As famílias inscritas no Cadastro Único para Programas Sociais do Governo Federal (CadÚnico) passam a contar com uma nova alternativa para investir em pequenos negócios e fortalecer a geração de renda. O Banco do Brasil aderiu oficialmente ao Programa Acredita no Primeiro Passo, iniciativa do governo federal voltada à promoção do empreendedorismo e da inclusão produtiva entre a população de baixa renda.
O acordo entre a instituição financeira e o Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome (MDS) foi assinado na quarta-feira (10), em Brasília. Com a adesão, o Banco do Brasil amplia a oferta de microcrédito produtivo orientado, modalidade que combina financiamento com acompanhamento técnico, buscando reduzir riscos, estimular o uso responsável dos recursos e aumentar as chances de sucesso dos empreendimentos.
A expectativa do banco é expandir gradualmente o acesso ao crédito em todo o território nacional, com atenção especial às regiões Sul e Sudeste, onde o programa ainda apresentava menor capilaridade. A iniciativa se soma a uma estratégia mais ampla de fortalecimento da economia local e de estímulo ao empreendedorismo popular, especialmente entre grupos historicamente excluídos do sistema financeiro tradicional.
Antes mesmo da formalização da parceria, o Banco do Brasil já havia realizado uma experiência piloto. Em novembro, cerca de mil pessoas do Distrito Federal receberam microcrédito produtivo orientado em caráter experimental. Os resultados positivos da iniciativa contribuíram para a ampliação do programa e para a adesão definitiva da instituição financeira à política pública.
De acordo com dados do MDS, o Programa Acredita no Primeiro Passo já movimentou aproximadamente R$ 13 bilhões desde seu lançamento. Criado no ano passado e instituído pela Lei nº 14.995, de outubro de 2024, o programa integra uma estratégia nacional voltada à inclusão produtiva de famílias de baixa renda, combinando crédito, qualificação profissional e acesso ao mercado de trabalho.
Resultados expressivos
No eixo específico de promoção do empreendedorismo, o programa apresenta números considerados expressivos pelo governo federal. Em apenas um ano, foram realizadas mais de 190 mil operações de microcrédito orientado, totalizando R$ 1,7 bilhão repassados a famílias inscritas no CadÚnico. Um dado que chama atenção é o perfil dos beneficiários: 68% dos recursos foram destinados a mulheres, consideradas público prioritário da política.
Outro indicador relevante é o baixo índice de inadimplência, que atualmente está em apenas 0,36%. Segundo o MDS, esse resultado é reflexo direto do modelo adotado, que alia crédito a orientação técnica, acompanhamento contínuo e educação financeira, reduzindo o risco de endividamento excessivo.
Para garantir maior segurança às operações, o ministério estruturou o Fundo de Garantia de Operações (FGO). O mecanismo permite alavancar até R$ 12 bilhões em crédito para cada R$ 1 bilhão em garantias, ampliando significativamente a capacidade de financiamento. Além disso, foi criado o SIG Acredita, sistema nacional que monitora, em tempo real, todas as operações realizadas no âmbito do programa, garantindo transparência e controle.
Muito além do crédito
O Programa Acredita no Primeiro Passo não se limita à oferta de financiamento. A iniciativa também investe fortemente em qualificação profissional e inserção no mercado de trabalho. Mais de 2 milhões de pessoas já participaram de cursos profissionalizantes, adquirindo novas competências para atuar em diferentes setores da economia.
Segundo o governo federal, beneficiários do CadÚnico que passaram pelo programa vêm contribuindo para um saldo histórico de empregos formais, demonstrando que a combinação entre qualificação, crédito e apoio institucional pode gerar resultados concretos na redução da pobreza e na ampliação da autonomia financeira das famílias.
Atualmente, além do Banco do Brasil, participam do programa instituições como o Banco do Nordeste, o Banco da Amazônia e a Caixa Econômica Federal, que vêm ampliando gradualmente a oferta de crédito orientado. O setor privado também tem papel relevante: grandes empresas como Coca-Cola, McDonald’s e Carrefour aderiram à iniciativa, abrindo vagas de emprego, oferecendo capacitação e apoiando pequenos empreendedores.
Quem pode participar
O programa é voltado a pessoas entre 16 e 65 anos, com dados atualizados no CadÚnico. Entre os públicos prioritários estão mulheres, jovens, pessoas com deficiência, comunidades negras e populações tradicionais, como quilombolas e ribeirinhos.
Os interessados podem buscar atendimento em diferentes canais, como as Salas do Empreendedor do Sebrae, bancos públicos parceiros, cooperativas de crédito e agências de fomento vinculadas ao programa. O objetivo central é promover geração de renda, fortalecimento do empreendedorismo e inclusão produtiva, oferecendo oportunidades reais para que famílias de baixa renda conquistem autonomia econômica e melhorem suas condições de vida.
Fonte : Agência Brasil

