O setor de materiais de construção iniciou o segundo semestre de 2025 com sinais discretos, porém consistentes, de recuperação. De acordo com dados divulgados pela Associação Brasileira da Indústria de Materiais de Construção (Abramat), o faturamento da indústria registrou crescimento de 0,5% em junho em comparação com o mês anterior. Já em relação a junho de 2024, a alta foi de 1,1%.
Esses números, embora modestos, são interpretados pela entidade como indicativos de retomada gradual, especialmente sustentada pelo desempenho dos chamados materiais básicos — grupo que inclui cimento, aço, cerâmica e outros insumos essenciais da construção civil. A projeção da Abramat para 2025 é de um crescimento de 2,8% no faturamento anual do setor, frente ao desempenho de 2024.
“Os dados do Índice Abramat mostram um cenário de leve retomada, impulsionado principalmente pelo desempenho dos materiais básicos. A expectativa de crescimento de 2,8% no ano demonstra resiliência do setor, mesmo diante de desafios macroeconômicos e da cautela do mercado”, avaliou o presidente da entidade, Paulo Engler. Ele destacou ainda que o compromisso da associação é continuar trabalhando por um ambiente de negócios mais competitivo e sustentável, com previsibilidade e diálogo institucional.
Ambiente econômico desafiador
Apesar do avanço registrado, o setor ainda navega em um ambiente macroeconômico desafiador. A inflação dos custos de produção, os juros elevados e a instabilidade no ritmo das obras públicas e privadas impactam diretamente o desempenho da indústria da construção. Ainda assim, a Abramat aposta na resiliência das empresas do setor e na demanda reprimida por habitação e infraestrutura como fatores que podem impulsionar o desempenho nos próximos meses.
A entidade também ressalta a importância de políticas públicas que incentivem a retomada de investimentos, como programas de habitação popular e obras de infraestrutura urbana, além de medidas de crédito e financiamento para o setor imobiliário.
Segmentação do crescimento
O levantamento da Abramat aponta que a alta no faturamento é puxada majoritariamente pelos materiais básicos, que apresentaram desempenho superior em relação aos materiais de acabamento — como tintas, revestimentos e metais sanitários. Isso indica uma retomada ainda concentrada nas etapas iniciais de construção, possivelmente relacionadas à retomada de obras interrompidas ou novos empreendimentos iniciando os primeiros estágios.
Já os materiais de acabamento, tradicionalmente mais sensíveis ao consumo das famílias e às decisões de reformas, ainda demonstram desempenho mais tímido, o que pode estar ligado à cautela do consumidor final e à limitação de acesso ao crédito.
Expectativas para o segundo semestre
Para o restante do ano, a expectativa da Abramat é de que o setor mantenha uma trajetória de crescimento moderado. A aproximação de períodos tradicionalmente mais aquecidos para o setor, como o segundo semestre, quando as obras costumam ser aceleradas para conclusão antes do fim do ano, pode contribuir para melhores resultados.
Além disso, a previsão de melhoria nos indicadores macroeconômicos, como uma possível redução nas taxas de juros e maior estabilidade no cenário fiscal, pode favorecer o ambiente de investimentos em construção civil e infraestrutura.
A Abramat seguirá monitorando os indicadores de mercado e dialogando com o governo e setores correlatos para fomentar ações que garantam previsibilidade e incentivo à produção industrial, inovação tecnológica e práticas sustentáveis no setor.
Com mais de 30 anos de atuação, a associação representa os principais fabricantes de materiais de construção do país, sendo uma voz ativa na formulação de políticas públicas voltadas para o desenvolvimento da indústria nacional.
Fonte : Agência BrasilO setor de

