional.

Além disso, a companhia mantém obras da Unidade de Fertilizantes Nitrogenados III (UFN-III), em Três Lagoas, no Mato Grosso do Sul, com previsão de operação comercial em 2029.

O Brasil ainda depende fortemente da importação de fertilizantes, adquirindo cerca de 80% do volume consumido internamente. Por isso, especialistas avaliam que a ampliação da produção nacional pode contribuir para reduzir custos no setor agrícola e aumentar a segurança alimentar do país.

A expectativa do governo fluminense é que o acordo firmado entre Petrobras, Naturgy e o estado sirva como exemplo de política energética regional capaz de estimular desenvolvimento econômico, aliviar despesas da população e fortalecer setores estratégicos da economia.

Fonte : Agência Brasil

Tags: Agenersacombustíveleconomiagás de cozinhagás naturalGNVindústriaNaturgyPetrobrasRio de Janeiro
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