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Campanha Nacional de Coleta de DNA busca dar respostas a famílias de pessoas desaparecidas

Iniciativa do Ministério da Justiça intensifica coletas até 15 de agosto em todo o país; material genético ajuda na identificação de pessoas desaparecidas e na superação de décadas de angústia

07/08/2025
© Isaac Amorim/MJSP

© Isaac Amorim/MJSP

A terceira edição da Campanha Nacional de Coleta de DNA de Familiares de Pessoas Desaparecidas foi lançada nesta terça-feira (5) pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP), em Brasília. A ação, que segue até o dia 15 de agosto, busca ampliar o número de materiais genéticos disponíveis no Banco Nacional de Perfis Genéticos (BNPG), instrumento essencial para ajudar a solucionar casos de desaparecimento em todo o país.

Vera Lúcia Ranu, mãe de Fabiana Renata, desaparecida em 1992 aos 13 anos de idade, participou do lançamento como representante do Movimento Nacional de Familiares de Pessoas Desaparecidas. Ela convive há mais de 30 anos com a dor da incerteza, mas vê na campanha uma possibilidade concreta de respostas. “O cadastro nacional e o banco de DNA levantaram uma esperança muito grande. A gente acredita em todas as possibilidades”, afirmou.

A iniciativa convida voluntariamente familiares de pessoas desaparecidas a doarem amostras de DNA para que elas possam ser cruzadas com os dados de restos mortais não identificados e de indivíduos vivos em situação de vulnerabilidade social, como os que estão em abrigos, hospitais ou instituições de longa permanência.

Nesta edição de 2025, estão disponíveis 334 pontos de coleta espalhados por todos os 26 estados e o Distrito Federal. Os profissionais envolvidos foram capacitados para acolher os familiares e conduzir o processo com respeito e sensibilidade.

Dignidade e resposta

Durante a cerimônia de lançamento, o secretário nacional de Segurança Pública, Mario Sarrubbo, destacou o valor humano da ação. “Enquanto não resolvido o processo de desaparecimento, a dor é muito maior. É uma interrogação permanente na vida das famílias”, pontuou.

A diretora do Sistema Único de Segurança Pública, Isabel Seixas de Figueiredo, reforçou que o serviço está disponível o ano todo, mas que os dez dias de campanha nacional servem para ampliar a divulgação e acelerar os cruzamentos de dados nos laboratórios de análise.

A coleta é feita com um cotonete na parte interna da bochecha ou com uma gota de sangue da ponta do dedo. Também podem ser entregues objetos pessoais do desaparecido, como escovas de dente ou dentes de leite. As amostras são usadas exclusivamente para identificação humana, como assegura o MJSP.

Como participar

Podem participar parentes de primeiro grau da pessoa desaparecida – pais, mães, filhos, irmãos ou o genitor do filho da pessoa desaparecida. É necessário apresentar documento oficial de identidade, cópia do boletim de ocorrência do desaparecimento, com número, local e delegacia de registro, além de assinar termo de consentimento para análise e cruzamento dos dados genéticos.

As informações coletadas são cruzadas com perfis genéticos de corpos sem identificação e de indivíduos vivos com identidade desconhecida. Se houver compatibilidade, o familiar será comunicado: em caso de pessoa viva, receberá a localização; em caso de óbito, a família poderá dar prosseguimento ao processo legal de reconhecimento e sepultamento.

Resultados concretos

A edição anterior da campanha, realizada em 2024, coletou 1.645 amostras, resultando na identificação de 35 pessoas desaparecidas. Embora o número possa parecer pequeno, para as famílias atingidas, representa o fim de um ciclo de dor e incerteza.

Um exemplo é o caso da servidora aposentada Glaucia Lira, de Brasília. Seu filho desapareceu em 2013. Ela e o marido participaram da primeira edição da campanha, em 2021, e só em 2025 receberam a confirmação de que os restos mortais encontrados pertenciam ao jovem. “Não foi o desfecho que eu gostaria, mas agora eu sei o que aconteceu. Isso tem um valor imenso”, declarou emocionada.

Essas histórias foram reunidas no caderno digital Transformando Números em Histórias, também lançado nesta terça-feira. O material apresenta narrativas reais que ilustram o impacto da política pública na vida das famílias, reforçando a importância de sua continuidade.

Busca permanente

A coleta de DNA é parte de uma estratégia de longo prazo. Mesmo que não haja correspondência imediata, os dados permanecem armazenados e o sistema realiza buscas automáticas a cada nova atualização da base. Casos podem ser solucionados anos depois, como aconteceu com Glaucia.

Para as famílias, a campanha é um marco de esperança. Para o Estado, é um compromisso com a memória, a dignidade e os direitos humanos. A expectativa é que, com o aumento da coleta de amostras e a consolidação do banco genético nacional, mais casos possam ser esclarecidos nos próximos anos.

Fonte: Agência Brasil

Tags: banco genéticocampanha nacionalcoleta de material genéticodesaparecidosDNAfamiliaresidentificação humanaMinistério da Justiçaperfis genéticosSegurança Pública
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