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SUS amplia opções de tratamento para endometriose com incorporação de novos medicamentos hormonais

DIU liberador de levonogestrel e desogestrel passam a integrar o protocolo de cuidados pelo Sistema Único de Saúde, beneficiando milhares de mulheres brasileiras

11/07/2025
© Tomaz Silva/Agência Brasil

© Tomaz Silva/Agência Brasil

O tratamento da endometriose ganha dois novos aliados no Sistema Único de Saúde (SUS): o dispositivo intrauterino liberador de levonorgestrel (DIU-LNG) e o desogestrel, ambos com base hormonal. A incorporação foi aprovada recentemente pela Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (Conitec), e anunciada pelo Ministério da Saúde como um avanço importante na qualidade de vida das pacientes diagnosticadas com a doença.

Segundo nota oficial da pasta, as duas novas tecnologias representam alternativas seguras e eficazes, com impacto direto na redução da dor, na progressão da doença e na adesão ao tratamento. O DIU-LNG, por exemplo, apresenta um diferencial: sua substituição é necessária apenas a cada cinco anos, o que reduz a dependência de múltiplos atendimentos e amplia o conforto da paciente.

Além disso, esse tipo de DIU é indicado principalmente para mulheres que possuem contraindicação ao uso de contraceptivos orais combinados, o que amplia o acesso ao tratamento para um público que até então dispunha de opções limitadas. O desogestrel, por sua vez, é um anticoncepcional hormonal que atua inibindo o crescimento do endométrio fora do útero, podendo inclusive ser prescrito na primeira consulta clínica, antes mesmo da confirmação diagnóstica por exames especializados.

Atualização do protocolo

Apesar do anúncio da incorporação dos medicamentos, o Ministério da Saúde ressalta que a disponibilização efetiva depende da atualização do Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas (PCDT) da Endometriose. Somente após esse processo os tratamentos poderão ser distribuídos e ofertados de forma regular na rede pública.

Essa medida é fundamental para garantir a uniformidade no atendimento em todo o país, estabelecendo critérios clínicos bem definidos, orientando os profissionais de saúde e fortalecendo a rede de cuidado com as mulheres que sofrem da doença.

Endometriose: doença crônica e silenciosa

A endometriose é uma condição ginecológica inflamatória crônica que acomete milhões de mulheres em idade reprodutiva. Caracteriza-se pelo crescimento do tecido semelhante ao endométrio – que normalmente reveste a cavidade uterina – fora do útero, podendo atingir órgãos como ovários, intestino e bexiga.

Seus sintomas incluem cólicas menstruais intensas, dor pélvica crônica, dor durante as relações sexuais, infertilidade e alterações intestinais e urinárias, muitas vezes ignoradas ou confundidas com outros quadros clínicos. A Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que cerca de 10% das mulheres e meninas no mundo em idade fértil vivem com a doença, somando mais de 190 milhões de pessoas afetadas globalmente.

No Brasil, os números também são expressivos: houve um aumento de 30% no volume de atendimentos para diagnóstico de endometriose na atenção primária entre 2022 e 2024, passando de 115,1 mil para 144,9 mil registros. No mesmo período, a atenção especializada observou um crescimento de 70%, com os atendimentos saltando de 31.729 para 53.793.

Outro dado relevante é o aumento nas internações: 32% a mais em 2024 em comparação com 2022, chegando a 19.554 hospitalizações, totalizando 34,3 mil internações nos últimos dois anos. Os dados apontam para uma demanda crescente por cuidados especializados e tratamentos eficazes.

Avanço na equidade e no acesso

A ampliação das opções terapêuticas representa não apenas um avanço médico, mas também um passo importante na equidade do cuidado à saúde da mulher no Brasil. Muitas vezes invisibilizada, a endometriose impacta profundamente a qualidade de vida física, emocional, sexual e produtiva das pacientes, sendo responsável por longos períodos de sofrimento até o diagnóstico.

Com a inclusão do DIU-LNG e do desogestrel, o SUS demonstra atenção às necessidades reais das pacientes, ampliando as possibilidades de tratamento não invasivo e prevenindo agravamentos que levam a internações e cirurgias.

Além do benefício clínico, o uso contínuo desses tratamentos também é estratégico no sentido de reduzir os custos do sistema de saúde, com foco na prevenção e na abordagem precoce. Especialistas destacam que, com políticas públicas bem estruturadas, é possível reduzir o tempo até o diagnóstico, hoje estimado entre 7 a 10 anos em média.

Próximos passos

Agora, os olhos se voltam para a agilidade na atualização do PCDT da Endometriose, essencial para que o anúncio da Conitec se traduza, na prática, em atendimento gratuito nas unidades de saúde em todo o Brasil.

Movimentos de mulheres, associações de pacientes e profissionais de saúde comemoram a decisão, mas alertam para a importância da conscientização, da formação de profissionais e do combate ao estigma que ainda cerca a doença.

A expectativa é de que, com essas novas medidas, o SUS avance na oferta de cuidados humanizados, eficazes e contínuos para as milhares de brasileiras que convivem diariamente com os desafios da endometriose.

Fonte: Agência Brasil

Tags: #Ginecologia#SUSConitecdesogestrelDIU-LNGendometrioseministério da saúdepolítica pública de saúdesaúde da mulhertratamento da endometriose
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