Pela primeira vez na Região Norte, evento reúne pesquisadores, profissionais e estudantes de todo o Brasil para discutir preservação histórica, soberania digital, garantia de direitos e valorização da identidade amazônica.
Manaus (AM), 27 de outubro de 2026 – O Congresso Nacional de Arquivologia em Manaus marca um momento histórico para a Amazônia e para os profissionais que atuam na preservação da memória brasileira. Pela primeira vez, a Região Norte recebe um dos principais encontros nacionais dedicados à gestão documental, ao patrimônio histórico e aos desafios da informação na era digital.
Em sua 11ª edição, o Congresso Nacional de Arquivologia (XI CNA) acontece entre os dias 26 e 30 de outubro, reunindo pesquisadores, professores, estudantes, arquivistas, gestores públicos e representantes de instituições de diferentes regiões do país.
Com o tema “Arquivos e Amazônia: sustentabilidade, soberania e diversidade na era dos documentos digitais”, o evento coloca a capital amazonense no centro das discussões sobre o futuro dos arquivos e a importância da preservação documental para a sociedade.
A programação acontece no Manaus Plaza Shopping & Centro de Convenções, localizado na avenida Djalma Batista, bairro Chapada, zona Centro-Sul de Manaus.
Além do intercâmbio de conhecimentos, o congresso representa uma oportunidade de ampliar a visibilidade da produção científica amazônica e fortalecer o reconhecimento dos profissionais responsáveis por organizar, preservar e garantir o acesso às informações.
Amazônia ganha protagonismo no cenário científico nacional
A realização do Congresso Nacional de Arquivologia em Manaus representa mais do que uma mudança de localização. Simboliza o reconhecimento da importância da Região Norte para o desenvolvimento científico, cultural e tecnológico do Brasil.
Historicamente concentrados em outras regiões brasileiras, grandes encontros nacionais passam a abrir espaço para a participação de pesquisadores e profissionais da Amazônia, valorizando conhecimentos produzidos fora dos tradicionais centros acadêmicos do país.
A escolha da capital amazonense contribui para aproximar instituições que trabalham com documentos históricos, arquivos públicos, centros de pesquisa e universidades.
O encontro também oferece um ambiente de reflexão sobre os desafios enfrentados pelas instituições amazônicas, especialmente em relação à preservação de acervos, à infraestrutura tecnológica e à formação de profissionais especializados.
Em uma região marcada pela diversidade de povos, culturas e territórios, preservar documentos significa também proteger conhecimentos, tradições e registros fundamentais para compreender a formação histórica da Amazônia, assegurar direitos, promover a justiça social e fortalecer a cidadania.
A preservação documental contribui para o reconhecimento da identidade dos povos indígenas, das comunidades ribeirinhas e das populações tradicionais, permitindo que suas histórias sejam valorizadas e que seus registros possam servir como instrumentos de acesso à informação, defesa de direitos, inclusão social e fortalecimento da memória coletiva.
Preservação documental é instrumento de cidadania e justiça social
A importância da Arquivologia vai muito além da organização de documentos, fotografias ou registros históricos.
A área desempenha uma função essencial na defesa dos direitos individuais e coletivos, na transparência das instituições e no fortalecimento da democracia.
Documentos são instrumentos fundamentais para comprovar a identidade de uma pessoa, assegurar benefícios sociais, reconhecer vínculos de trabalho, demonstrar a posse de propriedades e garantir o acesso a serviços públicos.
A ausência desses registros, ou a dificuldade de encontrá-los, pode comprometer o exercício de direitos básicos e aprofundar desigualdades sociais.
Por isso, a organização e a preservação adequada dos arquivos possuem uma dimensão diretamente relacionada à justiça social.
Na Amazônia, essa realidade é particularmente importante para comunidades que enfrentam dificuldades geográficas, sociais e institucionais de acesso aos serviços públicos.
Registros históricos, documentos territoriais e acervos administrativos podem contribuir para a defesa de direitos coletivos, para o reconhecimento de comunidades tradicionais e para a construção de políticas públicas mais inclusivas.
A preservação desses documentos também permite que diferentes grupos sociais tenham suas histórias reconhecidas, evitando que experiências e contribuições importantes sejam apagadas da memória coletiva.
Preservar a memória, portanto, não significa apenas proteger o passado. Significa também oferecer instrumentos para garantir direitos no presente e construir uma sociedade mais justa no futuro.
Soberania digital e tecnologia estão entre os desafios do congresso
A transformação digital ocupa posição de destaque nas discussões do XI Congresso Nacional de Arquivologia.
Com o crescimento dos serviços eletrônicos, das plataformas digitais e da produção de documentos em ambientes virtuais, surgem novos desafios para garantir que as informações sejam preservadas com segurança e permaneçam acessíveis ao longo dos anos.
Diferentemente dos documentos físicos, os registros digitais dependem de tecnologias, sistemas, formatos e políticas de preservação que precisam acompanhar constantes mudanças.
Entre as preocupações estão os riscos de perda de arquivos, ataques cibernéticos, dificuldades de acesso e dependência de tecnologias que podem se tornar obsoletas.
Nesse cenário, a soberania digital ganha relevância ao tratar da capacidade de instituições e sociedades administrarem, protegerem e tomarem decisões sobre suas próprias informações.
Para a Amazônia, essa discussão possui uma importância estratégica.
Os documentos que registram a história dos povos, dos territórios e das instituições regionais constituem um patrimônio informacional que precisa ser protegido.
A soberania digital também está relacionada à capacidade de preservar esses registros sem comprometer a autonomia das instituições responsáveis por sua guarda e gestão.
Assim, a tecnologia deve ser compreendida não apenas como uma ferramenta de modernização, mas também como um instrumento para ampliar o acesso à informação, proteger direitos e preservar a memória das futuras gerações.
