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Bioeconomia ganha força na Amazônia e impulsiona modelo sustentável de desenvolvimento no Pará

Com investimentos públicos e privados, Pará aposta na bioeconomia como eixo central para a transição ecológica, geração de renda e valorização da floresta em pé

12/05/2025
© Fabiola Sinimbú/Agência Brasil

© Fabiola Sinimbú/Agência Brasil

A bioeconomia, modelo de desenvolvimento sustentável que alia geração de renda à preservação da biodiversidade, tem se consolidado como uma das principais estratégias na transição para uma economia de baixo carbono. No coração da Amazônia, o estado do Pará desponta como referência nacional nessa nova lógica produtiva, atraindo investimentos públicos e privados em projetos que valorizam os saberes tradicionais, a inovação tecnológica e o uso racional dos recursos naturais.

Segundo o relatório “Uma Oportunidade de Negócio que Contribui para um Mundo Sustentável”, elaborado pelo Conselho Empresarial Mundial para o Desenvolvimento Sustentável (WBCSD, na sigla em inglês), a bioeconomia tem potencial de movimentar globalmente até US$ 7,7 trilhões em negócios sustentáveis até 2030. O Brasil, com sua imensa biodiversidade, especialmente na Amazônia, é um dos países mais bem posicionados para aproveitar esse cenário.

No Pará, um estudo realizado em 2021 intitulado Bioeconomia da Sociobiodiversidade identificou um potencial de R$ 170 bilhões para incrementar as cadeias produtivas da floresta até 2040. E é nessa perspectiva que Belém, capital do estado e sede da próxima Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP30), em novembro, tem se preparado com uma série de ações voltadas à bioeconomia.

Centro de Inovação e Bioeconomia de Belém

Entre as obras de destaque está o futuro Centro de Inovação e Bioeconomia de Belém (CIBB), fruto de uma parceria entre os governos federal e municipal e a empresa Itaipu Binacional. Com investimento de R$ 20 milhões, o espaço será instalado em um casarão histórico revitalizado, que abrigará pelo menos 20 novas iniciativas empreendedoras ligadas à bioeconomia.

A proposta do CIBB é funcionar como um polo de apoio a empreendedores e pequenos produtores, servindo também como vitrine para o modelo sustentável que o Pará pretende consolidar. Entre os nomes já atuantes nesse cenário está Izete Costa, conhecida como dona Nena, empreendedora da Ilha do Combu.

Filha de agricultores e moradora da comunidade ribeirinha Igarapé de Piriquitaquara, dona Nena cresceu comercializando cacau colhido na floresta com seus pais. Com o passar dos anos e o avanço de outras culturas, os cacaueiros se tornaram mais escassos, mas isso não a impediu de buscar novas formas de valorização do fruto nativo. Ela começou a produzir artesanalmente chocolates e derivados do cacau, aproveitando o que era cultivado em seu quintal e nos de vizinhos.

Hoje, sua pequena fábrica beneficia 16 famílias da região, que vivem do manejo sustentável da floresta amazônica, mantendo a vegetação em pé. O trabalho de dona Nena também proporcionou melhorias na qualidade de vida da comunidade, como acesso à água potável por meio da captação de chuva e melhores condições de saneamento. A atividade ainda fomenta o turismo ecológico e evita a atuação de atravessadores.

Para a empresária, o reconhecimento do papel da floresta é importante, mas ela defende investimentos estruturais. “O povo precisa manter a floresta de pé? Precisa. Mas precisa de água tratada, de saneamento básico, de um montão de coisas, assistência à saúde, que faz com que ele se fixe aqui. Porque muitas vezes sai daqui, vem outra pessoa que vem desmatar. Porque ele não tem as condições adequadas para se manter aqui”, afirma.

Política de Estado

A secretária adjunta de Bioeconomia do Pará, Camille Bemerguy, explica que o governo estadual tem buscado ampliar o apoio a iniciativas como a de dona Nena. Um dos instrumentos criados é o PlanBio Pará – Plano Estadual de Bioeconomia –, que estabelece uma estratégia de longo prazo para valorização do patrimônio genético e fortalecimento das cadeias produtivas com base em ciência, tecnologia e inovação.

“É um plano de Estado, não é um plano de governo, para garantir a continuidade, em que se estabelecem novas bases de uso da terra e uso da floresta. A bioeconomia está ancorada dentro desse plano, o que dá segurança jurídica para aqueles que querem investir aqui”, ressalta Bemerguy.

A secretária afirma que o Pará está passando por uma transição de um modelo extrativista para práticas mais sustentáveis e organizadas. Além disso, a visibilidade dos produtos da bioeconomia tem sido fortalecida com apoio institucional e programas de incentivo.

Parque de Bioeconomia e Inovação da Amazônia

Outro projeto em andamento é o Parque de Bioeconomia e Inovação da Amazônia, que está sendo construído às margens da Baía do Guajará, em Belém, dentro do projeto Porto Futuro 2. Com R$ 300 milhões em investimentos, o espaço abrigará estruturas como o Observatório da Bioeconomia, o Centro de Cultura Alimentar, o Centro de Sociobioeconomia e um Centro de Turismo de Base Local.

Camille Bemerguy destaca que essas iniciativas já estão mudando o cenário da bioeconomia paraense. “Antes, havia cerca de 70 startups, mas a maioria não conseguia se manter. Hoje, temos aproximadamente 300, e com o novo parque queremos atrair mais 200”, informa.

O objetivo do estado é que a bioeconomia represente 4,5% do Produto Interno Bruto (PIB) do Pará até 2030. “Queremos destravar certos elementos para que esse desenvolvimento não seja mais um ciclo passageiro, mas um processo transformador”, finaliza a secretária.

Fonte: Agência Brasil

Tags: amazôniabioeconomiacacauCOP30economia verdeEmpreendedorismofloresta em péInovaçãoParáprodução artesanalSustentabilidadeturismo sustentável
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