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Brasil aprova roteiro para zerar e reverter o desmatamento até 2030

08/11/2026
Reverter o desmatamento: Vista aérea de floresta cortada por rio (foto de arquivo).

Vista aérea de floresta cortada por rio (foto de arquivo). Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

Mapa do Caminho reúne quatro frentes de ação, nasce apoiado na queda recorde da devastação na Amazônia e no Cerrado e será apresentado na COP31

Reverter o desmatamento no Brasil até o fim desta década deixou de ser apenas uma meta repetida em discursos e passou a contar com um roteiro oficial. O Governo Federal aprovou, na sexta-feira (6), o chamado Mapa do Caminho, documento que organiza as prioridades do país para interromper a perda de vegetação nativa e a degradação florestal até 2030.

A decisão foi tomada em Brasília, durante a 6ª Reunião Ordinária do Comitê Interministerial sobre Mudança do Clima (CIM), conduzida pela ministra da Casa Civil, Miriam Belchior, e pelo ministro do Meio Ambiente e Mudança do Clima, João Paulo Capobianco. Os resultados do encontro vão compor a agenda climática que o Brasil levará à 31ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima, a COP31.

O que é o Mapa do Caminho para reverter o desmatamento

O novo instrumento não parte do zero. A proposta é dar velocidade a metas e planos que o país já assumiu, mas que dependem de coordenação entre diferentes órgãos e de uma definição clara de prioridades para sair do papel. Em vez de criar compromissos paralelos, o documento procura alinhar esforços que antes caminhavam em ritmos distintos.

O plano está organizado em quatro grandes frentes de atuação:

  • conservação e uso sustentável das florestas;
  • restauração florestal;
  • continuidade das ações de combate ao desmatamento ilegal e aos incêndios;
  • redução da supressão legal de vegetação, acompanhada de instrumentos econômicos.

Para dar conta dessas frentes, o roteiro aponta como estratégicos o reforço e a ampliação do financiamento, a assistência técnica, a capacidade das instituições, a governança, o acesso a mercados e o investimento em inovação e tecnologia. Esses eixos se aplicam aos diversos instrumentos de política ambiental que já estão em vigor.

Resultados que dão base ao plano

A elaboração do documento se apoia na experiência acumulada pelo país com os planos de prevenção e controle do desmatamento em cada bioma. Desde a retomada, em 2023, do Plano de Ação para Prevenção e Controle do Desmatamento na Amazônia Legal (PPCDAm) e do plano equivalente para o Cerrado (PPCerrado), os números de devastação recuaram de forma expressiva.

Segundo dados do sistema Prodes, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), a taxa anual de desmatamento caiu 71,2% na Amazônia Legal e 48,4% no Cerrado entre 2022 e 2026. Nos dois biomas, os índices chegaram ao menor patamar das respectivas séries históricas, um resultado que dá credibilidade ao novo roteiro.

Os demais biomas, que passaram a ter planos próprios, também registraram queda na comparação entre agosto de 2024 e julho de 2025 e os 12 meses anteriores. O recuo foi de 65,4% no Pantanal, 41,7% no Pampa, 34,3% na Caatinga e 15,3% na Mata Atlântica.

Resposta a um compromisso global

O Mapa do Caminho também é a resposta brasileira, em âmbito nacional, a um chamado feito pela presidência brasileira da COP30 e pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A ideia é que cada país apresente estratégias concretas para cumprir o compromisso coletivo firmado no primeiro Balanço Global do Acordo de Paris, o Global Stocktake: reverter o desmatamento e a degradação florestal até 2030.

Ao apresentar seu próprio roteiro, o Brasil busca mostrar que a meta pode ser traduzida em ações mensuráveis, com prazos e responsabilidades definidas.

Mercado de carbono ganha diretrizes

A mesma reunião aprovou orientações para o funcionamento do mercado de carbono doméstico. O comitê fixou as diretrizes gerais para a implementação do Sistema Brasileiro de Comércio de Emissões (SBCE), previsto na Lei nº 15.042/2024. Essas orientações vão guiar a regulamentação do sistema, incluindo as regras de mensuração, relato e verificação das emissões.

De acordo com o governo, a meta é que o mercado regulado aumente a competitividade da economia, estimule o desenvolvimento tecnológico, abra novas oportunidades e ofereça previsibilidade e segurança aos setores que serão regulados.

Outra resolução trata da participação do Brasil em mecanismos de cooperação internacional previstos no Artigo 6º do Acordo de Paris, que envolvem os chamados Resultados de Mitigação Transferidos Internacionalmente (ITMOs). Foram definidos limites de 50 milhões de toneladas de CO₂ equivalente para autorizações referentes a resultados gerados entre 2026 e 2030 e de mais 100 milhões de toneladas para o ciclo de 2031 a 2035.

Enquanto a lista definitiva de atividades elegíveis não é concluída, terão prioridade iniciativas que removem carbono da atmosfera, como a restauração florestal, e projetos de redução das emissões de metano em aterros sanitários e outros resíduos orgânicos. Com isso, o país espera atrair investimentos adicionais para ações de mitigação em território nacional e acelerar o cumprimento das próprias metas climáticas.

Emissões em queda e transparência

O comitê também validou o 2º Relatório Bienal de Transparência e a 5ª Comunicação Nacional do Brasil, documentos que atualizam o inventário de gases de efeito estufa e detalham os esforços do país para cumprir sua Contribuição Nacionalmente Determinada (NDC). Os dados indicam que, somente entre 2022 e 2024, as emissões líquidas brasileiras caíram cerca de 560 milhões de toneladas de CO₂ equivalente, principalmente por causa da redução do desmatamento.

Os relatórios serão encaminhados à Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (UNFCCC), em cumprimento aos compromissos assumidos pelo país.

Plano Clima passa a ser monitorado

Na mesma ocasião, foi aprovado o primeiro Relatório de Monitoramento do Plano Clima 2024–2035, que inaugura o acompanhamento periódico das ações voltadas a reduzir emissões e preparar o Brasil para os impactos das mudanças climáticas.

As informações passam a integrar o IndicaClima, sistema desenvolvido pelo Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima e lançado ao público na mesma data. A ferramenta permitirá consultar a execução das ações do Plano Clima em todos os setores e é apresentada como o primeiro sistema brasileiro de acompanhamento centralizado das políticas climáticas.

Por que reverter o desmatamento importa para a Amazônia

Para quem vive na região amazônica, o roteiro aprovado tem peso especial. É na Amazônia Legal que a redução do desmatamento foi mais intensa nos últimos anos, e é também ali que a combinação entre conservação, restauração e geração de renda com a floresta em pé pode produzir os resultados mais duradouros. Com metas claras, monitoramento público e regras para atrair investimentos, o país ganha ferramentas para transformar a queda recente dos índices em uma tendência permanente.

O compromisso de zerar e reverter o desmatamento até 2030 coloca o Brasil em posição de destaque no debate climático. Com metas, monitoramento e transparência, o plano para reverter o desmatamento ganha ferramentas para sair do papel.

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Foto de destaque: Fernando Frazão/Agência Brasil

Fonte: Agência Gov

Tags: amazôniaCOP31DesmatamentoMeio Ambientemercado de carbonomudança do climaPlano Climarestauração florestal
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