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Dona Zica, 92 anos, símbolo da luta das empregadas domésticas, relembra trajetória de resistência e transformação social

Pioneira na organização sindical das trabalhadoras domésticas, ativista carioca fala sobre avanços, desafios da categoria e a herança da escravidão que ainda marca o setor

30/06/2025
© Tânia Rêgo/Agência Brasil

© Tânia Rêgo/Agência Brasil

Uma porta sempre aberta no bairro Vila Aliança, na zona oeste do Rio de Janeiro, é o retrato da generosidade e da força de Anazir Maria de Oliveira, mais conhecida como Dona Zica, de 92 anos. Entre pipas espalhadas e o riso de bisnetos que brincam pelas ruas, vive uma das mais importantes lideranças comunitárias, sindicais e religiosas da história recente do Brasil.

Sua casa, com um muro verde água e sem tranca, representa mais do que um lar. É um espaço de acolhimento e resistência, construído por décadas de atuação em favor das trabalhadoras domésticas, da juventude e da coletividade. “O papel das igrejas hoje é incentivar a luta coletiva, principalmente a juventude”, afirma, ressaltando a importância de formação política e social para os jovens.

Natural de Manhumirim (MG), Zica começou a trabalhar como empregada doméstica aos 9 anos. Veio para o Rio de Janeiro aos 11, com a mãe, em busca de melhores condições de vida. Perdeu nove irmãos na infância, vítimas da precariedade do interior mineiro da época. Aos poucos, tornou-se referência nacional na defesa dos direitos da categoria — um percurso que passou por fundações históricas como o Sindicato dos Trabalhadores Domésticos do Município do Rio de Janeiro, a Central Única dos Trabalhadores (CUT) e o Partido dos Trabalhadores (PT).

Luta por reconhecimento e direitos

A luta por direitos começou cedo. Aos 9 anos, sem salário e com o pagamento atrasado por meses, comprou cadernos em uma loja e “pendurou” na conta da patroa o valor que lhe era devido. “Foi minha primeira reivindicação por direitos, mesmo sem saber”, conta.

Ao longo de décadas, Zica testemunhou e protagonizou a conquista de direitos fundamentais: férias remuneradas, 13º salário, aviso prévio, carteira assinada e, mais recentemente, a Lei Complementar 150, de 2015, que regulamentou conquistas da PEC das Domésticas, como FGTS obrigatório, auxílio-creche, seguro-desemprego e horas extras.

“Até 2013, não tínhamos nem direito a descanso semanal remunerado. Era um favor que o patrão fazia”, relembra. Sua atuação nos anos 1980 incluiu idas constantes a Brasília, entre um expediente e outro como passadeira no Leblon. “Trabalhava o dia todo, pegava o ônibus à noite, conversava com deputados e voltava direto para o trabalho no outro dia.”

Mobilização comunitária e apoio da Igreja

A formação do sindicato das domésticas começou na base, com apoio da Igreja Católica. Incentivada pelo padre Bruno, Zica iniciou reuniões na pastoral do trabalhador. “Começamos a formar grupos, e o primeiro encontro foi em 1976. Não sabíamos nem por onde começar, mas criamos um espaço de fala. Hoje vejo que aquilo era uma roda de conversa.”

Com o tempo, a articulação cresceu, alcançando paróquias de Magalhães Bastos a Santa Cruz. “Não entendíamos termos como dissídio ou data-base. Mas criamos nosso grupo, e logo éramos mais numerosas que os homens.” Em 1982, foi eleita presidenta do sindicato.

A atuação foi além da igreja. Zica estabeleceu alianças com movimentos feministas e com lideranças políticas como Benedita da Silva. “Elas nos deram força e nós demos força a elas. Aprendemos juntas que temos o direito de ter direitos.”

Uma vida de aprendizado e resistência

Mãe de seis filhos, Zica trabalhou por mais de 40 anos como lavadeira e passadeira. Voltou a estudar depois dos 40, concluiu duas graduações — em pedagogia e serviço social — e se formou aos 83 anos. Transformou patroas em aliadas e contou com o apoio do marido, Jair Benedito, com quem construiu uma parceria até sua morte, em 1997.

Em entrevista à Agência Brasil, ela reafirma a importância da carteira assinada. “Muitos trabalhadores hoje desprezam a CLT, mas nós nunca tivemos esse direito. Lutamos para entrar porque ainda não temos nada que nos garanta. Temos valor para a economia.”

Zica critica a informalidade e defende a inclusão das diaristas, cuja situação permanece frágil. Segundo ela, muitas foram demitidas após a PEC das Domésticas para evitar a formalização. “Patrões pagam porque são obrigados. E ainda assim temos que correr atrás. Nosso trabalho segue sendo visto como sem valor.”

Um legado de esperança

A trajetória de Zica expõe a herança histórica da escravidão sobre as empregadas domésticas, majoritariamente mulheres negras. De acordo com o IBGE (2022), o Brasil tem 6 milhões de empregados domésticos, dos quais 60% são mulheres negras. Apenas 24,7% têm carteira assinada e só 30% contribuem com a Previdência Social. A maioria não tem acesso a abono salarial nem ao seguro-desemprego completo.

Apesar disso, Zica não desanima. Para ela, o futuro depende da mobilização coletiva. “Se uma categoria está revoltada, deve se unir a outras. A sociedade, unida, consegue mudanças. A luta política é por um futuro melhor.”

Fonte: Agência Brasil

Tags: direitos das mulheresDona ZicafeminismoIgreja CatólicaLei Complementar 150movimento negroPEC das Domésticassindicalismo femininotrabalhadoras domésticastrabalho informal
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