A ministra do Meio Ambiente e Mudança do Clima, Marina Silva, defendeu nesta sexta-feira (5), em Adis Abeba, Etiópia, o fim dos combustíveis fósseis e do desmatamento, ressaltando que a transição precisa ser justa e adaptada às realidades econômicas, sociais e ambientais de cada país. A declaração ocorreu no encerramento do Balanço Ético Global, iniciativa liderada pelo Brasil em parceria com as Nações Unidas (ONU) para ampliar a participação da sociedade civil na COP30, que será realizada em novembro de 2025, em Belém (PA).
“Precisamos iniciar o planejamento de forma justa para o fim do desmatamento e o fim dos combustíveis fósseis. Não podemos mais continuar sem atacar as causas da mudança do clima”, afirmou Marina.
A ministra destacou que as principais fontes de emissão de gases de efeito estufa — a queima de combustíveis fósseis e o desmatamento — exigem ações integradas que levem em conta as condições específicas de cada nação. “É preciso considerar diferenças, necessidades e circunstâncias nacionais, abordando o problema tanto pela produção quanto pelo consumo, com prioridade para os mais vulnerabilizados”, acrescentou.
Desafios da transição energética
Marina Silva alertou que o grande desafio da transição energética é garantir que países com limitações econômicas tenham condições de abandonar o uso de carvão, lenha e outras fontes poluentes. “O objetivo é acelerar a adoção de energias renováveis e apoiar as nações que ainda dependem de combustíveis fósseis, para que tenham alternativas viáveis”, pontuou.
O evento contou com a participação de representantes de governos, organizações internacionais e sociedade civil, reforçando o papel estratégico da COP30 na definição de metas concretas para conter o aquecimento global.
Resistência e interesses econômicos
A ministra também alertou sobre a resistência de setores poderosos contra políticas climáticas. Segundo ela, há atores influentes, com tecnologia e recursos financeiros, que se opõem às mudanças necessárias. Como exemplo, citou o retorno de Donald Trump à presidência dos Estados Unidos e sua decisão de retirar o país do Acordo de Paris — pacto global para limitar o aumento da temperatura média do planeta a 1,5 ºC acima dos níveis pré-industriais.
No primeiro mandato, Trump já havia adotado essa medida, revertida temporariamente por Joe Biden. Agora, ele voltou a flexibilizar a exploração de petróleo, encerrar subsídios para veículos elétricos e enfraquecer políticas de transição energética. Grandes empresas de tecnologia norte-americanas, como Meta, Apple, Microsoft e OpenAI, manifestaram apoio às ações do governo, comprometendo-se com investimentos domésticos.
Financiamento climático
Marina lembrou que, após mais de três décadas de negociações, foi apenas na COP28, realizada em 2023 nos Emirados Árabes Unidos, que os países reconheceram formalmente a necessidade de abandonar os combustíveis fósseis, triplicar a capacidade de energia renovável e dobrar a eficiência energética.
Para a COP30, o Brasil espera estabelecer metas e mecanismos de financiamento que permitam atingir desmatamento zero até 2030 e garantir a transição energética justa. Na COP29, no Azerbaijão, foi acordado que as nações desenvolvidas devem destinar pelo menos US$ 300 bilhões anuais até 2035 para apoiar países em desenvolvimento, com a meta de chegar a US$ 1,3 trilhão por ano até o mesmo período.
“Todos têm condições para fazer essa transição? Claro que não. Por isso, será preciso ajudar os que não possuem recursos. A presidência brasileira da COP30 quer criar os mecanismos para viabilizar esse financiamento”, explicou a ministra.
Com a proximidade da conferência em Belém, o governo brasileiro busca consolidar acordos que combinem justiça climática, preservação ambiental e desenvolvimento econômico inclusivo, reforçando o papel do país como liderança global nas negociações ambientais.
Fonte: Agência Brasil

