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Desconhecimento de direitos trabalhistas ainda compromete proteção do trabalhador no Brasil

Advogados e entidades sindicais alertam que parte da população desconhece garantias básicas previstas na CLT e nos acordos coletivos, como 13º salário, férias e normas de segurança.

03/05/2025
© CNI/José Paulo Lacerda/Direitos reservados

© CNI/José Paulo Lacerda/Direitos reservados

O desconhecimento dos direitos trabalhistas garantidos pela Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) ainda representa um dos principais obstáculos para que os trabalhadores brasileiros tenham pleno acesso às proteções legais e garantias básicas previstas pela legislação. Desde questões elementares, como o pagamento de horas extras e o direito ao 13º salário, até tópicos mais específicos, como normas de saúde e segurança no trabalho, ainda geram dúvidas e insegurança entre boa parte da população economicamente ativa.

“Há toda uma geração que não sabe o que é 13º salário; o que são férias e o direito a pausas no trabalho”, alerta o advogado José Eymar Loguercio, especialista em direito trabalhista e assessor jurídico de entidades sindicais. Segundo ele, o desconhecimento vai além das garantias previstas na CLT e se estende a benefícios negociados coletivamente, como planos de saúde, auxílio-doença e tíquete-alimentação.

Loguercio defende que os sindicatos precisam romper a bolha da representação tradicional e se aproximar de novos perfis de trabalhadores. “É necessário dialogar com quem está entrando no mercado de trabalho ou atua de forma precarizada e sequer sabe que tem direitos garantidos por lei”, enfatiza.

No entanto, ele reconhece que a tarefa não é simples, diante das transformações recentes nas dinâmicas de trabalho. A antiga estrutura fabril e os escritórios hierarquizados, que facilitaram a organização sindical ao longo do século XX, vêm sendo substituídos por formas mais dispersas e flexíveis de atuação profissional, o que dificulta a atuação tradicional dos sindicatos. “O trabalho está cada vez mais fragmentado, em tentáculos. E isso exige uma nova abordagem de representação e orientação”, conclui o advogado.

Outro especialista na área, Antonio Megale, assessor jurídico da Central Única dos Trabalhadores (CUT) e sócio do escritório LBS Advogadas e Advogados, chama atenção para a falta de conhecimento não apenas das leis formais, mas também das conquistas obtidas em acordos e convenções coletivas. “Muitos trabalhadores desconhecem direitos adicionais que foram obtidos por meio de negociação entre empresas e sindicatos, como benefícios específicos ou condições diferenciadas de jornada”, explica.

Megale destaca ainda que os direitos ligados à saúde e segurança ocupacional são frequentemente negligenciados. Um exemplo claro é a Comunicação de Acidente de Trabalho (CAT). Embora a responsabilidade formal pela emissão do documento seja da empresa, o próprio trabalhador ou seu sindicato pode registrar a ocorrência diretamente pelo aplicativo ou site do Meu INSS. “Essa é uma informação que pode fazer diferença entre o trabalhador receber o tratamento adequado ou não em caso de acidente laboral”, enfatiza.

Para auxiliar na disseminação das informações, o Ministério do Trabalho disponibiliza em seu portal o Espaço do Trabalhador, que oferece uma lista detalhada de direitos garantidos pela legislação. Ali, é possível consultar informações sobre registro em carteira (CTPS), pagamento de salário, jornada de trabalho, férias, 13º salário, vale-transporte, horas extras e outros tópicos essenciais para a proteção do trabalhador.

Entre os principais direitos listados, estão:

  • Registro em carteira de trabalho (CTPS): obrigatório para qualquer relação formal de trabalho.

  • Pagamento do salário até o 5º dia útil do mês subsequente ao trabalhado.

  • Direito a férias anuais remuneradas de 30 dias, com adicional de um terço do salário.

  • 13º salário: pagamento adicional correspondente a um salário por ano, geralmente dividido em duas parcelas.

  • Horas extras: devem ser pagas com, no mínimo, 50% de acréscimo sobre o valor da hora normal.

  • Vale-transporte e descanso semanal remunerado.

  • Ambiente seguro e medidas de proteção à saúde do trabalhador.

Para os especialistas, ampliar o acesso a esse conhecimento é um passo fundamental para garantir dignidade e justiça no mundo do trabalho. “Informação é poder. Quando o trabalhador conhece seus direitos, ele pode exigir o cumprimento da lei e buscar meios legais de proteção”, finaliza Megale.

Fonte: Agência Brasil

Tags: 13º Salárioacidentes de trabalhoCLTconvenção coletivadireitos trabalhistasfériasjornada de trabalhoMinistério do Trabalhosaúde do trabalhadorsindicatos
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