Pesquisadores do Instituto Salk de Estudos Biológicos, na Califórnia, afirmam ter identificado um circuito cerebral crucial que pode abrir novas perspectivas no tratamento dos ataques de pânico. Suas descobertas foram publicadas na quinta-feira na revista Nature Neuroscience.
Anteriormente, acreditava-se que a amígdala, conhecida como o centro do medo no cérebro, desempenhava um papel central nos ataques de pânico. No entanto, até mesmo indivíduos com danos na amígdala ainda podiam experimentar ataques de pânico, levando os cientistas a explorar outras áreas. O autor sênior do estudo, Sung Han, professor associado da Salk, explicou: “Agora, descobrimos um circuito cerebral específico fora da amígdala que está relacionado aos ataques de pânico e pode inspirar novos tratamentos para o transtorno do pânico, diferenciando-se dos medicamentos atualmente disponíveis, que geralmente têm como alvo o sistema de serotonina do cérebro.”
Estima-se que 11% dos americanos sofram um ataque de pânico a cada ano, com 2% a 3% da população dos EUA sofrendo de transtorno de pânico. Os sintomas incluem um medo avassalador, mãos suadas, falta de ar e palpitações cardíacas.
Os pesquisadores concentraram seus esforços no núcleo parabraquial lateral (PBL), uma parte do cérebro responsável pela transmissão de informações sensoriais e regulação das respostas ao estresse. Estudos no PBL revelaram uma conexão entre o polipeptídeo ativador da adenilato ciclase da hipófise (PACAP) e os ataques de pânico. Ao inibir a sinalização do PACAP, os pesquisadores conseguiram diminuir os sintomas de pânico em ratos.
A próxima fase da pesquisa visa compreender a relação entre ansiedade e pânico, já que os ataques de pânico frequentemente surgem sem um gatilho claro, enquanto os transtornos de ansiedade geralmente têm causas identificáveis. Sung Han comentou: “Como a ansiedade parece se manifestar de maneira oposta ao circuito cerebral do pânico, será interessante investigar a interação entre ansiedade e pânico, à medida que tentamos explicar por que pessoas com transtornos de ansiedade têm maior predisposição a sofrer ataques de pânico.
Fonte: New York Post

