Em uma importante ação voltada à memória afro-brasileira, o Museu de Astronomia e Ciências Afins (Mast) e o Instituto de Pesquisas e Estudos Afro-Brasileiros (Ipeafro) firmaram uma parceria para digitalizar mais de 250 cartazes históricos pertencentes ao acervo do Ipeafro. A iniciativa visa preservar e difundir documentos fundamentais para a compreensão da trajetória do movimento negro no Brasil, ao mesmo tempo em que celebra o Biênio Abdias Nascimento (2024-2025).
A digitalização do acervo representa um passo significativo na valorização da cultura e da história dos povos negros, reforçando o compromisso das instituições com a preservação da memória social. Esses cartazes, que em muitos casos foram utilizados em mobilizações e eventos históricos, são testemunhos visuais da luta por igualdade racial e pelo reconhecimento da contribuição negra na construção da sociedade brasileira.
Para Clícea Maria Miranda, diretora de Preservação e Gestão do Acervo do Ipeafro, a parceria simboliza um avanço no reconhecimento institucional das contribuições negras nas áreas da cultura, história e ciência.
“A parceria com o Mast, uma instituição pública da área da ciência e tecnologia, revela o reconhecimento da atuação dos povos negros na construção da cultura, da história e das ciências no Brasil e no mundo”, destacou a diretora.
De acordo com Everaldo Pereira Frade, chefe do Serviço de Arquivo de História da Ciência (SEAHC-Mast), o acordo reforça o papel do Mast como centro de referência na preservação de arquivos científicos e históricos, especialmente no que diz respeito à representatividade negra na produção de conhecimento.
“A parceria é importante por focar na preservação do acervo de Abdias Nascimento, um símbolo das lutas pela igualdade, mas também por colocar o Mast como referência na captação e tratamento de arquivos pessoais de cientistas negros”, afirmou.
Exposição “Memória Negra em Cartaz(es)”
Como parte das ações do Acordo de Cooperação Técnica, o Mast e o Ipeafro promoverão, no dia 17 de novembro, um evento de abertura ao público, a partir das 13h30, no Museu de Astronomia e Ciências Afins, localizado em São Cristóvão, no Rio de Janeiro.
Durante o evento, será inaugurada a exposição “Memória Negra em Cartaz(es)”, que apresentará parte dos cartazes do acervo do Ipeafro. As peças retratam momentos históricos e mobilizações do movimento negro brasileiro, revelando o papel da arte e da comunicação visual como ferramentas de resistência e conscientização social.
Além da mostra, o público poderá participar da mesa-redonda “Evocação dos Ausentes”, que reunirá pesquisadores do projeto para discutir o apagamento histórico de pessoas negras na ciência e em outras esferas da sociedade. O debate pretende evidenciar a importância de políticas públicas e iniciativas culturais que reconheçam e valorizem a presença negra na produção científica e cultural do país.
Biênio Abdias Nascimento: celebração e legado
O projeto integra as comemorações do Biênio Abdias Nascimento 2024-2025, promovido pelo Ipeafro. O período celebra os 110 anos de nascimento de Abdias Nascimento, os 80 anos da criação do Teatro Experimental do Negro (TEN) e os 75 anos do 1º Congresso do Negro Brasileiro — marcos fundamentais na história da luta antirracista no Brasil.
Abdias Nascimento (1914–2011) foi um ativista antirracista, ator, dramaturgo, professor e político, reconhecido internacionalmente por sua dedicação à defesa dos direitos humanos e à valorização da cultura negra. Entre suas principais realizações estão a criação do Teatro Experimental do Negro, do Museu de Arte Negra e do próprio Ipeafro, instituições que até hoje inspiram ações voltadas à igualdade racial e à afirmação da identidade afro-brasileira.
O Biênio busca não apenas homenagear sua trajetória, mas também reafirmar a importância de manter viva a memória coletiva construída por intelectuais, artistas e militantes negros. Ao unir preservação histórica, tecnologia e reflexão crítica, a parceria entre o Mast e o Ipeafro consolida-se como um marco na promoção de uma sociedade mais justa e inclusiva, em que o legado de Abdias Nascimento continua iluminando o caminho da resistência e do conhecimento.
Fonte: Agência Brasil
