O Museu do Pontal, na Barra da Tijuca, Rio de Janeiro, celebra o mês de novembro com uma programação vibrante dedicada à Consciência Negra e à ancestralidade afro-brasileira. O espaço se transforma em palco de festas, exposições e apresentações musicais, que valorizam a cultura popular e as tradições africanas e afro-diaspóricas.
Logo no primeiro fim de semana do mês, o público infantil é convidado a mergulhar no universo das narrativas africanas com a contadora de histórias Paulinha Cavalcanti, em Contos Africanos, uma sessão de histórias repletas de música e encantamento. No sábado (1º), às 16h, ela apresenta Negras Palavras, espetáculo baseado em lendas e fábulas africanas que destacam a sabedoria e os valores transmitidos oralmente de geração em geração.
No domingo (2), também às 16h, será a vez da escritora e contadora Anamô Soares conduzir o público jovem por uma experiência literária e musical. Sua apresentação, igualmente intitulada Negras Palavras, convida crianças e adolescentes a conhecerem autores negros e obras da literatura afro-brasileira. A programação inclui visita à biblioteca do museu, que abriga 50 títulos de literatura infanto-juvenil voltados à representatividade e à valorização da identidade negra.
Exposições destacam a herança afro-brasileira
A celebração se estende no fim de semana seguinte com três grandes exposições que homenageiam a herança africana nas manifestações culturais brasileiras.
No sábado (8), às 15h, será inaugurada a mostra coletiva Festas, Sambas e Outros Carnavais, que reúne mais de 60 artistas de dez estados. A exposição, com esculturas, pinturas e fotografias, já passou por São Paulo e Belém antes de chegar ao Rio. Entre os destaques estão os trabalhos de Guilherme Kid, Manuela Navas, Elian Almeida, Juan Pablo e Rona, que representam diferentes expressões da arte popular e urbana.
As obras retratam a força das festas populares como o samba, o jongo, o maracatu, o boi-bumbá e o carimbó, explorando as raízes africanas dessas manifestações. Haverá ainda homenagens a grandes nomes da música brasileira — Cartola, Dona Ivone Lara, Pixinguinha, Martinho da Vila, Luiz Gonzaga e Dona Onete — por meio de obras de artistas como Walter Firmo, Ismael Silva, Sérgio Vidal e Adalton Lopes.
No domingo (9), às 15h, o museu inaugura a exposição Sérgio Vidal: nas batucadas da vida, a primeira retrospectiva dedicada ao artista carioca de 80 anos, cujas obras retratam o cotidiano dos subúrbios do Rio de Janeiro. Autodidata, Vidal teve sua trajetória inspirada em Heitor dos Prazeres, de quem foi discípulo e admirador. Suas pinturas, marcadas por cores vibrantes e cenas de festas populares, compõem um importante registro da vida e da cultura afro-carioca.
Tributo a Naná Vasconcelos
Outra atração marcante será a mostra Ocupação Naná Vasconcelos – Uma Experiência Imersiva, que homenageia o percussionista pernambucano reconhecido mundialmente. Com fotografias, instrumentos e gravações, a exposição propõe uma vivência sensorial e afetiva da obra de Naná Vasconcelos, artista que uniu o jazz à musicalidade afro-brasileira e tornou o berimbau símbolo da cultura popular no mundo.
A abertura, no dia 9 de novembro, contará com o show Tá na Roda Tá, às 16h30, com participações de Lui Coimbra, Carlos Malta, Bernardo Aguiar, Aline Paes e Negadeza, além da presença de Patrícia Vasconcelos, viúva do músico.
Festival e celebração da cultura afro-brasileira
Nos dias 8 e 9, o Museu do Pontal será tomado por um grande festival que marca também os quatro anos de sua nova sede. O evento contará com mais de 20 atrações, incluindo Mart’nália, Terreiro de Crioulo, Jongo da Serrinha, Tambores de Olokun e o grupo-show da escola de samba Unidos de Vila Isabel. Para facilitar o acesso, vans gratuitas sairão dos terminais do Jardim Oceânico e do Alvorada, na Barra da Tijuca.
De acordo com a diretora Angela Mascelani, o evento celebra “as heranças negras que estruturam a sociedade brasileira e moldam nossa cultura por meio das festas, da oralidade e da arte popular”. Ela destaca que o mês de novembro reforça o compromisso do museu com a preservação das manifestações afro-brasileiras e a reflexão sobre seu papel na formação do país.
O diretor executivo Lucas Van de Beuque acrescenta que o museu mantém o tema afro em destaque durante todo o ano, e que este mês será uma oportunidade especial de reunir arte, música e memória.
“É um momento de celebração da cultura afro-brasileira e da nossa arte popular, reafirmando o Museu do Pontal como o maior espaço dedicado a esse patrimônio no Brasil”, disse Van de Beuque.
Fonte: Agência Brasil

