Durante visita oficial ao Vaticano, o vice-presidente da República, Geraldo Alckmin, entregou neste domingo (18) uma carta do presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao novo Papa Leão XIV. O documento convida Sua Santidade para uma visita oficial ao Brasil, com destaque especial para a COP30, que será realizada em novembro, na cidade de Belém, no Pará. A entrega da carta ocorreu após Alckmin participar da missa que marcou o início do pontificado do novo líder da Igreja Católica.
De acordo com a assessoria da Vice-Presidência, a mensagem assinada por Lula também faz referência ao bicentenário das relações diplomáticas entre o Brasil e a Santa Sé, que será celebrado em 2026. O gesto reforça não apenas os laços históricos e religiosos entre os dois Estados, mas também a cooperação mútua em pautas sociais, humanitárias e ambientais.
“Quero destacar a honra de representar o governo brasileiro no início do pontificado do Papa Leão XIV, trazer os cumprimentos do presidente Lula ao chefe de Estado do Vaticano e ao líder espiritual da Igreja Católica Apostólica Romana. E trouxe o convite do presidente Lula para o Papa Leão XIV visitar o Brasil, especialmente, na COP30, em novembro, em Belém”, afirmou Alckmin durante o encontro.
Cooperação espiritual e ambiental
A COP30, sigla para a 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima, é um dos eventos diplomáticos e ambientais mais importantes do mundo. A edição deste ano, sediada pela primeira vez na região amazônica brasileira, reúne chefes de Estado, cientistas, representantes da sociedade civil, ONGs e empresas para discutir estratégias de enfrentamento à crise climática global.
A expectativa é que a conferência, marcada para acontecer entre os dias 10 e 21 de novembro, atraia grande atenção internacional devido ao simbolismo de sua realização na floresta amazônica, considerada essencial para o equilíbrio climático do planeta. A presença do Papa Leão XIV no evento seria um reforço político e espiritual de peso à pauta ambiental, dada sua já conhecida preocupação com as questões climáticas, como expressado por seus antecessores, especialmente nas encíclicas papais voltadas à ecologia.
Segundo Alckmin, o novo Papa “traz uma grande esperança para toda a humanidade ao promover a paz”, destacando o papel do Vaticano como um influente mediador global em temas sociais, humanitários e ambientais.
Diálogo diplomático
Além da participação na missa inaugural do novo pontificado, o vice-presidente também manteve reuniões diplomáticas com cardeais brasileiros e com o arcebispo Paul Richard Gallagher, secretário para as Relações com os Estados e Organizações Internacionais da Santa Sé. Os encontros ocorreram na Embaixada do Brasil junto à Santa Sé, em Roma, e trataram de temas bilaterais e globais, com foco em paz, justiça social e desenvolvimento sustentável.
A carta de Lula, segundo fontes do governo, também expressa o desejo do Brasil de ampliar o diálogo com o Vaticano em iniciativas conjuntas voltadas à defesa dos direitos humanos, combate à fome e promoção do cuidado com a Casa Comum – expressão frequentemente utilizada pela Igreja Católica para se referir ao planeta Terra.
Laços históricos entre Brasil e Vaticano
O Brasil e a Santa Sé mantêm relações diplomáticas desde 1826, o que faz dessa ligação uma das mais antigas da política externa brasileira. Essa relação se intensificou nos últimos anos com a participação ativa do Vaticano em temas relevantes para o Sul Global, como mudanças climáticas, migração, desigualdade social e justiça ambiental.
A visita de um Papa ao Brasil sempre carrega forte impacto simbólico. O último a visitar o país foi o Papa Francisco, em 2013, durante a Jornada Mundial da Juventude, no Rio de Janeiro. O convite para que Leão XIV venha à COP30 em Belém, portanto, não apenas renova os laços entre os dois Estados, mas também sinaliza ao mundo a importância do papel da fé e da espiritualidade na defesa do meio ambiente e da justiça climática.
Expectativas para a COP30
O governo brasileiro aposta alto na COP30 como uma oportunidade para recolocar o país no centro das discussões internacionais sobre o clima. A escolha de Belém como sede visa dar visibilidade aos povos da Amazônia e à necessidade urgente de preservar a maior floresta tropical do mundo.
Se aceitar o convite, o Papa Leão XIV poderá discursar diante de líderes mundiais sobre os deveres éticos da humanidade em relação ao meio ambiente, reforçando a interseção entre fé, ciência e ação climática.
A presença de uma figura religiosa com influência global pode ser decisiva para sensibilizar chefes de Estado e acelerar compromissos concretos durante a conferência.
Fonte: Agência Brasil

