Ação do Ministério da Saúde com prefeituras de Tabatinga, Benjamin Constant, São Paulo de Olivença e Atalaia do Norte leva vacina a portos, feiras, escolas, comunidades ribeirinhas e aldeias indígenas
Vacinação contra o sarampo é a palavra de ordem neste sábado (7) no extremo oeste do Amazonas. Quatro municípios da tríplice fronteira entre Brasil, Peru e Colômbia — Tabatinga, Benjamin Constant, São Paulo de Olivença e Atalaia do Norte — recebem uma grande mobilização conjunta para proteger a população contra a doença. A iniciativa é do Ministério da Saúde, em parceria com as prefeituras locais, e tem como foco levar a vacina até onde as pessoas estão: nos portos, nas feiras, nas escolas, nas comunidades ribeirinhas e nas áreas indígenas.
A ação chega em um momento estratégico. O sarampo voltou a avançar em diversos países das Américas, inclusive em nações vizinhas ao Brasil, e a região de fronteira, com intenso trânsito de pessoas pelos rios, exige atenção redobrada. A resposta das autoridades de saúde foi rápida e organizada, mostrando como a prevenção pode fazer a diferença.
Vacina onde o povo está
Segundo o Ministério da Saúde, as equipes vão atuar não apenas nas unidades de saúde, mas também em pontos de grande circulação, como portos, feiras, escolas e estabelecimentos comerciais. Os profissionais também farão visitas de casa em casa, o que facilita o acesso de famílias que moram longe dos postos ou que têm dificuldade de deslocamento.
Na Amazônia, onde muitas comunidades dependem dos rios para se locomover, essa estratégia é essencial. Levar a vacina aos portos e às comunidades ribeirinhas significa alcançar pessoas que, de outra forma, poderiam ficar sem proteção.
Apoio da saúde indígena
A mobilização conta com o apoio dos Distritos Sanitários Especiais Indígenas (DSEI) Alto Rio Solimões e Vale do Javari, além das Casas de Saúde Indígena (Casai). A participação dessas estruturas garante que a imunização chegue também às aldeias, respeitando as particularidades de cada território e das populações que vivem nessa região de floresta e rios.
O Vale do Javari, que abrange Atalaia do Norte, abriga uma das maiores concentrações de povos indígenas do país, inclusive grupos de recente contato. Por isso, a integração entre as equipes municipais e a saúde indígena é considerada fundamental para o sucesso da campanha.
Quem pode receber a vacinação contra o sarampo
Nos quatro municípios amazonenses, a vacina está disponível para todas as pessoas a partir dos 6 meses de idade, independentemente do histórico vacinal. Ou seja, mesmo quem já tomou doses anteriormente pode procurar as equipes.
- Bebês de 6 meses a 11 meses e 29 dias: recebem a chamada dose zero, uma proteção extra que não substitui as doses do calendário de rotina.
- A partir de 12 meses: deve ser seguido o esquema vacinal recomendado para cada faixa etária.
A orientação é que os pais levem a caderneta de vacinação das crianças, para que os profissionais possam verificar e atualizar a situação de cada uma.
Brasil ajuda os vizinhos
A cooperação vai além das fronteiras. O Ministério da Saúde informou que disponibilizou 500 mil doses da vacina tríplice viral, que protege contra sarampo, caxumba e rubéola, ao Peru. O país vizinho registra mais de 2 mil casos da doença em 2026 e está entre os que mais têm notificações nas Américas. O envio das doses está previsto para os próximos dias. A Colômbia, por sua vez, confirmou 17 casos neste ano.
O gesto reforça a ideia de que a saúde, especialmente em regiões de fronteira, é uma responsabilidade compartilhada. Proteger os vizinhos é também uma forma de proteger os brasileiros.
Um país livre da circulação endêmica
O Brasil está livre da circulação endêmica do sarampo desde 2024, uma conquista importante para a saúde pública. Para efeito de comparação, em 2019 o país chegou a registrar mais de 20 mil casos. Em 2026, foram confirmados 65 casos, todos importados, ou seja, ligados a infecções adquiridas fora do país.
Desse total, 21 casos ocorreram no Amazonas, em municípios da faixa de fronteira com o Peru e a Colômbia: Tabatinga (9), Benjamin Constant (6), São Paulo de Olivença (4) e Atalaia do Norte (2). Por isso, a região foi escolhida como prioridade para a mobilização.
Para evitar que o vírus volte a circular de forma sustentada no país, o ministério mantém estratégias como busca ativa de casos, vigilância epidemiológica e bloqueio vacinal em áreas prioritárias.
Cobertura vacinal: avanço e desafio
De acordo com o Ministério da Saúde, em 2025 a cobertura vacinal contra o sarampo no Amazonas chegou a 89,7% para a primeira dose e a 76% para a segunda. No mesmo período, os índices nacionais foram de 93,15% e 78,61%, respectivamente. Os números mostram avanços, mas também indicam que ainda há espaço para ampliar a proteção, sobretudo em relação à segunda dose, que completa o esquema.
É exatamente esse o objetivo de mobilizações como a deste sábado: fechar as lacunas, alcançar quem ainda não foi vacinado e manter a doença sob controle.
Prevenção que salva vidas
A vacinação contra o sarampo é segura, gratuita e está disponível no Sistema Único de Saúde (SUS). Ações como a realizada na tríplice fronteira mostram a força do trabalho conjunto entre governo federal, prefeituras, profissionais de saúde e lideranças indígenas.
Para as famílias do Alto Solimões, a mensagem é clara: procurar uma equipe de vacinação é um gesto simples que protege não apenas a si mesmo, mas também os filhos, os vizinhos e toda a comunidade. Quando a prevenção chega aos rios, às aldeias e às feiras, toda a Amazônia sai ganhando.
Manter a vacinação contra o sarampo em dia é a melhor forma de impedir que a doença volte a circular no país. Na região de fronteira, cada dose aplicada fortalece a proteção de toda a comunidade.
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Foto de destaque: Paulo Pinto/Agência Brasil
Fonte: Agência Brasil

