O rendimento médio na agropecuária brasileira teve um aumento significativo no primeiro trimestre de 2024. De acordo com dados do Anuário Estatístico da Agricultura Familiar, elaborado pela Confederação Nacional dos Trabalhadores Rurais Agricultores e Agricultoras Familiares (Contag) em parceria com o Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), o salário médio mensal dos trabalhadores do setor cresceu 5,5% em comparação com o mesmo período de 2023. Em termos absolutos, a renda média passou de R$ 2.022 para R$ 2.133.
O levantamento contempla profissionais que atuam em diversas áreas da agropecuária, como agricultura, pecuária, produção florestal, pesca e aquicultura. A variação dos salários nas cinco regiões do país revela importantes desigualdades regionais, embora a tendência geral seja de crescimento.
No Norte, o aumento foi expressivo, com uma elevação de 21% no rendimento médio. O Nordeste também apresentou melhora, com alta de 7,5%. Já o Sul registrou um crescimento de 9,7%, enquanto o Sudeste teve um desempenho mais modesto, com avanço de apenas 1,7%.
Contrariando a tendência positiva nacional, o Centro-Oeste teve queda de 7,9% no rendimento médio. No entanto, continua liderando o ranking das regiões com maior valor médio de salário pago aos trabalhadores da agropecuária: R$ 3.492. Esse valor é significativamente superior ao do Nordeste, que registrou o menor rendimento, de apenas R$ 1.081, e também acima dos valores do Norte (R$ 1.997), Sudeste (R$ 3.147) e Sul (R$ 3.147).
A presidente da Contag, Vânia Marques Pinto, destacou que o objetivo do anuário é monitorar os rendimentos e orientar a atuação política e sindical da entidade. “A Contag vem pautando os entes federativos para rever e qualificar políticas públicas para os povos do campo, da floresta e das águas”, afirmou em nota à imprensa.
Mulheres no campo: desemprego em queda e educação em alta
Outro dado relevante do anuário é a redução contínua do desemprego feminino no meio rural, que pelo terceiro ano consecutivo apresenta queda. Em 2024, a taxa de desemprego entre as mulheres do campo chegou a 7,6%, a menor desde 2015.
A melhora nas oportunidades para as mulheres rurais é atribuída não apenas ao aquecimento da economia, mas também ao aumento da escolaridade feminina nas zonas rurais. Segundo a pesquisa, entre 2012 e 2024 houve um expressivo avanço educacional das mulheres com mais de 15 anos que vivem no campo.
O percentual de mulheres com Ensino Superior triplicou, passando de 2% para 6%. Já a fatia daquelas que concluíram o Ensino Médio quase dobrou, de 14% para 25% no mesmo período. Ao mesmo tempo, houve redução significativa na proporção de mulheres sem instrução ou com menos de um ano de estudo, que caiu de 14% para 10%, assim como o percentual com Ensino Fundamental incompleto, que recuou de 50% para 38%.
Esses avanços demonstram que o fortalecimento da educação no campo tem impacto direto na empregabilidade e nas condições de vida das mulheres rurais. Além disso, evidenciam a importância de políticas públicas voltadas à inclusão social e ao acesso à educação nas áreas rurais do país.
Desafios persistem
Apesar dos números positivos, ainda há desigualdades regionais marcantes e desafios estruturais a serem superados, principalmente nas regiões Norte e Nordeste, onde os salários permanecem abaixo da média nacional. A queda registrada no Centro-Oeste também acende um alerta para a necessidade de políticas de valorização da mão de obra e de apoio contínuo ao trabalhador rural.
O anuário da Contag e do Dieese reafirma a importância da agricultura familiar para a economia nacional e para a segurança alimentar da população, ao mesmo tempo em que evidencia que investimentos em qualificação e políticas públicas eficazes são essenciais para garantir condições dignas de trabalho e renda no campo.
Fonte: Agência Brasil

