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Carnaval virtual une tradição e inovação e revela novos talentos no Brasil e no mundo

Com duas grandes ligas organizadoras, o carnaval virtual brasileiro celebra a diversidade cultural, forma profissionais para o mundo real e desafia barreiras de visibilidade e financiamento

29/04/2025
© LIESV/Divulgação

© LIESV/Divulgação

Carnaval virtual — A paixão pelo samba e o espírito do carnaval encontraram na internet um novo palco de expressão, formação de talentos e celebração da diversidade cultural. No centro desse fenômeno estão ligas como a Liga Independente das Escolas de Samba Virtuais (Liesv) e a Carnaval Virtual (CAV), que organizam desfiles digitais e mantêm viva a tradição do samba em novas plataformas.

O biólogo Ewerton Fintelman de Oliveira, presidente da Liesv, viu pela primeira vez a força do carnaval virtual ainda na adolescência, ao ler em um jornal sobre as escolas campeãs. Hoje, enquanto avança no doutorado em Ciências Biológicas na Unirio, lidera uma liga pioneira que nasceu em 2002 e realizou seu primeiro desfile em 2003, com seis escolas — entre elas, a Imperial do Samba (São Paulo) e a Colibris (Rio de Janeiro), que continuam desfilando até hoje.

A estrutura da Liesv é sólida: um presidente, quatro vice-presidentes, diretoria jurídica e um conselho de avaliação de novas agremiações. As escolas se dividem entre os grupos Especial e de Acesso, cada uma com cargos como presidente, intérprete e carnavalesco, muitas vezes acumulados por uma única pessoa. Segundo Ewerton, a missão da liga é “manter a chama acesa”, mesmo em tempos em que a visibilidade online é cada vez mais desafiadora.

No início, os sambas eram apresentados à capela e transmitidos pelo antigo Yahoo! Messenger, o que comprometia a qualidade do áudio. Hoje, os desfiles virtuais evoluíram: 35 escolas participam da edição de 2025 — 20 no grupo Especial e 15 no Acesso, além das convidadas, que desfilam sem serem avaliadas.

As apresentações são ricas em criatividade: cada escola apresenta de uma a três alegorias e entre oito a doze alas, com desfiles mais compactos, mas com a mesma emoção das grandes avenidas. “O carnaval virtual democratizou o samba, trazendo agremiações de estados como Paraíba e Pernambuco, e até de outros países”, orgulha-se Ewerton. A Colibris, inspirada na Beija-Flor de Nilópolis, é um exemplo da conexão entre o mundo físico e o digital.

A CAV, presidida por Diego Araújo, surgiu em 2015 após uma cisão dentro da Liesv. Hoje, reúne 59 agremiações, com uma estrutura semelhante e a filosofia de que o carnaval virtual não tem fronteiras. Há escolas comandadas por brasileiros na Europa e até carnavalescos argentinos integrando a festa.

Diego destaca a presença feminina no carnaval digital, um espaço onde mulheres assumem papéis de intérpretes, carnavalescas e presidentes. Um destaque é Thatiane Carvalho, intérprete da Império do Progresso e também da Imperatriz Leopoldinense, escola do grupo Especial do Rio.

As competições da CAV se distribuem entre três grupos — Especial, Acesso 1 e Acesso 2 —, com apresentações previstas para novembro. O sorteio da ordem dos desfiles será realizado em 30 de agosto. A apuração das notas, como no carnaval real, levará em conta quesitos como enredo, samba-enredo, fantasias, alegorias e conjunto, com o descarte da nota mais baixa. A transmissão acontece no site da Carnaval Virtual e no YouTube, em apresentações que simulam a dinâmica real de um desfile, com concentração, dispersão e comentaristas.

Mas o carnaval virtual é mais do que diversão: é uma escola de formação para novos profissionais. Diego Araújo, além de presidir a CAV, atua como enredista da Unidos do Porto da Pedra e da Bambas do Ritmo. Figurinistas e carnavalescos como Rômulo Roque também começaram nas agremiações virtuais, usando a liberdade criativa do meio digital para aperfeiçoar suas habilidades sem as limitações financeiras dos desfiles físicos.

Apesar do sucesso, os desafios persistem. A ausência de investimentos públicos, como os mais de R$ 90 milhões destinados ao carnaval físico do Rio em 2025, impede uma expansão maior do carnaval virtual. “São 22 anos formando talentos e levando cultura sem nenhum tipo de apoio público. É triste ver que ainda não conseguimos acesso a editais culturais”, lamenta Ewerton.

Ainda assim, a força do carnaval virtual reside na paixão de seus organizadores e participantes. Em cada ala, alegoria e samba entoado através das telas, pulsa o mesmo amor pelo samba que movimenta as grandes avenidas do Brasil.

Fonte: Agência Brasil

Tags: Carnaval Virtual (CAV)Cultura BrasileiraDiversidade Culturalenredoescolas de sambaLiesvnovos talentossambaTags: carnaval virtualtecnologia e cultura
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