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Redes sociais expõem riscos a crianças e adolescentes e pressionam por regulação no Brasil

Denúncias reacendem debate sobre segurança digital; especialistas destacam papel das famílias, escolas e poder público na proteção dos menores

24/08/2025
© Joédson Alves/Agência Brasil

© Joédson Alves/Agência Brasil

As recentes denúncias apresentadas pelo influenciador Felca Bress, em vídeo divulgado na última semana, reacenderam a preocupação com os perigos que as redes sociais representam para crianças e adolescentes no Brasil. As imagens expostas chocaram a sociedade e mobilizaram o Congresso Nacional, a Presidência da República e diversos setores ligados à defesa da infância. O episódio trouxe à tona a falta de regulação clara sobre o uso de imagens de menores em plataformas digitais, tema que vem sendo apontado como urgente por especialistas e entidades de proteção.

Profissionais ouvidos pela Agência Brasil alertam que os ambientes digitais, apesar de integrarem a rotina de jovens, ainda oferecem riscos que podem ir da exposição indevida à exploração criminosa. Para eles, a responsabilidade não deve recair apenas sobre os pais e responsáveis. Escolas, serviços de assistência social e políticas públicas articuladas também têm papel central na defesa dos direitos dessa população.

Classificação indicativa ignorada

De acordo com a escritora e ativista Sheylli Caleffi, referência na luta contra a violência sexual e online, é fundamental respeitar a classificação indicativa das plataformas. O Instagram não é recomendado para menores de 16 anos. O TikTok e o WhatsApp, por sua vez, não devem ser utilizados por menores de 13 anos.

Caleffi observa que, muitas vezes, as próprias famílias ignoram essas orientações e permitem o acesso sem verificar idade ou configurações de segurança. Ela recomenda atenção especial aos perfis, que devem ser privados, para evitar contatos de desconhecidos e exposição de imagens de crianças e adolescentes. “Quando você decide dar acesso aos seus filhos nos ambientes digitais, precisa olhar a configuração daquilo que permitiu. O ideal é que toda conta com imagens de crianças seja privada”, afirma.

Postagens familiares também oferecem riscos

O problema, no entanto, não se limita a contas próprias de crianças e adolescentes. A ativista destaca que os próprios familiares podem expor menores ao risco ao postar fotos e vídeos em seus perfis. Segundo ela, as redes sociais não são apenas espaços de interação, mas verdadeiras “redes de comércio”, onde conteúdos são consumidos e, muitas vezes, distorcidos.

“Algo que para uma família é sagrado pode ser erotizado por criminosos”, alerta. Caleffi lembra ainda que apenas os responsáveis legais podem decidir sobre a exposição de imagens de menores. “Avós, tios ou professores não têm essa autorização”, reforça.

Adultização precoce preocupa

As denúncias também chamaram atenção para a chamada adultização de crianças, fenômeno que ocorre quando menores são inseridos em contextos próprios de adultos. Isso pode acontecer dentro e fora das redes sociais, por meio de roupas inadequadas, maquiagem precoce ou padrões de beleza irreais.

De acordo com a especialista, a exposição a esse tipo de conteúdo pode gerar insegurança e até distúrbios psicológicos em crianças pequenas. “Temos meninas de 9 ou 10 anos preocupadas com dieta e crianças de 4 anos insatisfeitas com o corpo. Isso não é natural”, lamenta.

Para mitigar esses riscos, além da conversa aberta entre pais e filhos, Caleffi sugere o uso de aplicativos de mediação parental, que permitem controlar o tempo de tela, monitorar conteúdos acessados e até rastrear a localização dos jovens.

Responsabilidade compartilhada

A professora Vládia Jucá, da Universidade Federal do Ceará (UFC), ressalta que a proteção de crianças e adolescentes não pode ficar restrita às famílias. Ela lembra que o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) estabelece que o cuidado é dever da família, do Estado e da sociedade.

Segundo Jucá, escolas, unidades de saúde, serviços de assistência social, Ministério Público e Judiciário devem atuar de forma articulada, formando uma rede de proteção capaz de agir preventivamente e também em situações de risco. “Esses espaços precisam ser fortalecidos para orientar famílias e acolher denúncias”, explica.

Ela defende ainda a urgência da regulação das grandes plataformas digitais, mas sem esquecer a necessidade de estruturar políticas públicas que garantam escuta e acolhimento. “Educação, saúde e assistência social são pilares dessa proteção. Precisamos de mais espaços de escuta, onde crianças e adolescentes sejam ouvidos de verdade”, reforça.

Denúncias e canais de apoio

Casos de violência, exploração ou qualquer tipo de violação de direitos podem ser denunciados ao Disque 100, canal gratuito que funciona 24 horas por dia e recebe ligações de qualquer telefone fixo ou celular.

Enquanto a regulação das plataformas não avança, especialistas concordam que o caminho mais imediato é a conscientização das famílias e o fortalecimento das redes públicas de proteção. O desafio é equilibrar o acesso à tecnologia com a preservação da infância e da adolescência, assegurando que esses espaços virtuais sejam também ambientes de segurança e aprendizado.

Fonte: Agência Brasil

Tags: adolescentesbig techsCriançasEstatuto da Criança e do Adolescenteexploração infantilproteção onlineRedes Sociaisregulaçãoresponsabilidade dos paissegurança digital
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