O preço dos combustíveis pode sofrer uma redução nas próximas semanas, segundo indicou o ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, durante participação na cúpula do Brics, realizada nesta segunda-feira (7), no Rio de Janeiro. De acordo com o ministro, a possibilidade de queda nos valores da gasolina e do diesel está diretamente ligada à estabilidade do petróleo no mercado internacional.
“Há uma real possibilidade de redução no preço da gasolina e do diesel nas próximas semanas, caso o preço do petróleo mantenha a estabilidade atual. Estávamos muito apreensivos com a guerra entre Israel e Irã, mas a tensão diminuiu, e isso nos dá uma perspectiva mais favorável”, afirmou Silveira.
A declaração acontece em meio ao monitoramento do governo federal sobre a oscilação de preços dos combustíveis, tanto no mercado externo quanto nas bombas de abastecimento no país. O ministro frisou que o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva tem se empenhado para assegurar que os reajustes feitos pela Petrobras cheguem ao consumidor final de forma justa.
Fiscalização contra abusos
Segundo Silveira, o governo está atuando de forma fiscalizatória para impedir que possíveis quedas anunciadas pela Petrobras sejam neutralizadas por aumentos nos postos de combustível. “O presidente Lula vem cobrando reiteradamente que a Petrobras repasse as reduções para os consumidores, e nós estamos vigilantes. O papel do governo é construir justiça tarifária no Brasil”, disse.
A política de preços da Petrobras, que leva em conta o mercado internacional, tem sido tema recorrente de debate no país, sobretudo por conta do impacto direto sobre a inflação e o custo de vida da população. O governo federal tem buscado meios de tornar a formação dos preços mais transparente e justa, sem abrir mão do equilíbrio financeiro da estatal.
Brics e sustentabilidade
Durante a reunião de cúpula do Brics, que reúne Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul, a sustentabilidade foi um dos temas centrais discutidos. Silveira destacou a importância do bloco como fórum internacional estratégico, não apenas para articulações políticas e econômicas, mas também para impulsionar o financiamento da transição energética.
“O Brics é fundamental para pensar soluções globais. Uma das estratégias é viabilizar financiamento para a transição energética por meio do Banco do Brics. O mundo precisa evoluir para uma matriz energética mais limpa, e esse bloco tem protagonismo nesse processo”, defendeu.
Um dos caminhos apontados por Silveira para essa transição é a extração dos chamados minerais críticos, como lítio, nióbio e terras raras — insumos essenciais para tecnologias limpas, como baterias, painéis solares e turbinas eólicas. O Brasil possui importantes reservas desses materiais, assim como outros membros do Brics.
“Somos ricos em recursos estratégicos para o futuro energético do planeta. Mas precisamos tratar isso com responsabilidade, buscando o equilíbrio entre desenvolvimento econômico e a legislação ambiental”, pontuou o ministro.
Desafios da transição energética
Silveira também chamou atenção para os desafios que envolvem a transição energética em países em desenvolvimento, como o Brasil. Embora possua uma matriz energética das mais limpas do mundo, o país ainda precisa investir fortemente em infraestrutura, tecnologia e inovação para consolidar um modelo sustentável e inclusivo.
“O Brasil tem muito a oferecer ao mundo nessa agenda. Temos experiência, recursos naturais e um compromisso claro com a sustentabilidade. Agora é o momento de transformarmos isso em liderança global, com políticas públicas e financiamento adequado”, reforçou.
A participação do Brasil no Brics tem sido apontada como estratégica para a construção de novas parcerias e fontes de financiamento. Além do aspecto ambiental, o país defende que a transição energética seja conduzida com justiça social e inclusão, especialmente para as populações mais vulneráveis.
Expectativa nas próximas semanas
Com o cenário internacional mais estável e a pressão do governo sobre a cadeia de distribuição dos combustíveis, há uma expectativa de que os brasileiros comecem a sentir alívio nos preços nos postos em breve. A última redução anunciada pela Petrobras ainda não foi totalmente repassada aos consumidores, segundo o Ministério de Minas e Energia.
“O que queremos é que a política de preços da Petrobras beneficie de fato o consumidor final, e que os brasileiros tenham acesso a combustíveis mais baratos, como resultado do nosso esforço conjunto. Esse é o nosso compromisso”, concluiu Silveira.
Fonte: Agência Brasil

