A Fenearte 2025, a 25ª edição da Feira Nacional de Negócios do Artesanato, encerra neste domingo (20), no Centro de Convenções de Pernambuco, em Olinda, após 12 dias de intensas atividades. Com o tema “A Feira das Feiras”, o evento resgatou o espírito das tradicionais feiras livres do Norte e Nordeste brasileiro e contou com a presença de mais de 700 expositores, oficinas de capacitação, desfiles de moda artesanal, apresentações culturais e shows musicais.
A feira, considerada a maior do segmento na América Latina, é organizada pelo Governo de Pernambuco por meio da Agência de Desenvolvimento Econômico de Pernambuco (Adepe), e reúne expositores de todos os estados brasileiros e de países como Japão, África do Sul, Rússia e Turquia. Um dos destaques mais vibrantes desta edição foi a forte presença de artesãos indígenas, que ocuparam os espaços com peças que expressam a profundidade cultural de seus povos.
Os números finais da Fenearte 2025 ainda serão divulgados oficialmente, mas a expectativa da organização é manter ou superar os dados da edição passada, que movimentou R$ 108 milhões, recebeu cerca de 320 mil visitantes e teve aprovação de 98,6% do público.
No pavilhão de exposições, a arte indígena se fez presente com potência e beleza. Etnias como Funil-ô, Atikum, Xukuru, Pankará, Kapinawá, Kambiwá, Truká e Pankararu, todas de Pernambuco, ficaram concentradas na chamada Rua 18. Também participaram indígenas de outros estados, como o povo Terena, do Mato Grosso do Sul.
Luiz Carlos Frederico, da etnia Funil-ô, de Águas Belas (PE), vendeu inúmeros finehos, apitos que imitam sons de pássaros. “Isso é muito simbólico para a gente, pois os pássaros têm uma representatividade muito importante na nossa cultura. São eles que sinalizam quais frutos podemos comer na natureza. E apitar durante a Fenearte é uma forma de nos comunicarmos com eles, pedindo paz e harmonia para o evento”, explicou o artesão.
Para Maria da Saúde Batalha, da etnia Pankararu, de Petrolândia (PE), mais do que as vendas de bijuterias e produtos em algodão cru, como redes e roupas de cama, estar presente na feira tem um valor afetivo e simbólico inestimável. “Ainda não coloquei na ponta do lápis, mas a renda sempre é muito boa. Mais do que vender, o que mais me dá prazer é estar aqui representando meu povo. Quando apareço na internet ou nas filmagens da imprensa, minha família da aldeia me liga feliz, comemorando que saímos em algum lugar. A minha maior felicidade é poder trazer o nome e a tradição do meu povo para o Recife e para outras regiões”, afirmou.
Outro exemplo marcante foi o de Dilma Terena, do povo Terena, do Mato Grosso do Sul. A artesã vendeu todas as 50 peças em argila que levou para o evento. “Eu não achava que ia vender tudo tão rápido assim. É a primeira vez que saio do meu estado, que viajo de avião e que participo de uma feira desse tamanho. Estou muito feliz e espero voltar no próximo ano”, relatou, emocionada.
A Fenearte tem se consolidado como espaço fundamental para a valorização do artesanato brasileiro e a integração de culturas tradicionais ao circuito econômico formal. O evento fomenta o empreendedorismo criativo e funciona como vitrine para que artesãos ganhem reconhecimento nacional e internacional.
A presença de etnias indígenas reforça um dos objetivos centrais da feira: preservar e difundir os saberes ancestrais por meio da arte manual, promovendo o intercâmbio cultural e o protagonismo de povos historicamente marginalizados. Além do impacto econômico, a Fenearte se firma como importante instrumento de afirmação identitária e de resistência cultural.
Para quem visitou a feira, além da variedade e da riqueza estética dos produtos, ficou a experiência de um Brasil plural e vivo, expresso nas cores, formas, sons e histórias contadas pelas mãos dos artesãos. A cada edição, a Fenearte amplia seu papel como elo entre passado e futuro, tradição e inovação, arte e mercado.
Fonte: Agência Brasil