Universidade Federal do Amazonas fortalece participação acadêmica
A realização do congresso em Manaus representa um momento importante para a comunidade acadêmica da Universidade Federal do Amazonas (UFAM), especialmente para professores e estudantes do curso de Arquivologia.
Receber um encontro nacional dessa dimensão proporciona oportunidades de atualização profissional, ampliação de conhecimentos e contato direto com pesquisadores de diferentes instituições brasileiras.
Para os estudantes, a experiência permite conhecer novas áreas de atuação e compreender melhor a importância da profissão diante das transformações tecnológicas e sociais.
A participação em conferências, oficinas, debates e apresentações científicas também contribui para fortalecer a formação acadêmica e estimular o desenvolvimento de novas pesquisas.
Outro aspecto relevante é a valorização dos profissionais da Região Norte, que passam a ter maior visibilidade em um ambiente nacional de troca de conhecimentos e experiências.
A aproximação entre universidades, arquivos públicos e instituições de pesquisa pode favorecer futuras parcerias e iniciativas voltadas à preservação do patrimônio documental amazônico.
O congresso também reforça a necessidade de investimentos na formação de profissionais capazes de atuar tanto na gestão de documentos físicos quanto na preservação de acervos digitais.
Congresso discute seis áreas fundamentais da Arquivologia
A programação do XI Congresso Nacional de Arquivologia está estruturada em seis eixos temáticos que refletem os principais desafios e perspectivas da profissão no Brasil.
Entre os assuntos abordados estão:
- Soberania informacional e tecnológica: proteção, autonomia e segurança das informações na sociedade digital.
- Sustentabilidade dos arquivos no Brasil: desafios para garantir a preservação dos acervos e a continuidade das instituições arquivísticas.
- Patrimônio, memória e territórios: valorização da diversidade cultural, da história dos povos e dos registros que representam diferentes realidades brasileiras.
- Ética, responsabilidade social e políticas públicas: o papel dos arquivos na transparência, na cidadania, na garantia de direitos e na promoção da justiça social.
- Formação e competências profissionais: preparação dos arquivistas para os desafios contemporâneos da gestão da informação.
- Gestão de documentos arquivísticos: desenvolvimento de métodos e práticas para organização, preservação e acesso aos registros documentais.
Ao longo dos cinco dias, o evento reúne atividades acadêmicas, conferências, apresentações de pesquisas, lançamentos de livros e encontros entre profissionais.
Os debates demonstram que a Arquivologia possui uma função que ultrapassa os limites das instituições arquivísticas, alcançando áreas como educação, cultura, administração pública, tecnologia e direitos humanos.
Manaus amplia visibilidade como destino de eventos científicos
Além da relevância acadêmica, a realização do congresso proporciona uma oportunidade de apresentar Manaus aos profissionais e pesquisadores que chegam de diferentes partes do Brasil.
Conhecida por sua riqueza cultural, gastronomia regional, patrimônio histórico e proximidade com a natureza amazônica, a capital amazonense oferece aos visitantes experiências que vão além da programação científica.
A realização de encontros nacionais também pode beneficiar setores como hotelaria, alimentação, transporte e serviços turísticos.
Outro resultado importante é o fortalecimento da imagem de Manaus como destino para congressos, seminários e eventos científicos.
Ao reunir especialistas e instituições, a cidade demonstra sua capacidade de participar de discussões nacionais sobre conhecimento, inovação, sustentabilidade e preservação cultural.
Esse protagonismo é especialmente significativo para uma região que, apesar de sua importância ambiental, histórica e cultural, ainda enfrenta desafios relacionados à visibilidade de sua produção científica.
Preservar a memória é construir uma sociedade mais justa
O XI Congresso Nacional de Arquivologia deixa uma reflexão que vai além das discussões técnicas: uma sociedade que preserva seus documentos também fortalece sua capacidade de reconhecer a própria história e garantir direitos.
Os arquivos possuem um papel essencial na construção da memória coletiva, na transparência das instituições e na proteção de informações que podem ser decisivas para a vida das pessoas.
Na Amazônia, onde convivem diferentes povos, culturas e formas de organização social, preservar registros históricos significa também reconhecer identidades, proteger direitos e valorizar as experiências das comunidades que ajudam a construir a região.
Garantir o acesso a esses documentos é uma forma de combater desigualdades, promover inclusão e fortalecer a participação da sociedade nas decisões que afetam seu futuro.
Ao sediar pela primeira vez o Congresso Nacional de Arquivologia, Manaus amplia sua participação nas discussões sobre o futuro da informação e reafirma a importância da Amazônia na construção do conhecimento brasileiro.
O encontro representa ainda uma oportunidade de incentivar novas pesquisas, fortalecer instituições e despertar na sociedade a consciência de que a memória é um patrimônio coletivo.
Mais do que guardar documentos, preservar arquivos é proteger histórias, assegurar direitos, promover justiça social e garantir que as futuras gerações tenham acesso às informações necessárias para compreender seu passado e construir seu próprio futuro.
E, ao receber esse importante encontro nacional, Manaus mostra que a Amazônia não é apenas um território a ser estudado, mas também um espaço de produção de conhecimento, valorização da diversidade e construção de uma sociedade mais inclusiva.
Serviço
Evento: XI Congresso Nacional de Arquivologia (XI CNA)
Data: 26 a 30 de outubro de 2026
Local: Manaus Plaza Shopping & Centro de Convenções
Endereço: Avenida Djalma Batista, 2100, bairro Chapada, Manaus (AM)
Tema: Arquivos e Amazônia: sustentabilidade, soberania e diversidade na era dos documentos digitais
Informações e programação: https://fnarq.com.br/xi-cna-2026/

