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Amazônia Revelada: Tecnologia e Saberes Tradicionais na Preservação do Patrimônio Cultural

Projeto une arqueologia, tecnologia Lidar e conhecimento de povos tradicionais para resgatar e proteger a história ancestral da floresta amazônica.

15/01/2025
© Guilherme Gomes/Divulção

© Guilherme Gomes/Divulção

Há mais de 12 mil anos, as histórias de povos originários permanecem ocultas na floresta, revelando-se gradativamente por meio da arqueologia, do conhecimento indígena e quilombola, e da tecnologia Lidar (Light Detection and Ranging). Este sensor remoto, instalado em pequenos aviões, utiliza lasers para mapear sítios arqueológicos sem interferir fisicamente no ecossistema.

O projeto Amazônia Revelada: Mapeando Legados Culturais utiliza essa tecnologia para identificar locais históricos antes inalcançáveis, ampliando as possibilidades de descobertas arqueológicas sem causar danos à floresta. Coordenado pelo arqueólogo Eduardo Neves, da Universidade de São Paulo (USP), o projeto integra pesquisadores e comunidades tradicionais para proteger a herança cultural da região e frear a destruição ambiental.

A tecnologia Lidar foi um divisor de águas na arqueologia amazônica. Antes, muitas descobertas ocorriam em áreas alteradas por atividades humanas, como os geoglifos do Acre. Agora, é possível mapear locais intactos, reforçando a importância de proteger a floresta.

Eduardo Neves ressalta que a floresta, tal como a conhecemos, é resultado direto da interação de povos indígenas, quilombolas e ribeirinhos ao longo dos séculos. Ele critica discursos históricos que desvalorizaram essas origens e abriram caminho para a exploração predatória. “A Amazônia nunca foi uma terra sem gente. Pelo contrário, ela sempre foi habitada e moldada por milhões de indígenas e suas práticas sustentáveis”, afirmou durante o TEDx Amazônia 2024, em Manaus.

O projeto busca tornar visíveis essas contribuições, promovendo um vínculo entre ciência e saberes tradicionais. “Se existe uma solução para o futuro da Amazônia, ela está na valorização da diversidade cultural e no conhecimento transmitido por gerações”, defende Neves.

Além dos vestígios materiais, a preservação das línguas indígenas é fundamental para manter o conhecimento ancestral. Segundo Altaci Kokama, linguista e líder indígena, essas línguas carregam saberes essenciais para a cura do planeta.

“A biodiversidade amazônica está intrinsecamente conectada às histórias e narrativas indígenas. Cada árvore, cada planta tem um significado e uma função que só são compreendidos por meio das línguas tradicionais”, explica Altaci. Ela destaca o exemplo de uma raiz capaz de retirar mercúrio da água, cujo uso foi descoberto graças às histórias orais indígenas.

Altaci, que atua no Ministério dos Povos Indígenas e em iniciativas globais pela preservação das línguas, pede mais investimentos do Estado para fortalecer as culturas tradicionais. “A preservação linguística é também uma estratégia de combate às mudanças climáticas e à destruição ambiental”, argumenta.

Embora os povos indígenas sejam amplamente reconhecidos por seu papel na proteção da floresta, os quilombolas também desempenham uma função crucial, como explica o antropólogo Davi Pereira. Ele trabalha para evidenciar as contribuições negras na Amazônia, reforçando que as comunidades quilombolas têm raízes profundas no bioma.

“A floresta é um espaço de ancestralidade e resistência para os povos negros. A relação íntima que estabelecemos com a Amazônia nos permitiu desenvolver uma cosmovisão que valoriza e protege seus recursos”, afirma Pereira.

Por meio de iniciativas como a cartografia social, Davi utiliza mapas para reivindicar direitos e combater injustiças territoriais. Ele também questiona projetos neoliberais que exploram a floresta de forma predatória. “A proteção da Amazônia passa necessariamente pelo protagonismo das comunidades que a habitam há milênios”, conclui.

Enquanto a COP30, em Belém, se aproxima, o debate sobre a preservação da Amazônia ganha novas perspectivas. Projetos como o Amazônia Revelada mostram que unir tecnologia e saberes tradicionais é uma das estratégias mais eficazes para proteger a floresta e enfrentar os desafios climáticos.

A valorização das culturas indígenas e quilombolas, combinada com o avanço científico, traz esperança de um futuro em que a floresta e seus povos possam coexistir de forma sustentável.

Fonte: Agência Brasil

Tags: #BiodiversidadeamazôniaarqueologiaLidarmudanças climáticasPatrimônio Culturalpovos indígenaspreservação ambientalquilombolas
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