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Exposição destaca obras residenciais de Ruy Ohtake e inaugura novo espaço cultural em São Paulo

Mostra reúne projetos habitacionais do arquiteto entre as décadas de 1960 e 2010 e marca a abertura da Casa-ateliê Tomie Ohtake para programação cultural aberta ao público.

19/03/2026
© CNelson Kon/Divulgação

© CNelson Kon/Divulgação

A exposição Percursos do habitar, dedicada à obra do arquiteto Ruy Ohtake, marca a abertura da Casa-ateliê Tomie Ohtake como um novo espaço de programação cultural do Instituto Tomie Ohtake. A iniciativa amplia as atividades culturais da instituição, com eventos, exposições e debates voltados à arquitetura, ao design e às artes em geral.

Instalado no bairro do Campo Belo, na cidade de São Paulo, o espaço ocupa a antiga residência da artista nipo-brasileira Tomie Ohtake. O local agora passa a receber programação aberta ao público, oferecendo uma nova oportunidade de contato com obras e reflexões sobre arquitetura e urbanismo.

A mostra, intitulada Ruy Ohtake – Percursos do habitar, ficará em cartaz até 31 de maio e apresenta seis projetos residenciais desenvolvidos pelo arquiteto ao longo de cinco décadas, entre os anos 1960 e 2010.

O conjunto evidencia a visão de Ohtake sobre a moradia como espaço fundamental de convivência, memória e construção das relações do cotidiano.

Arquitetura como experiência de convivência

Com curadoria de Catalina Bergues e Sabrina Fontenele, a exposição reúne cinco residências unifamiliares projetadas pelo arquiteto em diferentes momentos de sua trajetória profissional.

Entre elas está a própria Casa-ateliê Tomie Ohtake, construída em 1966, considerada uma das obras mais emblemáticas da arquitetura residencial do arquiteto.

Também fazem parte da mostra a Residência Chiyo Hama (1967), a Residência Nadir Zacarias (1970), a Residência Domingos Brás (1989) e a Residência Zuleika Halpern (2004).

Além dessas casas, a exposição apresenta o projeto do Condomínio Residencial Heliópolis, desenvolvido entre 2008 e 2009. O empreendimento habitacional ficou conhecido popularmente como “Redondinhos”, devido ao formato característico de suas edificações.

Segundo as curadoras, os projetos reunidos evidenciam como o arquiteto refletia sobre diferentes formas de habitar a cidade e construir espaços de convivência.

O conceito de casa-praça

Um dos aspectos centrais da obra de Ruy Ohtake explorados na exposição é o conceito de casa-praça, ideia desenvolvida pelo arquiteto ao longo de sua carreira.

Nesse modelo arquitetônico, a residência deixa de ser apenas um espaço privado e passa a funcionar também como local de convivência ampliada.

De acordo com Catalina Bergues, as casas projetadas por Ohtake privilegiam áreas comuns mais amplas, destinadas ao encontro entre moradores e visitantes.

“As residências se configuram como lugares voltados ao encontro: as áreas comuns são ampliadas e valorizadas, enquanto os ambientes íntimos são reduzidos à sua dimensão essencial”, explicou a curadora.

Outro elemento marcante na arquitetura do profissional é o uso da luz natural como elemento organizador dos espaços.

“A luz desempenha o papel de regente da organização espacial: ora pontual, ora difusa, ela se articula a jardins internos e recuos, orientando o percurso doméstico e tensionando os limites entre interior e exterior”, acrescentou Bergues.

Maquetes, fotografias e registros históricos

Para apresentar os projetos ao público, a exposição reúne diferentes tipos de materiais que ajudam a compreender o processo criativo e as transformações dessas construções ao longo do tempo.

Entre os itens expostos estão maquetes das residências e do conjunto habitacional de Heliópolis, além de fotografias históricas das obras e registros contemporâneos.

Também fazem parte da mostra desenhos técnicos e croquis elaborados durante a concepção dos projetos.

Esses documentos permitem acompanhar como as ideias arquitetônicas foram desenvolvidas e adaptadas ao longo das diferentes etapas de planejamento e construção.

Segundo as curadoras, a reunião desses materiais oferece uma visão mais ampla da trajetória profissional de Ruy Ohtake e de sua contribuição para a arquitetura brasileira.

Relatos de moradores

Outro destaque da exposição é um conjunto de vídeos com depoimentos de pessoas que viveram ou vivem nas residências projetadas pelo arquiteto.

Nos relatos, moradores compartilham experiências sobre o cotidiano nesses espaços, abordando aspectos como convivência familiar, organização dos ambientes e relação com a arquitetura das casas.

Os depoimentos ajudam a compreender como os projetos concebidos por Ohtake influenciam a vida diária de quem habita esses espaços.

Arquitetura e inclusão social

A exposição também destaca a atuação do arquiteto na defesa de espaços públicos de qualidade como instrumento de inclusão social.

Essa preocupação aparece especialmente no projeto desenvolvido para a comunidade de Heliópolis, uma das maiores comunidades da cidade de São Paulo.

No local, Ruy Ohtake trabalhou em parceria com lideranças comunitárias para desenvolver projetos urbanísticos e equipamentos públicos voltados à melhoria da qualidade de vida dos moradores.

Entre essas iniciativas estão o CEU Heliópolis e o conjunto habitacional conhecido como “Redondinhos”.

Segundo as curadoras, os depoimentos de lideranças comunitárias incluídos na exposição ajudam a ampliar a compreensão sobre o impacto social dessas iniciativas.

“Os depoimentos em vídeo dessas lideranças ampliam essa perspectiva, situando o habitar como experiência coletiva e urbana”, afirmaram.

Ao reunir projetos residenciais, materiais históricos e relatos de moradores, a exposição busca mostrar como a arquitetura pode contribuir para repensar formas de convivência, ocupação da cidade e construção de espaços mais inclusivos.

Com a abertura da Casa-ateliê Tomie Ohtake ao público, o Instituto Tomie Ohtake amplia também o debate sobre arquitetura e urbanismo, consolidando o espaço como um novo ponto de encontro cultural na capital paulista.

Fonte : Agência Brasil

Tags: arquitetura brasileiraarquitetura residencialCasa-ateliê Tomie Ohtakecultura em São Paulodesign e artesexposição de arquiteturahistória da arquiteturaInstituto Tomie OhtakeRuy OhtakeUrbanismo
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