Visita à Casa Restaura-me reuniu entrega de cestas básicas, diálogo e incentivo à participação da sociedade no trabalho de acolhimento e reconstrução da dignidade de pessoas em situação de rua
Aliança de Misericórdia em Manaus recebeu uma ação de solidariedade do Grupo Engenho, que visitou a instituição para entregar cestas básicas e, principalmente, conhecer mais de perto o trabalho desenvolvido com pessoas em situação de rua. A iniciativa transformou uma doação de alimentos em um momento de aproximação, escuta e reflexão sobre as diferentes maneiras pelas quais a sociedade pode contribuir para reconstruir histórias.
A visita contou com a participação de Rogério Perdiz, que destacou que ajudar uma instituição social não significa necessariamente contribuir apenas com dinheiro ou mantimentos. Tempo, presença, dedicação e disposição para conhecer a realidade de quem precisa também podem fazer diferença.
Durante a visita, Perdiz chamou atenção justamente para essa dimensão da solidariedade.
“Às vezes não é com mantimento, às vezes não é com recurso, às vezes é com tempo, dedicação”, afirmou no vídeo que registrou a ação.
A mensagem sintetiza uma experiência que ultrapassou a entrega das cestas básicas. O grupo teve contato com atividades desenvolvidas pela instituição e com pessoas que estão percorrendo caminhos de reconstrução pessoal e social.
Uma casa dedicada à restauração de vidas
A Casa Restaura-me integra o trabalho social da Aliança de Misericórdia voltado à população em situação de rua. Segundo informações oficiais da própria instituição, os Núcleos de Convivência oferecem alimentação e condições para higiene pessoal, além de atendimentos sociais, jurídicos, psicológicos e médicos realizados por meio de voluntários e parcerias.
O trabalho também contempla atividades esportivas, culturais, lúdicas e pedagógicas, além de iniciativas voltadas à formação e à autonomia das pessoas atendidas. O objetivo é ir além das necessidades imediatas e criar vínculos capazes de contribuir para um processo mais amplo de reconstrução da dignidade e da própria trajetória de vida.
Em Manaus, a Casa Restaura-me funciona na Avenida Constantino Nery, 1029, no bairro São Geraldo / Presidente Vargas, em Manaus. A presença da Aliança de Misericórdia na capital amazonense integra uma atuação social que procura oferecer atendimento humano e acompanhamento às pessoas que enfrentam situações de vulnerabilidade.
“A gente acredita na transformação de todo ser humano”
Durante a visita do Grupo Engenho, Adriele Carvalho, coordenadora da Aliança de Misericórdia em Manaus, explicou aos participantes a essência do trabalho desenvolvido pela instituição. A identificação de Adriele como coordenadora também aparece em registros públicos relacionados à atuação da entidade em Manaus.
No depoimento registrado em vídeo, ela ressaltou que o trabalho é desenvolvido com pessoas em situação de rua e parte da convicção de que é possível reconstruir histórias.
“A gente acredita na transformação de todo ser humano. A gente acredita que Deus pode restaurar a dignidade”, afirmou Adriele.
Ela também destacou que iniciativas como a realizada pelo Grupo Engenho são importantes para dar continuidade às atividades.
A relação entre o grupo e a instituição, conforme relatado durante a visita, não começou agora. Segundo Adriele, a parceria existe há algum tempo e outras ações de apoio já foram realizadas.
“Não é só a primeira vez que o Grupo Engenho nos ajuda. Essa parceria já vem de muito tempo”, afirmou.
Para a coordenadora, projetos sociais podem nascer de um sonho e de uma missão, mas precisam da participação de outras pessoas para continuar existindo e alcançando quem necessita de apoio.
“A gente tem um sonho, mas o sonho só pode ser consolidado, realizado, através de pessoas que podem ajudar”, completou.
Uma cesta básica pode ser o começo
As cestas básicas entregues pelo Grupo Engenho representam uma contribuição concreta para a instituição. Mas a própria experiência vivenciada durante a visita levou os participantes a uma reflexão mais ampla sobre o significado de solidariedade.
Na mensagem publicada junto ao vídeo da ação, o grupo destacou que cada cesta representa alimento à mesa, mas que a visita proporcionou também histórias, aprendizado e a percepção de que reconstruir uma vida exige acolhimento, perseverança e pessoas dispostas a caminhar juntas.
A publicação resume essa percepção ao afirmar que “a solidariedade começa na doação, mas ganha verdadeiro sentido quando nos aproximamos, escutamos e compreendemos a realidade do outro”.
Essa aproximação é particularmente importante no trabalho com pessoas em situação de rua.
De acordo com a Aliança de Misericórdia, o atendimento da Casa Restaura-me procura justamente estabelecer vínculos de confiança e respeito por meio da atenção individual e da escuta. A partir desse contato, podem surgir caminhos para acesso a documentos, serviços públicos, benefícios, cuidados de saúde, capacitação profissional e outras possibilidades de reconstrução da autonomia.
Solidariedade também é presença
Ao final da visita, Rogério Perdiz deixou um convite para que outras pessoas conheçam a instituição.
“Venha fazer o bem também aqui na Aliança de Misericórdia. Venha conhecer a instituição, faça sua doação, ajude”, disse.
O chamado reforça uma das principais mensagens deixadas pela ação: não existe apenas uma maneira de ajudar.
Para algumas pessoas, a contribuição pode chegar em forma de alimentos. Para outras, pode ser uma doação financeira. Há ainda quem possa oferecer conhecimento profissional, trabalho voluntário, divulgação ou simplesmente algumas horas para estar presente e ouvir.
A própria história da Casa Restaura-me demonstra a importância dessa rede. A instituição informa que diversos atendimentos especializados são viabilizados por voluntários e parceiros, mostrando como a mobilização coletiva pode ampliar a capacidade de acolhimento.
A Aliança de Misericórdia nasceu em São Paulo no ano 2000 e hoje mantém diferentes frentes de atuação social e evangelizadora. Em Manaus, o projeto Casa Restaura-me tornou-se uma das expressões desse trabalho junto à população em situação de rua.
Mais do que registrar a entrega de cestas básicas, a visita do Grupo Engenho deixa uma mensagem que merece continuar circulando: fazer o bem também significa estar perto.
Quando empresas, instituições, voluntários e cidadãos decidem conhecer uma realidade antes distante, a solidariedade deixa de ser apenas um gesto pontual e passa a criar vínculos.
Foi justamente essa a mensagem compartilhada pelo Grupo Engenho após a experiência: continuar ajudando não apenas com aquilo que se tem, mas também com a própria presença.
E talvez esteja aí uma das formas mais simples — e ao mesmo tempo mais poderosas — de transformar solidariedade em esperança.

