Claudia Sheinbaum, a candidata progressista do partido Morena, está prestes a fazer história no México. A maioria dos institutos de pesquisa do país aponta a vitória de Claudia Sheinbaum, de 61 anos, como praticamente certa nas eleições deste domingo (2). Ela representa a continuidade do governo do atual presidente Andrés Manuel López Obrador, também do partido Morena e considerado de centro-esquerda.
De acordo com as pesquisas, Claudia Sheinbaum possui entre 52% e 60% das intenções de voto. Em segundo lugar, está a candidata Xóchitl Gálvez, cujas intenções variam de 21% a 36%. Jorge Álvarez Máynez ocupa a terceira posição, com índices entre 6% e 23%. No México, não há segundo turno, e vence o candidato que obtiver a maior quantidade de votos, independentemente da porcentagem.
Com mais de 99 milhões de eleitores aptos a votar, a eleição deste ano não se limita apenas à escolha do novo presidente. Os mexicanos também elegerão 128 senadores, 500 deputados federais e cerca de 20 mil cargos em eleições locais, incluindo prefeituras e câmaras de vereadores. Esta eleição é particularmente significativa, pois pode resultar na primeira mulher a ocupar a presidência do México, um marco na história política do país. A violência associada às eleições no México tem sido um tema recorrente. Este ano, ao menos 30 candidatos foram assassinados, a maioria deles concorrendo a prefeituras. Os dados são do Seminário Sobre Violência, grupo de estudos da universidade El Colégio de México. Em 2021, 32 candidatos foram mortos. A violência, em grande parte atribuída aos cartéis de droga, tem sido um dos principais temas de debate durante a campanha eleitoral. Claudia Sheinbaum destacou a redução da taxa de homicídios durante seu mandato como prefeita da Cidade do México, de 2018 a junho de 2023, como uma das principais conquistas de sua administração. Segundo ela, a capital mexicana registrou a menor taxa de homicídios desde 1989, caindo de 16 assassinatos por 100 mil habitantes em 2018 para 8 por 100 mil em 2022.
O sucesso das políticas sociais implementadas pelo governo de López Obrador tem sido um fator crucial no apoio a Claudia Sheinbaum. O presidente introduziu programas como a ajuda mensal para idosos, que beneficia milhões de mexicanos. “Todo idoso, tenha contribuído ou não à previdência, recebe uma quantia mensal que muitas vezes é a única coisa que os impede de passar fome,” explica Waldir Rampinelli, professor de história da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). Mario Farid Reyes Gordillo, doutorando em estudos latino-americanos na Universidade Nacional Autônoma do México (UNAM), reforça que Obrador conquistou o apoio dos mais pobres através dessas políticas sociais e do aumento do salário mínimo. Contudo, ele também aponta a fraqueza da direita mexicana, que ainda carrega a imagem de corrupção e repressão policial dos governos anteriores.
Claudia Sheinbaum tem um perfil progressista e de centro-esquerda. Cientista e pesquisadora nas áreas de energia, meio ambiente e desenvolvimento sustentável, ela também trabalhou no Painel Intergovernamental sobre Mudança do Clima (IPCC) e foi secretária do meio ambiente no governo de López Obrador na prefeitura da Cidade do México, em 2000. Especialistas como Rampinelli acreditam que Sheinbaum continuará as políticas de seu antecessor, focando em direitos humanos, meio ambiente e respeito às mulheres. No entanto, ela enfrentará desafios significativos, especialmente devido à dependência econômica do México em relação aos Estados Unidos, com 80% das exportações mexicanas indo para o país vizinho. A questão da imigração e a relação com os EUA serão temas centrais em seu governo, especialmente se Donald Trump vencer as próximas eleições norte-americanas.
Com duas das principais candidatas sendo mulheres, a agenda de direitos das mulheres ganhou destaque nas eleições. Mario Farid Reyes Gordillo observa que o movimento feminista teve uma participação política significativa durante o governo de López Obrador, o que pode influenciar a votação de muitas mulheres nesta eleição. Rampinelli ressalta que o México é conhecido por seu machismo, e a ascensão de Claudia Sheinbaum é um marco importante. “Ela se impôs como uma grande prefeita da Cidade do México e foi a candidata com mais chances de vencer,” comentou. O México, com quase 130 milhões de habitantes, tem a segunda maior economia da América Latina, atrás apenas do Brasil. Em 2023, a economia mexicana cresceu 3,2% do PIB, com a taxa de pobreza caindo de 43,9% em 2020 para 36,3% em 2022. As relações comerciais entre Brasil e México também têm se fortalecido, com as exportações brasileiras para o México crescendo 74% entre 2019 e 2023, apesar da pandemia. Os dados do comércio exterior entre Brasil e México são da Secretaria de Comércio Exterior (Secex), ligada ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, e indicam um aumento significativo nas importações e exportações entre os dois países nos últimos anos. Em suma, Claudia Sheinbaum está prestes a marcar uma nova era na política mexicana, enfrentando desafios internos e externos enquanto busca continuar o legado progressista de seu antecessor.
Fonte: Agência Brasil

