Os incêndios florestais que atingiram a Chapada dos Veadeiros, em Goiás, desde o dia 28 de setembro, foram praticamente extintos com o auxílio das chuvas que voltaram a cair na região nos últimos dias. De acordo com o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), as chamas devastaram uma área total de 111.720 hectares, sendo 900 hectares dentro dos limites do Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros — uma das unidades de conservação mais importantes do Cerrado brasileiro.
Apesar do avanço das ações de contenção, ainda há um foco ativo de fogo na região de Procópia, localizada no Território Kalunga, área habitada por comunidades tradicionais quilombolas. “No momento, apenas um foco permanece ativo, na região de Procópia, no Território Kalunga, onde as equipes seguem em combate. Os demais focos foram extintos e continuam sob monitoramento para evitar qualquer reignição”, informou o ICMBio em nota oficial.
Fogo controlado após 16 dias de operação intensa
Os primeiros focos foram registrados nas proximidades do povoado Cormari, um dos pontos mais vulneráveis da região, e se alastraram rapidamente em razão da vegetação seca e dos fortes ventos típicos deste período de estiagem no Cerrado. O incêndio chegou a atingir parte do Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros, exigindo uma resposta emergencial coordenada entre diferentes frentes de combate.
A operação de contenção envolveu 211 profissionais, entre servidores e brigadistas do Ibama/Prevfogo, ICMBio, Rede Contra Fogo, Brivac, Brigada de São Jorge e Brigada Cerrado em Pé. A atuação conjunta, somada à chegada das chuvas, foi determinante para controlar as chamas após mais de duas semanas de trabalho contínuo.
Além das equipes em solo, foram utilizados veículos especializados, ferramentas manuais e apoio aéreo em áreas de difícil acesso. O ICMBio destacou que, com o avanço das frentes de fogo, a estratégia de combate incluiu a criação de aceiros — faixas de terra limpa — para impedir a propagação das chamas.
Impacto ambiental e risco de reignição
Os incêndios florestais são um problema recorrente na Chapada dos Veadeiros, especialmente entre os meses de agosto e outubro, quando o clima seco, a baixa umidade e os ventos fortes tornam o bioma mais vulnerável ao fogo. Este ano, a área afetada ultrapassou 100 mil hectares, abrangendo tanto zonas de proteção ambiental quanto propriedades rurais no entorno do parque.
Embora o fogo tenha sido controlado, o risco de reignição ainda preocupa as autoridades. O solo permanece quente em diversos pontos, o que pode facilitar o surgimento de novos focos caso as condições climáticas voltem a se agravar. Por isso, o monitoramento será mantido até o fim do período crítico de estiagem.
Segundo o ICMBio, brigadistas seguem percorrendo a área atingida, verificando possíveis troncos em combustão e pequenos focos residuais. “Mesmo com a ajuda das chuvas, o trabalho de vigilância continua. O objetivo é impedir qualquer retorno do fogo e avaliar os danos à fauna e à flora”, destacou o órgão.
A importância da Chapada dos Veadeiros
O Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros, reconhecido pela UNESCO como Patrimônio Natural da Humanidade, abriga uma das mais ricas biodiversidades do Cerrado. Com mais de 240 mil hectares, o parque é habitat de espécies ameaçadas de extinção, como o lobo-guará, a ema e o tamanduá-bandeira. Além da relevância ecológica, a região tem importância cultural e turística, recebendo visitantes de todo o país.
Os incêndios representam uma ameaça direta ao equilíbrio ambiental e comprometem anos de trabalho de conservação. Especialistas explicam que, embora o fogo faça parte da dinâmica natural do Cerrado, a intensidade e a frequência dos incêndios provocados por ação humana têm causado desequilíbrio ecológico, dificultando a regeneração da vegetação nativa.
Em áreas quilombolas, como o Território Kalunga, o impacto é duplo: afeta não apenas o meio ambiente, mas também o modo de vida de comunidades tradicionais que dependem dos recursos naturais para subsistência e produção local.
Cooperação e conscientização
Autoridades ambientais reforçam que o combate ao fogo é apenas uma das etapas no enfrentamento do problema. A prevenção e a conscientização da população sobre os riscos das queimadas ilegais e do uso indevido do fogo em atividades agropecuárias continuam sendo medidas essenciais.
O Ibama e o ICMBio vêm desenvolvendo campanhas educativas junto a produtores rurais e moradores da região, incentivando práticas sustentáveis e alertando sobre as penalidades previstas em lei para quem provocar incêndios criminosos.
Com a diminuição dos focos e o início do período chuvoso, as equipes de campo devem agora concentrar esforços em avaliar os danos ambientais, planejar ações de recuperação das áreas degradadas e reforçar o monitoramento preventivo para o próximo ciclo seco.
Fonte: Agência Brasil

