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Chico Buarque é celebrado no Roda de Samba com análise de sua obra literária e musical

Programa da Rádio Nacional entrevista a jornalista e mestre em literatura brasileira Márcia Fernandes, que destaca o olhar do artista para os marginalizados e sua relevância na literatura pós-moderna

23/06/2025
© TV Brasil

© TV Brasil

No último dia 19 de junho, o cantor, compositor, dramaturgo e escritor Chico Buarque de Hollanda completou 81 anos. Com uma trajetória de mais de seis décadas dedicadas à arte e ao pensamento crítico, Chico foi homenageado no programa Roda de Samba, da Rádio Nacional, que neste domingo (22) apresenta uma entrevista especial com a jornalista e mestre em literatura brasileira Márcia Fernandes.

A entrevista, que vai ao ar ao meio-dia, destaca o papel fundamental de Chico Buarque na literatura e na música popular brasileira, com ênfase em como sua obra dá voz aos excluídos da sociedade. “Chico Buarque trouxe luz aos marginalizados de forma geral”, afirma Márcia, que é também repórter da Voz do Brasil e do Canal Gov, da Empresa Brasil de Comunicação (EBC).

A especialista observa como o sentimento de inadequação social está presente tanto nos romances quanto nas canções do autor. Um exemplo é o protagonista de seu romance de estreia, Estorvo (1991), descrito como alguém que se sente “um incômodo caminhando na multidão”. Esse mesmo incômodo aparece na icônica canção Construção (1971), cuja letra narra a morte de um operário “na contramão, atrapalhando o tráfego”, com ironia e crítica social pungente.

Para Márcia Fernandes, Chico Buarque constrói, tanto na prosa quanto na poesia de suas letras, um “eu lírico” frequentemente deslocado, estranho à realidade imediata. Essa perspectiva pode ser percebida no samba Até o Fim (1978), que retrata um amor impossível em meio ao fracasso cotidiano, ou no romance Budapeste (2003), em que o protagonista mergulha em uma nova identidade e em outra língua, como forma de fuga e reinvenção.

A entrevista também explora paralelos entre os personagens idosos de Leite Derramado (2009), romance que retrata a decadência da aristocracia brasileira, e a figura de O Velho Francisco (1987), canção que lida com a memória, o abandono e a finitude. Em ambas as obras, Chico mobiliza temas como o envelhecimento, o esquecimento e o tempo.

Outro traço recorrente na produção do artista, segundo Márcia, é a denúncia da violência social e urbana. A canção Meu Guri (1981) retrata com lirismo trágico a rotina de um menino criado à margem da sociedade, enquanto o livro de contos Anos de Chumbo (2021) explora os traumas da repressão durante a ditadura militar e a perpetuação da brutalidade institucional.

Márcia Fernandes ainda comenta os aspectos pós-modernos da obra literária de Chico Buarque, tema de sua dissertação de mestrado. Segundo ela, o autor se insere em um diálogo global com escritores como o tcheco Franz Kafka, os argentinos Jorge Luis Borges e Julio Cortázar e o português José Saramago. Para ela, Chico compartilha com esses nomes a fragmentação narrativa, o humor irônico e a crítica ao autoritarismo.

Ao longo de seus 60 anos de carreira, Chico Buarque compôs aproximadamente 540 músicas, possui mais de 1,3 mil gravações e lançou 50 discos — seja como artista solo ou em parceria com outros músicos. Além disso, escreveu quatro peças de teatro, uma novela, um livro de contos e seis romances, consolidando-se como um dos intelectuais mais influentes da cultura brasileira contemporânea.

O Roda de Samba é um programa que vai ao ar todos os domingos, ao meio-dia, pela Rádio Nacional, reunindo entrevistas com artistas, escritores, cineastas e intelectuais que exploram o universo simbólico do samba e suas múltiplas expressões. Após a transmissão nas rádios, os episódios são disponibilizados também na Rede Nacional de Comunicação Pública (RNCP).

As edições anteriores do programa podem ser acessadas online por meio do site da Rádio Nacional, oferecendo ao público a oportunidade de conhecer mais profundamente os bastidores e os pensamentos de grandes nomes da cultura nacional.

Serviço:
Quando: Todo domingo, ao meio-dia
Onde ouvir:

  • Rádio Nacional da Amazônia – OC 11.780 kHz e 6.180 kHz

  • Brasília – AM 980 KHz e FM 96,1 MHz

  • Foz do Iguaçu – FM 90,1 MHz

  • Recife – FM 87,1 MHz

  • Rio de Janeiro – AM 1.130 KHz e FM 87,1 MHz

  • São Luís – FM 93,7 MHz

  • São Paulo – FM 87,1 MHz

  • Alto Solimões – FM 96,1 MHz

Fonte: Agência Brasil

Tags: canções de protestoChico BuarqueCultura Brasileiraentrevistaliteratura brasileiraMárcia Fernandesmúsica popular brasileiraobras literáriaspós-modernidadeRádio Nacionalroda de samba
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