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Adelia Sampaio, pioneira do cinema negro, reencontra filme perdido há 40 anos em mostra em Brasília

08/11/2026
Adelia Sampaio: Sala de cinema em Brasília (imagem ilustrativa).

Sala de cinema em Brasília (imagem ilustrativa). Foto: Arquivo/Agência Brasília

Primeira mulher negra a dirigir um longa no Brasil é homenageada ao lado da cineasta Joyce Prado na abertura da Mostra de Cinema Negro que leva seu nome

Adelia Sampaio, a primeira mulher negra a dirigir um longa-metragem no Brasil, vai viver um momento especial em Brasília. A cineasta será homenageada na abertura da Mostra de Cinema Negro que leva o seu nome e, na ocasião, verá exibido pela primeira vez um filme que ela mesma acreditava estar perdido: o curta “Agora um Deus Dança em Mim”, que ficou desaparecido por mais de 40 anos e foi recentemente restaurado pela Cinemateca Brasileira.

A abertura acontece no dia 9 de novembro, às 19h20, no Cine Brasília. A noite celebra duas cineastas negras de gerações diferentes: Adelia Sampaio e Joyce Prado, cujo último trabalho também será apresentado ao público.

Um reencontro com o início da carreira

“Agora um Deus Dança em Mim” marca os primeiros passos de Adelia como diretora. O curta usa imagens de um solo da bailarina Tatiana Cobbett para tratar da falta de espaços para que bailarinos se apresentem no Brasil. Restaurado pela Cinemateca Brasileira, o filme agora ganha uma nova vida e chega a uma plateia que nunca teve a chance de assisti-lo.

Emocionada, a cineasta contou que não esperava reencontrar a obra que inaugurou sua trajetória e descreveu o momento como uma emoção imensa. O resgate do filme é também uma vitória para a memória do audiovisual brasileiro, que muitas vezes perde obras importantes por falta de conservação.

Homenagem a Joyce Prado

Na sequência, será exibido “Quase da Família” (2026), último filme dirigido por Joyce Prado (1987-2025). A obra aborda a luta histórica pela regulamentação da profissão de trabalhadora doméstica no Brasil. A diretora morreu no ano passado, sem ver o filme concluído, e a exibição na mostra é uma forma de reconhecer seu talento e sua contribuição para o cinema negro brasileiro.

Para a idealizadora e diretora da mostra, Edileuza Penha de Souza, a homenagem é necessária diante da importância de Joyce para o cinema negro. Edileuza lembra que a programação começa com um filme sobre trabalhadoras domésticas e termina com a exibição de “Aqui Não Entra Luz”, de Karol Maia, um diálogo que também toca a sua própria história: ela se consagrou como cineasta com o filme “Filhas de Lavadeira”. Segundo ela, essas obras reverenciam as mulheres domésticas que abriram caminho para que as novas gerações pudessem ser o que quisessem.

40 filmes, 15 estados e quatro países

A edição deste ano reúne 40 filmes, entre curtas, médias e longas-metragens, produzidos em 15 estados brasileiros e no Distrito Federal. A programação também inclui obras de quatro países: Mali, Burkina Faso, Senegal e Cuba, ampliando o diálogo entre o cinema negro brasileiro e as produções da África e do Caribe.

A VIII Mostra Competitiva de Cinema Negro Adelia Sampaio acontece de 10 a 14 de novembro, no Anfiteatro 10 da Universidade de Brasília (UnB).

Do cinema para a literatura

A mostra também será palco de uma estreia de Adelia em outra linguagem. Na terça-feira (10), às 16h, no Anfiteatro 10 da UnB, ela lança seu primeiro livro infantojuvenil, “Voos e Sonhos de uma Borboleta”. A obra narra, de forma poética, passagens da infância da cineasta, aproximando as novas gerações da sua história de superação.

Adelia Sampaio: uma trajetória de coragem

Nascida em Belo Horizonte, Adelia Sampaio teve uma infância marcada por desafios. Aos 7 anos, foi levada para um abrigo em Santa Luzia do Rio das Velhas (MG), por determinação da patroa de sua mãe, Guiomar, que trabalhava como empregada doméstica. Aos 12 anos, foi morar com a irmã, e foi por meio dela que conheceu o cinema — uma paixão que mudaria sua vida.

Anos depois, em 1984, Adelia fez história ao se tornar a primeira mulher negra a dirigir um longa-metragem no Brasil, com o filme “Amor Maldito”. Sua trajetória abriu portas para muitas cineastas que vieram depois e, hoje, dá nome a uma das mais importantes mostras dedicadas ao cinema negro no país.

Serviço

  • Abertura da mostra: 9 de novembro, às 19h20, no Cine Brasília.
  • VIII Mostra Competitiva de Cinema Negro Adelia Sampaio: de 10 a 14 de novembro, no Anfiteatro 10 da UnB.
  • Lançamento do livro “Voos e Sonhos de uma Borboleta”: 10 de novembro, às 16h, no Anfiteatro 10 da UnB.

Memória que inspira

A história de Adelia Sampaio mostra que talento e persistência podem transformar trajetórias marcadas por dificuldades em legados que atravessam gerações. Ao resgatar um filme perdido, homenagear Joyce Prado e reunir dezenas de produções de diferentes regiões e países, a mostra reafirma a força do cinema negro e a importância de preservar a memória de quem abriu caminhos. Uma celebração que inspira e que merece ser vista e compartilhada.

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Foto de destaque: Arquivo/Agência Brasília

Fonte: Agência Brasil

Tags: Adelia SampaioBrasíliacinema negroCinemateca BrasileiraCulturaJoyce PradoMostra de Cinema Negromulheres no cinemaUnB
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